segunda-feira, 21 de novembro de 2011
VIVER É PRA QUEM NASCE E SE SURPREENDE COM ISSO TODOS OS DIAS
A melhor coisa da vida, depois do encontro, é o reencontro. Gosto de reencontrar pessoas, de ouvir o que elas têm pra me mostrar, de me encantar com elas e de , no dia seguinte, poder tirar proveito de algo que tenha ficado em mim.
Pessoas são, às vezes, meio evasivas, se colocam em postura de superioridade, mas na hora da cólica, o destino é o mesmo.
Devaneios meus de impressões do fim de semana. Serei breve para narrar o que vi, senti e vivi.
Fui ao teatro e assisti ao espetáculo "Juventude Interrompida". O que falar do que foi apresentado naquele palco? Simplismente DIVINO! Mais que um exercício, uma direção irretocável,uns atores conscientes e desprovidos de qualquer preconceito. Atores de verdade, cheios de cumplicidade e de precisão. Sabiam o que estavam fazendo e faziam com tanta naturalidade e maestria que Romeu era Romeu e Julieta Julieta independente do sexo dos atores, pois em cena quatro rapazes interpretando Shakespeare de forma tão inusitada e transparente que minha alma toda ficou em estado de levitação e não pude resistir a uma esticada para tentar ver um olhar...
Te ver era uma coisa muito desejada. Não consigo frear meus desejos. Tenho uma sede imensa de tudo e me sinto carente de abraços e transições. Vim ao mundo para viver e ser feliz, mas não me imponho essa felicidade de comerciais de televisão. Minha necessidade é mais interna. Meu carro do ano é teu olhar, minha casa em Búzios é um abraço teu que aquece minha pele e arrepia todo meu interior.
Gosto de saber que a vida é uma surpresa e que isso me faz entendê-la melhor. Sou artista e náufraga de mim. Sou poeta e espiã. Sou boêmia e apaixonada por botecos e espero um clássico de rock no fim da noite pra saber que os embalos de sábado continuam e que continuo "carregando carências que só um noturno de Chopin pode aquietar.
Algumas coisas, em mim, só são amparadas pelo sorriso de quem, por agora, me seduz e tenho que dizer que seu olhar quando me olha, me molha e ele nem sente.
Tudo em mim é pra mim. Tudo em você está para você como a vida , que é tua, está para mim. ( Que brê é esse??)
Quero ser ,cotidianamente, enfeitiçada pelo mundo. Não me importa se o que vou construindo é de areia. Sei sonhar e gosto dessa possibilidade de encanto. Nada de nossa fala é direta e isso surpreende os próximos dias, mesmo que eles não aconteçam...
Ser livre pode ser algo muito perigoso. Então, de vez em quando, me prendo a alguém dentro de mim e só pra mim.( tudo é por minha conta e risco). Não acredito em cara metade, Deus me fêz inteira e perfeita e se algo me falta, certamente, não estará no outro e sim em mim que sou um labirinto de possibilidades. Não gosto de indiscrição, não gosto de amarras, gosto de mãos e gosto muito. De gaiolas... quero distância... Preciso de espaço para ter espaço, mas se for pra me prender em algo, por um breve e eterno espaço de tempo..que seja entre suas pernas e se for pra escutar a sua voz fora das canções, que seja pra me desejar..."bom dia!"
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
DA SÉRIE: ELA É CARIOCA
Minha vida está um caos- no que diz respeito a arrumação-. Depois de uns 40 dias de obra a vida parece querer voltar ao normal, mas sabemos que desarrumar é facílimo e que reorganizar é tarefa para uma gente com tempo e paciência de sobra - volterei nas próximas encarnações para exercitar ambos- e que eu, infelizmente não tenho.
O assunto é que ontem, enquanto organizava ,em pastas, vários riscos e rabiscos, encontrei algo que escrevi quando em 2007 assisti no Canecão ao show do meu marido, Chico Buarque - ele não sabe disso-. Gostei do que li e lembrei de cada detalhe daquela noite em que reencontrei alguém que encontrara na minha meninice e que acabou sendo meu eleito até que um tipo de morte nos separou.
SORTILÉGIO DE CHICO
Numa noite dessas em que tudo pode acontecer, deixei o desejo ser mais forte que a vontade. Teci para mim mesma um sortilégio em que me prometia uma arrebatadora explosão. Vesti-me de luz, brilho e esperanças. Canalizei apenas pensamentos bons e libertei-me de meu passado e de meus fantasmas. Prometi e cumpri não chorar por um amor e deixei-o lá em meu relicário me permitindo ser conduzida pelas mãos das novas possibilidades.
Invadi, soberana, o mágico e musical ambiente. A música era concreta e fazia aguçar em mim uma vontade de ser minha novamente e me reencontrar repleta de planos futuros.
Observei cada detalhe daquele espaço onde veria , pela segunda vez, meu ídolo. Sabia, lá no meu intimo que quando o escutasse de viva voz ficaria embriagada e emocionada.
Sentada em meu lugar escolhido e bem perto do palco fiquei espectativamente aguardando aqueles olhos verdes de ardósia iluminar a paisagem tão esperada por mim.
O show era "Carioca"e, sem dúvida, levaria ao meu íntimo mais que melodias.
O pedido feito ao garçom deixou todos estupefatos. Pedi um refrigerante, pois não queria que nada desviasse minha atenção. Queria estar embriagada de sua poesia e voz. Me prometi lucidez e enquanto ele cantava eu ouvia "as declarações mais belas de um sonhador Titã". Meu peito dava "nó em paralela" e naquele instante eu era sua maior fã...
Várias músicas interpretadas e "na rádio cabeça" todas que eram tocadas me remetiam a algum instante do tempo onde fui qualquer coisa ou sentimento com "todo sentimento".O mundo parecia ter parado e só existia aquele momento. "Eu era o seu pião, seu bicho" e ele o meu preferido que atravessava a janela de meus olhos só para eu "ver a banda passar falando coisas de amor..."
Ao som de "Fado Tropical" meu "Folhetim" desfiou tim-tim por tim-tim esboçando meus "Anos Dourados", minhas "Vitrines querendo passar"
Eu que não cria em Deus "ergui as mãos para os céus e agradeci por estar ali como se fosse num romance." Imaginei "o homem dos meus sonhos me aparecendo num dancing."
A minha alma e cabeça já estavam "pelas tabelas" procurando "com açucar e com afeto" "qualquer amor".
Chegava o momento final do show e eu ia reforçando meu sortilégio: Ser feliz, mesmo por um triz. Toda a mulher que ali estava "vivia a te buscar e pensando em ti, corria contra o tempo".
Dentro de mim um medo enorme de nada acontecer...Cale-se!! preciso do bis !!e minha alma doida gritando..."Vou voltar/haja o que houver/eu vou voltar.."
Finda a festa . Levitação bestial. O que é amor? O vento batia em minha cara como se fizesse uma transformação ou me conduzindo pra uma nova viagem.
Depois de muito caminhar cheguei a um lugar com mais música,música, música. Era isso que eu queria, mais música.
Uma hora depois de me encontrar naquele Rio Scenarium, entre uma valsa e outra ,achei o meu par. Éramos dois olhos. Dois sedentos e grandes olhos se encontrando pela 1° vez. Éramos uma grande vontade de tudo.
Mudos. Completamente mudos. Ficamos assim por um tempo como se tivéssemos desejado a noite inteira a mesma coisa.
Estava realizado o sortilégio. Encontrei uma parte que podia se repartir pra mim. Encontrei um ser inteiro e me fiz inteira pra esse acontecimento.
"Lhe dei meu corpo, minha alegria em troca ele me amou tanto e de tanto amar achava que eu era bonita. Fizemos amor como quem tropeça nas estrelas e andávamos pela casa como que flutua."
Era o meu romance e ele me apareceu num dancing e eu disse "sim". Tornei-me sua amiga, sua comida, sua irmã seu incesto. Perfeita...igualzinha...traiçoeira, cria da sua costela. Ele estava lá, outra vez, no lugar que era todo seu, de volta para o Rio.
Vivi os dias mais dourados de minha vida, mas ele foi sumindo...por aí e me mostrando que a cidade é um vão... Olha a voz que me resta, a veia que salta, a gota que falta pro desfecho da festa.
Te deixei jurando nunca mais olhar pra trás, mas é tanta saudade...é pra matar...
Melhor mesmo é isso: deixar em paz meu coração e entender que nos amamos feito dois pagãos.
Agora me diz...pra onde ainda é que eu posso ir?
O assunto é que ontem, enquanto organizava ,em pastas, vários riscos e rabiscos, encontrei algo que escrevi quando em 2007 assisti no Canecão ao show do meu marido, Chico Buarque - ele não sabe disso-. Gostei do que li e lembrei de cada detalhe daquela noite em que reencontrei alguém que encontrara na minha meninice e que acabou sendo meu eleito até que um tipo de morte nos separou.
SORTILÉGIO DE CHICO
Numa noite dessas em que tudo pode acontecer, deixei o desejo ser mais forte que a vontade. Teci para mim mesma um sortilégio em que me prometia uma arrebatadora explosão. Vesti-me de luz, brilho e esperanças. Canalizei apenas pensamentos bons e libertei-me de meu passado e de meus fantasmas. Prometi e cumpri não chorar por um amor e deixei-o lá em meu relicário me permitindo ser conduzida pelas mãos das novas possibilidades.
Invadi, soberana, o mágico e musical ambiente. A música era concreta e fazia aguçar em mim uma vontade de ser minha novamente e me reencontrar repleta de planos futuros.
Observei cada detalhe daquele espaço onde veria , pela segunda vez, meu ídolo. Sabia, lá no meu intimo que quando o escutasse de viva voz ficaria embriagada e emocionada.
Sentada em meu lugar escolhido e bem perto do palco fiquei espectativamente aguardando aqueles olhos verdes de ardósia iluminar a paisagem tão esperada por mim.
O show era "Carioca"e, sem dúvida, levaria ao meu íntimo mais que melodias.
O pedido feito ao garçom deixou todos estupefatos. Pedi um refrigerante, pois não queria que nada desviasse minha atenção. Queria estar embriagada de sua poesia e voz. Me prometi lucidez e enquanto ele cantava eu ouvia "as declarações mais belas de um sonhador Titã". Meu peito dava "nó em paralela" e naquele instante eu era sua maior fã...
Várias músicas interpretadas e "na rádio cabeça" todas que eram tocadas me remetiam a algum instante do tempo onde fui qualquer coisa ou sentimento com "todo sentimento".O mundo parecia ter parado e só existia aquele momento. "Eu era o seu pião, seu bicho" e ele o meu preferido que atravessava a janela de meus olhos só para eu "ver a banda passar falando coisas de amor..."
Ao som de "Fado Tropical" meu "Folhetim" desfiou tim-tim por tim-tim esboçando meus "Anos Dourados", minhas "Vitrines querendo passar"
Eu que não cria em Deus "ergui as mãos para os céus e agradeci por estar ali como se fosse num romance." Imaginei "o homem dos meus sonhos me aparecendo num dancing."
A minha alma e cabeça já estavam "pelas tabelas" procurando "com açucar e com afeto" "qualquer amor".
Chegava o momento final do show e eu ia reforçando meu sortilégio: Ser feliz, mesmo por um triz. Toda a mulher que ali estava "vivia a te buscar e pensando em ti, corria contra o tempo".
Dentro de mim um medo enorme de nada acontecer...Cale-se!! preciso do bis !!e minha alma doida gritando..."Vou voltar/haja o que houver/eu vou voltar.."
Finda a festa . Levitação bestial. O que é amor? O vento batia em minha cara como se fizesse uma transformação ou me conduzindo pra uma nova viagem.
Depois de muito caminhar cheguei a um lugar com mais música,música, música. Era isso que eu queria, mais música.
Uma hora depois de me encontrar naquele Rio Scenarium, entre uma valsa e outra ,achei o meu par. Éramos dois olhos. Dois sedentos e grandes olhos se encontrando pela 1° vez. Éramos uma grande vontade de tudo.
Mudos. Completamente mudos. Ficamos assim por um tempo como se tivéssemos desejado a noite inteira a mesma coisa.
Estava realizado o sortilégio. Encontrei uma parte que podia se repartir pra mim. Encontrei um ser inteiro e me fiz inteira pra esse acontecimento.
"Lhe dei meu corpo, minha alegria em troca ele me amou tanto e de tanto amar achava que eu era bonita. Fizemos amor como quem tropeça nas estrelas e andávamos pela casa como que flutua."
Era o meu romance e ele me apareceu num dancing e eu disse "sim". Tornei-me sua amiga, sua comida, sua irmã seu incesto. Perfeita...igualzinha...traiçoeira, cria da sua costela. Ele estava lá, outra vez, no lugar que era todo seu, de volta para o Rio.
Vivi os dias mais dourados de minha vida, mas ele foi sumindo...por aí e me mostrando que a cidade é um vão... Olha a voz que me resta, a veia que salta, a gota que falta pro desfecho da festa.
Te deixei jurando nunca mais olhar pra trás, mas é tanta saudade...é pra matar...
Melhor mesmo é isso: deixar em paz meu coração e entender que nos amamos feito dois pagãos.
Agora me diz...pra onde ainda é que eu posso ir?
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
EU QUERO ME LIBERTAR
Não sei de quantas amarras é feita a vida. Ser livre é pretensão de qualquer mortal, mas às vezes ficamos solitários com liberdade demais, sei lá. Há liberdade demais?
Sinto-me livre, de verdade, mas algumas vezes as amarras do outro faz você bloquear desejos, faz você repensar possibilidades, faz você se lapidar e perder a essência por se vigiar demais.
A semana que passou foi cheia de surpresas, cheia de gratas surpresas musicais, cheia de confissões e novidadeiras declarações de ciúmes. Acho ciúme uma coisa tão desmedida. Como você pode ter a ousadia de se apossar da vida alheia? Como você pode pensar que tem o direito de trazer para si um ar que não é o teu? Sei que por ter um exercício de liberdade incomum- isso nem chega a ser opção, é o que é- algumas pessoas ignoram o fato de não me conhecerem de verdade e se enchem de achismo a respeito de como sou. Como podem querer desvendar um mistério que nem eu, dona dele, consigo?! Gente doida essa...
Voltando a semana... O show em homenagem a Divina Elizeth foi de tirar o fôlego. Eliana arrasou e conseguiu o que ,na verdade, é o coração projeto. Dar um tom de teatro ao lance. Foi lindo!!
Depois de um tanto de lágrimas foi a vez de matar saudades de amigos, de dar vaga ao saudosismo e a nostalgia, de fazer uma grande viagem aos anos 80, na Festa Naftalina regada a muita cerveja gelada, Legião Urbana, Capital Inicial, Frenéticas e um montão de Kid Abelha. Como é bom ter o corpo bailando no que gosta. Matei a saudade de mim. Matei a saudade que estava de alguns amigos que vejo pouco, me alimentei da essência que ainda nos resta e sai de lá à francesa como cabe a qualquer um que permitiu que a nostalgia lhe saisse pelos olhos...
No sábado, todo mundo espera alguma coisa à noite, tudo pode mudar, não?
Noite de rock no SESI. Não podia deixar de ir. Seriam releituras de clássicos dos anos 70 e com uma gente no palco que também me provocaria nostalgia. Lá fui eu pra mais um encontro comigo. Raro encontro em que também revi, de longe, amigos que não via há tempos. Na cabeça um filme antigo passava e eu, mais uma vez, deixei que as salgadinhas viessem à tona e lavassem minha alma. Vê-los no palco, lugar mais que sagrado pra mim, foi de uma magia inenarrável. Fico curiosa de saber qual a sensação de cada um... o riso e a cumplicidade entre eles é de fácil leitura o que, certamente, torna ainda mais sensível a apresentação.
Não estou fazendo critica. Estou perpetuando minha festa interior de um fim de semana pra lá de inusitado.
Por falar em inusitado e dar fim a esta postagem preciso escrever sobre o quanto é bom flutuar. O quanto é bom ser surpreendida, o quanto é bom poder ser engolida pelo teu olhar. Me senti ,no sábado, como uma adolescente que, com medo do tempo, se rende ao mesmo e se deixa libertar.
PS: " Eu gosto dos que têm fome
E morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem..."
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
CUMPRINDO PROMESSA
Uma vez me perguntaram se o que eu escrevo é confecional e eu respondi: nem sempre. No caso desse poema nunca passou pela minha cabeça que ele pudesse ser dedicado a alguém. Nunca pensei que, talvez, lá no meu interior morasse o ser que não habitara em mim...
De qualquer forma cumpro o prometido e posto para que você faça a sua análise, mas não crie espectativas... Pode até ser para você (rsrrsrsr).
DESCOBRIMENTO DE MIM
ENVOLVA-ME EM TEUS BRAÇOS
E ENSINA-ME A VOAR
ELEVA-ME A POSSIBILIDADE DE SER PÁSSARO
POSSIBILITA-ME A MAGIA DE VIAJAR EM TEU CÉU
SINALIZE AS PARTICULARIDADES RECONHECIDAS
RECONHEÇA AS DISTÂNCIAS
OS SONS DAS VOZES QUE ESCUTEI
OU VÁ À PUTA QUE O PARIU... E SEJA MODERNO
ME LIGA
ME TELEFONA
ME ACIONA EM TEU E-MAIL
ME CONVIDA PRA ESSA “DESPOESIA” DE FACEBOOK
MAS NÃO ME DELETE MAIS
NÃO ME ESCRAVIZE MAIS A ESSA ANGÚSTIA DAS HORAS
A ESSA INSENSATEZ DAS DEMORAS
A ESSE MUDO TELEFONE QUE NÃO TOCA
ME NAMORA ...VEM...
COMO ESFINGE
ME DEVORA TAMBÉM
ME ADORA
ME DEFLORA
OU DEFINITIVAMENTE
ME MANDE EMBORA
MAS SE FOR PRA FICAR
POETIZE
VINHO BRANCO
PÉTALAS DE ROSAS
CIGARROS DEPOIS
MAPEIA-ME
DE NORTE A SUL
ME DESPE
DE LESTE A OESTE
DEMARCA-ME
REDESCUBRA-ME
FINQUE EM MIM
SUA BANDEIRA
E MOLHE MEUS LITORAIS
SEJA MEU PADRE JESUÍTA
E EXPULSE OS ANTIGOS COLONIZADORES
QUE ANTES ME AVISTARAM E GRITARAM
SEXO À VISTA !!
ME CAMINHE
ME DESENCAMINHE
CAMINHA AS MINHAS TERRAS
MANDANDO NOTÍCIAS
QUE AQUI EM SE PLANTANDO
EU VOU TE DAR
VERÁS MINHAS PERNAS EM CRUZ
APONTE MINHAS RIQUEZAS
MEUS PEQUENOS E GRANDES MARES
MEU TIÂNGULO SEM BERMUDAS
MINHAS ILHAS
CAMINHE MILHAS E TRILHAS
PARA QUE EU TE DENOTE
TRAGA TODAS AS NAUS
ATÉ A BOCA DO RIO
E QUANDO AVISTAR-ME MONTE
SEJA CABRAL
PASCOAL
NICOLAU
MOLHE TODO MEU MAR
NAVEGUE-ME
QUANDO ME REPOUSAR
SEREI TEU PORTO SEGURO
TUA BAHIA DE TODOS OS SANTOS
PRA VOCÊ ATRACAR
ANCORAR
APORTAR
QUANDO ME COBRIR
VERÁS QUE SÓ FALTAVA VOCÊ
PRA ME HABITAR.
DAS PRETA.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
TÔDOIDA@.COM.BR
Há dias em que escrever pode parecer uma revelação. Há coisas que ficam melhores guardadas e silenciadas para não causarem danos.
Dentro de mim existe uma série de coisas não vividas, mas com posssibilidades futuras de novos estágios. Conversava com um amigo num dia desses quando ,de súbito, o moçoilo me dissse que existia em mim um ser que ora era forte e ora por demais frágil. Sou assim. Exatamente assim...humana. Não me resguardo de nada que a vida me oferece e quando aceito um presente faço dele uma festa até desgastá-lo. Quando esse presente não é de vidro ele não quebra, não desgasta e continua ali para ser acariciado, tocado, manuseado, vivido e respirado. Somos o que somos em cada situação. Depois de uma certa idade a única pessoa que nos engana é aquela que habita nós mesmos . Sabemos o que existe atrás de cada intenção e se nos permitimos ir além daquilo que somos capazes de encarar, isso não pode, jamais, ser visto como uma escolha em conjunto. Somos donos únicos e exclusivos do nosso querer, da nossa vontade, da nossa tesão e se partilhamos com o outro tudo isso é porque ,antes de nos entregarmos, já sabiámos que iríamos...e por nós.
Já sei que você deve estar pensando que estou doida e que não estou escrevendo coisa com coisa. Você quase tem razão. Tem um monte de coisas que gostaria de poder escrever, mas ainda não consigo sem deixar explícito que é para mim mesma e não pra você que faz parte, hoje , dessa minha escrita.
Sabe quando as coisas bastam pelas impressões que deixam e só? Gosto não. Gosto da coisa bem exposta, bem dita e direcionada. Respondo qualquer coisa sem constrangimento e deixo o outro constrangido com minha resposta , pois ele esperava que eu fosse "blasé" da mesma forma que ele é. Não sou. Não consigo e, acredite, fico cinza com isso.
Na vida há coisas que nos são cobradas...e muito. Mulher ,por exemplo, não pode manifestar seu desejo da mesma forma que o homem. Isso é doido! Somos animais iguais e se pra ele é permitida uma certa impunidade afetiva quando ele demonstra esse sentimento por outro que não é o seu companheiro, porque na carne feminina esse desejo é visto como algo devasso e vulgar?
Deixo no ar essa pergunta. Se puder me responda, pois preciso de opiniões.
Quanto aos encontros... cada um sabe o que é bacana pra si. Cada um sabe que tudo pode começar bem e terminar melhor ou não. Cada um sabe que a vida não é um conto de fadas e vê-la assim pode ser f%d@ no final.
Eu prefiro ter o sabor do encontro que me disperdiçar em degustações imaginárias. Prefiro morrer pelo meu excesso que pela minha contenção, mas como não vivo em uma ilha vou driblando a regra e fazendo de conta que esse roteiro, que está em minha mente há anos, não pode ser apresentado não.
Ainda me morro com esses filmes nunca rodados.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
DEPURANDO SENTIMENTOS
Reconhecer no outro a sensibilidade que ele faz questão de não demonstrar é uma tarefa árdua. Algumas pessoas parecem ter pego uma condução horrorosa para aterrisar no planeta e quando aqui chegam fazem uma questão absurda de permanecerem obtusas... Conheci uma gente assim há algum tempo e prometi a mim mesma que não teceria comentário algum a respeito dela, mas na madrugada que me abrigou recebi uma mensagem que parecia um pedido de socorro e ,despassarada que sou, pensei que fosse engano... "Nananinaninanão". Era o moço de humor desviado perguntando se eu podia ter um dedo de prosa com ele. Tudo bem- disse eu- quando? Agora - disse ele-. Fiquei estática e completamente sem ação, pois na minha cabeça seria uma prosa pra qualquer dia e não algo repleto de urgência. Respirei fundo e disse: tudo bem.
Pularei o rumo da prosa por conta "di quê" era de um particular comovente. Escreverei, apenas, sobre as imprenções que ficaram, entende?
É incrivél a capacidade que temos de não ver o outro atrás da muralha que ele constrói. Sei que, na maioria das vezes, estamos tão preocupados em nos proteger que o que apresentamos não é defeito é defesa.
Na minha frente tinha um homem com muita raiva e medo. Tamanha responsabilidade a minha . Como dizer pra ele que a vida algumas vezes é reflexo de nossas escolhas, mas que outras vezes é inerente mesmo e que as coisas todas tem seu objetivo e que chega uma hora em que temos que pedir ajuda e abrir mão de nossos preconceitos?
Nunca pensei que fosse tão dolorido assumir a proópria sexualidade em pleno século xxi...
Fiquei escutando cada palavra, observando cada gesto e pensando:- Por que eu fui a escolhida? Tô ficando nervosa..."
Depois de deixá-lo falar por algum tempo e escutar confidências que darão tempero pra mais de metro de postagem, convidei-o para um café e disse, entre uma passada de manteiga no pão e uma arrumada no pensamento... - Melhora quando a gente fala, vixe? e rimos.
Naquele instante, também eu, percebi que tenho muralhas em mim, que danço quase feliz mas que também tenho medo e raiva por não assumir o quanto é ruim não se ter um amor. Por causas externas o moço/homem/menino em questão engavetará mais um romance não assumido. Não ppoderá experimentar, ainda, um relacionamento. Por causas internas eu não consigo me encantar ou me fazer encantar. Pessoas temem gente de personalidade como a minha... Descobri que tenho medo e raiva também e que ,no fundo, no fundo, o que mais assombrava aqueles dois seres na mesa de café era o fantasma da solidão.
Pelo menos agora temos um ao outro...se precisar de ombro tem o meu... que, certamente, usará o teu no final e de quebra te chamará de anjo. Exatamente como você fez comigo.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
DIA DA CULTURA
SESI CAMPOS APRESENTA
ADRIANA MEDEIROS EM:
"UM DEDO DE PROSA E UMA ALMA DE POESIAS MUSICAIS"
DATA: 05/11/2011
HORA:18:00H
UM TEXTO REPLETO DE PROSA E POESIA QUE FAZ UM PASSEIO PELO COTIDIANO E REVELA, DE MANEIRA POÉTICA, AS MAIS VARIADAS FORMAS DE RELACIONAMENTO, DE ENCONTROS, DESENCONTROS, BUSCAS E RECOMEÇOS ENTRE AS ALMAS HUMANAS.
TEXTO DE: ADRIANA MEDEIROS E FERNANDA HUNGUENIN
CONCEPÇÃO DE MONTAGEM: ADRIANA MEDEIROS E ALEXANDRE FERRAN
DIREÇÃO: ALEXANDRE FERRAN
IMAGENS: CÂNDIDA CLARET
ILUMINAÇÃO: ALEXANDRE FERRAN
SONOPLASTIA: RENATO ARPOADOR
POEMA: QUEM ÉS TU / JEFFERSON SERPA
terça-feira, 1 de novembro de 2011
PRO MENINO DE 1966
Não podemos negar que há dias em nossa vida que nascem pra nos surpreender. Sinto-me, às vezes, com uma certa distância do mundo real e claro que isso é típico dos artistas.
Artistas românticos guardam flores dentro de livros e, acreditem, lembram-se de quem as presenteou. Não, você não me deu flores. Você nem atravessou , da maneira que eu planejara, meu caminho. Sempre te olhei de longe , de forma platônica, mas sempre soube que no dia que pudesse, fosse em que órbita fosse, prepararia meu mais sincero sorriso e te roubaria pra mim...- mesmo que fosse uma roubada-.
Assim fiz, que não estou morta nem nada, fiquei te namorando por um tempo parado -quando o tempo parece que não se move-...é bom quando o tempo se transforma em nosso aliado e nos permite viajar.
No meio de uma noite, que fique sabendo, mágica e patrocinada com melodias que me faziam rir só pra você , meu corpo atreviadamente se enroscava ao daquele "menino" que foi o meu eleito, de maneira por demais despreocupada com os que ali estavam.
O menino que habitou tantas vezes minha cama no passado- em meus sonhos- olhava pra mim de maneira a me fazer tremer... A calma foge da gente e nos deixa impetuosamente mais sensuais. Era quase um balé o que faziam nossos olhos e é claro que vou fantasiando mais e mais... Posso fazer isso, não?
Na realidade já tínhamos nos beijado antes mesmo do primeiro beijo. É fascinante a capacidade que temos de sermos racionais quando o corpo clama o toque e a emoção fica estancada pela razão e a gente finge que não goza... Se permitido fosse, o mundo teria se congelado naquele instante e só nós dançaríamos nas nuvens que enfeitavam a noite sem luar.
Confesso que fui pra cama com teu cheiro, Fui pra cama com teu olhar. Fui pra cama com uma adolescente que me habita a alma e que foi despertada por um menino de 1966... Fui pra cama com a certeza que dá pra voltar no tempo e se encantar outra vez.
Ai, então, corajosamente deixo a vontade vibrar, apesar de um certo medo não justificado, e vou vivendo esse novidadeiro encantamento uma vez mais, já que mais uma vez fui por ele convidada, finjo um pouco de resistência, - é de bom tom- mas com a certeza de que será difícil para sempre negá-lo. É que o menino de 1966 fez aniversário de guerra e eu me deixei com ele confrontar...
Afinal no corpo a corpo existe um certo interesse na disputa.
Aguardo as armas que seremos capazes de usar.
Até o próximo rock !
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
DIA D
Fui apresentada a Drummond no colegial - acho que ninguém fala mais assim - e depois disso passei a ler qualquer coisa que me mostrasse aquele eu todo retorcido. Hoje sei o quanto todas as suas poesias ajudaram a construir essa aprendiz de poeta que habita o meu mim.
Agora o Instituto Moreira Sales faz uma homenagem ao poeta maior, ao poeta da pedra no caminho, ao poeta de uma cidade de milhões de habitantes e que sente sozinho.
Feliz aniversário, Carlos! Que a gente comemore com poesias o seu dia...
Por muito tempo achei que a ausência era falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Agora o Instituto Moreira Sales faz uma homenagem ao poeta maior, ao poeta da pedra no caminho, ao poeta de uma cidade de milhões de habitantes e que sente sozinho.
Feliz aniversário, Carlos! Que a gente comemore com poesias o seu dia...
Por muito tempo achei que a ausência era falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
domingo, 30 de outubro de 2011
SÁBADO TUDO PODE MUDAR
Todo mundo espera alguma coisa do sábado à noite. Eu não. Fico em casa camisolenta entre livros, sonhos e futuras decisões.
Ontem foi dia de teatro. Savana Glacial. Texto bastante intrigante e que rendeu uma boa prosa que seguiu até às 4:00h da matina.
Há algum tempo não ficava na rua até tão tarde e, não por acaso, acabei diagnosticando, uma vez mais, o vazio que existe quando estamos no meio de uma multidão. Tudo parece tão repetitivo e as pessoas parecem mais solitárias que nunca. Fiquei boa parte do tempo observando uma gente que se atropela, se repete, se consome... me vi parecida com eles e tive uma vontade enorme de fugir para dentro de mim e senti um grave sintoma de saudades daquele por quem me encantei.
Hoje revi fotos, reli cartas, fiquei naquela ocupação de nostalgia e arrumações para ver o tempo
lentamente passar.
Nada parece muito eficiente e até a escrita está meio desconexa e lenta.Tentei jogar algumas coisas fora ,mas tenho uma tendência nada normal de esticar as coisas até o mais que posso.Faço isso até com pessoas. Vou esticando minhas relações de modo a ficar com alguns entulhos humanos presos a mim.Fico esperando sempre por uma certeza e vou prorrogando , de alguma forma, a companhia delas.
Neste sábado, em especial, decidi fazer uma limpeza e descartar de minha convivência aquela gente que emana energia negativa sobre a gente.
Ainda falta muito, mas esse é um novo começo e só de ter essa disposição já me garante um domingo de reconstrução e de deixar falar mais alto a voz do coração.
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