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quarta-feira, 4 de março de 2015

O SILÊNCIO QUE COMPONHO


                                                       

Estou relendo coisas minhas e me emocionando comigo. Olho a lua coberta por um lençol de nuvens que desenha uma paisagem em minhas retinas e lembro de um beiral de rio que ainda não conheço. Coloro uma cachoeira e fico esperando, silenciosa, pelo tempo da espera.
No meio de tudo há, às vezes, uma espécie de solidão. Ela é inquilina de mim e estou disposta a dar ordem de despejo a essa estranha senhora.
Vou ficar mais um pouquinho destilando essa emoção que minhas próprias palavras me presenteiam,
Tudo na vida tem um porquê, eu sei. O problema é essa minha pressa do agora, é essa minha vontade da troca é esse estranho ser que insiste em fazer morada dentro do vazio que, só eu sei, anda cheio.
Quando o tempo da delicadeza chegou, eu não estava preparada, também sei. Desaprendi a lidar com as surpresas de tão igual estava minha vida, mas vou plantando no orvalho as várias maneiras que conheço de ser feliz e estou.
Estou compondo alguns silêncios e essa melodia novidadeira me toma de maneira tal que fico zonza.
Sei que existe muitas coisas silenciadas nele. Não tenho pressa de sabê-las,mas fico desenhando uma outra de mim que também sou eu, apenas mais tranquila, mais afeita, mais mulher.
Esse meu novo encontro é diferente, há nele mais falacias, mais descobertas, mas não sei se há total verdades.
Pessoas não são tão transparentes- Graças a Deus!-
Estou desconectada de mim. Escrevo sem dar uma linha reta, pois tô meio torta diante de tudo. A única coisa que sei é que estou repleta de eternidades, que guardarei cada instante em um relicário, que a lua, agora,está linda e nítida, que vejo a estrela cadente e faço pedido, como fiz há um tempo o mesmo pedido em sua varanda e fecho os olhos e vejo aquela luz que "ilumia" ,de longe, um casal imaginário que se afaga na distância. Bonita imagem a que seu "cantinho" me dá. Bonito olhar que me toca, prosaica sintonia que nos une, incontestável alegria que me veste quando em seu abraço descanso meu corpo enquanto você beija meus ombros e me presenteia com muitos  espetáculos da natureza.
Bendito todos os instantes em que rio e choro, bendito o dia em que esqueci o medo e prometi a mim mesma ficar mais um pouquinho e, dessa maneira,cá estamos, até hoje.
Tomara você pegar  a parábola nas mãos e se vergar como um bambu, mesmo tendo a falsa eternidade da montanha. Tomara a gente se repetir, repetir até um dia, de verdade, sermos, de todos, diferentes.

Beijo meu!

domingo, 1 de março de 2015

SEI LÁ...UM BRINDE AOS DIAS QUE VIRÃO.

                                                           


Há um monte de histórias em minha cabeça. Elas flutuam loucas e remexem os meus baús. Estou com uma angústia que me aperta o peito e ela tem um nome que está tatuado.
Aprendi, nos últimos meses a ver a vida pelos seus olhos, a prestar atenção nas coisas simples, a me permitir me perder, a saber da chuva, ventos, açudes, porcos , mas confesso, estou com medo. Medo do que não sei decifrar, do humano que não aprendi a lidar, do seco que me deixou no ar depois das flores enviadas. Perdi a mão, será? Sei lá. Tenho essa mania de ser muito impulsiva. Talvez devesse me blindar, mas gente blindada não se conhece direito, penso. Meticulosa ela teme a exposição da alma. Não sei ser assim. Tento, mas não consigo e não me arrependo.
Tenho em minha lembrança um monte de coisas azuis. Meus tons jamais serão cinzas, mas estou pendendo uma ânsia que não gosto.
Escrevo meio perdida. Isso parece confissão, mas é falta de entendimento, acho.
Lembro-me de quando meu olho se viu no teu e gosto disso. Gosto de escrever pensando que, um dia, me lerás e saberás o quão encantada estou, mas estou com medo e o medo nos torna meio obtusos, cegos, melancólicos, prolixos, silenciosos,arredios.
Tenho várias interrogações, mas não as faço com medo de parecer evasiva. Mas como conhecer o outro sem um embate? Não falar me causa uma espécie de sofrimento que beira ao imaturo e por isso me calo.
Por que sofremos quando nos doamos? Deve ser porque projetamos algo que não conseguimos realizar, porque não estamos juntos quando queremos, pelos beijos não trocados e por desejarmos sozinhos aquilo que depende do outro para acontecer, quando, na verdade, deveríamos agradecer pelo que tivemos, por aquilo que ainda é possível viver, por aquela pessoa que nos fez acordar um sentimento adormecido.
Estou fazendo uma faxina em minha alma. Estou limpando os pós deixados em minhas artérias e desentupindo-as de maneira a vir respirar melhor. Estou varrendo dos tapetes toda a sujeira que escondi para que você me receba sem entulhos passados. Não é por você. É por nós, é por mim.
Não quero desperdiçar o que sinto, isso seria egoísta e imprudente, então trato de espanar essa poeira também dos olhos, destampo os ouvidos e tento fazer música pra poder cantar pra gente depois.
Tudo isso pode parecer confuso, mas é um alento pra mim, conversar comigo. Mas no fundo, no fundo é bem um desbarato não fazer isso com você.
Embora sem a tua companhia..."um brinde aos dias que virão."

Beijo meu!



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