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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"ATÉ QUEM SABE, MEU AMOR, UM DIA EU VOLTO, CANTO CIRANDA NA VARANDA E SOLTO OS BEM-TE-VIS".


GALATÉIA






Sou quase louca, eu sei.
Corrijo minha alma
Tropeçando em meus calcanhares.
Ainda não aprendi a olhar para o peixe
E vê-lo peixe, apenas
Vejo-o mar, sal, azul e anzol
Não aprendi a entender que no país das maravilhas
Alguns homens são de lata...
Outros são covardes...
Outros nem tem cérebro...
E novamente me encantei por um sem coração
Sou mais Peter Pan que Sininho
Tenho medo de crescer e perceber que a fera da bela existe
Toda desenhada no meu anti-herói
Vivo tecendo um sudário a sua espera
E teço-o como Penélope durante o dia
Fingindo-me feliz diante de todos
À noite, desfaço o que teci em lágrimas e
Corajosamente espero o nascer do sol seguinte
Sigo minha sina como Rapunzel
Aprisionada na torre de um castelo
Que nem é meu.
Acordo sempre no escuro...
Como se ouvisse o sol chegando
Atrás da colina de sua aldeia 
Que ficou tatuada na minha retina
Sou a ingênua menina que levou a cesta de doces para a floresta
E se encantou pelo lobo mau que nunca faz seu serviço
Hoje o vento frio briga com as folhas
Do caminho que não mais transpasso
Mais uma Dorothy que perde passo, 
Não sei como atravessar essa de estrada de tijolos
Estou virando sertão
Talvez meu amor vire ódio
Como aconteceu com Helena em relação a Menelau
Talvez não
Talvez vire pedra... Medusa...
Feito Argos em sua nau
Que me venha um Páris
E me dê a paixão que você me nega
Que eu não me faça adormecida
E nem tão pouco esquecida
Que ele possua mais esperanças que dor
Que um dia, não muito longe
Afrodite me transforme em Galatéia
E você, depois de ser perdoado
Por tanta falta de coração,
Deixe de ser esse homem de lata
E seja meu Pigmalião...
... diante de Páris... é claro

E por que, não?

terça-feira, 23 de junho de 2015

A POESIA DA ALDEIA


                                                                     

_Tá vendo?
_Tô venu si sinhô
_Acha o quê?
_Que ela tá se rindo d'eu
_Rindo? Ela não ri
_Ela é o riso, então?
_Não...
_Maisi óia, mira bem naquela direção!
_Qual? Aquela que segue o rumo do meu braço?
_É.... e vai maisi adiante e, adiante o passo
_Por quê?
_Prumodiquê daqui a um cadim ela se esconde...
_Se esconde?
_Óia que tem dois zoinho brilhando perto do riso!!
_Você enxerga o vento?
_Enxergo e danço com ele, sim sinhô
_Delírio seu
_E vejo a terra com uma cor que transparece com o brilho do riso dela. Tá venu?
_Vejo...mas não como você desenha pra mim
_É que te faltam as lente
_Lentes?
_É... as lente da magia
_Você está se rindo de mim?
_Não sinhô...
_Tô catando a poesia que passeia em sua aldeia enquanto não raia o outro dia
_O dia nasce em qual direção?
_No contrário do que ela se ria. Nunca viu , não?
_Acho que dormia
_Eu bem sabia...
_Que eu dormia?
_Que de mim ela se ria, enquanto eu te mirava
_Quando o sol nascia?
_Não...quando eu não dormia e o teu suor eu peneirava.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

CHEGANDO AO FIM

                                         

Sei que não sou um sujeito simples
Logo, não exija de mim conjunções
Nem tão pouco que eu seja toda injunção
Não me queira advérbios cheios de modos
Pois sou adjetivos vários
Contra e a favor
Urso e cordeiro
Meu pretérito não é
E nunca será perfeito
E toda eu sou artigo indefinido
Numa oração em que o futuro
Tão presente
Se transforma em pedido
Ponha-se como complemento
Exija preposição aos meus elementos
E se narrativo...
Faça exposições
Seu nome,hoje, é vocativo
Amanhã poderá ser mais um verbo
No imperativo...
Basta!

terça-feira, 12 de maio de 2015

MAKTUB




Destino é quando a gente não desenha a vida e qualquer possibilidade é só o entorno.
Desencontro é quando o entorno não foi possibilidade e o destino esqueceu de nos desenhar.
Experiência é o nome que damos aos nossos erros.
Erros são descartáveis experiências que no permitimos passar.
Passar é verbo intransitivo.Passará.
Verbalizar é entrar em comunhão com o outro.
Calar é não ser capaz de externar o que  lhe pertence.
Poesia é um verso preso na garganta que sai feito trovão.
Saudade é quando a gente mata, assume e o morto demora pra morrer.
Morrer é quando a gente não sabe o que fazer com a respiração e a vida sopra pra um lugar que transita entre a calmaria e a agitação,prendendo suas retinas em pontos pretos e brancos no verde tecido pela folhagem.
Adeus é pros dias cinzas- como esse-.
E ...para sempre...
"Para sempre é sempre por um triz"

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