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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

CÁ ESTOU.


                                                                          
Depois de um certo inverno, acabei por me render aos trovões e chuvas internas. Decidi não me preocupar com que escrevo- no sentido de dispensar o que poderiam supor com a minha escrita algumas pessoas-.
Tantas coisas aconteceram nesse meu hiato. Tantos amigos se foram, tantos outros amores fracassaram, tantos apelaram por sobreviver e alguns alteraram suas rotas por diversão.
Tive dias difíceis, mas neles labuto, arduamente, travando uma competição comigo mesma e acabo vencendo o cansaço que a alma me obriga e  encontro assoalhos sobre a minha cabeça.
Não sei, ao certo, de que tecitura é feita a vida, vivo vivendo e me deixando viver. Nunca fui temerosa e não acredito em perdas, nunca, mas se alguém que joga comigo tira seu time de campo, não vejo sentido em manter o estádio aberto. Fecho tudo, vestiário, salas de exercícios, local para entrevista, banheiros. Fecho tudo e aguardo meu renascimento, mesmo que seja ele a fórceps. Fecho e pronto.
Fiquei assim comigo, inventei uma personagem pra lidar com o mundo externo e escrevi coisinhas em papel pautado, com lápis de ponta azul e dúvidas pessoais.
Fiz a descoberta dos meus afetos- afeto é mais leve- desfiz a escolha de meus amores, desmontei o armário de minhas divagações e tornei-me tão árida que quebrei a personagem com saudades de mim.
Cá estou. De volta. Nem inteira, nem pela metade..eu, apenas, com novas narrativas, novos livros na cabeceira, sonhos amontoados no travesseiro, músicas cantadas com mais intenção e buscas, muitas buscas e malas arrumadas pra mais uma aventura.
Estou voltando pra mim, mas com uma certa agitação que me mostra diferente, talvez. Com mais determinação, talvez, com menos ansiedade- acho-.
Durante esse tempo produzi um espetáculo de um amigo  e descobri quão virtual e imaginativa são, às vezes, nossas experiências. Descobri que sou  filha da romântica telenovela brasileira, pois fui criada assistindo a esses folhetins em que no final tudo dá certo. Tolice, pura tolice.
O texto do espetáculo é fantástico, a história é  mais fantástica ainda. Porém o que mais estimula meu cérebro são as várias possibilidades que existe atrás de um texto. Os múltiplos questionamentos que podemos fazer dentro e fora do tema. Amo a arte. Amo a arte pelo simples fato dela poder ativar em mim outras coisas, outros pensamentos e as sinceras possibilidades de unir pessoas no seu entorno.
Eu queria poder, sem ser piegas, falar sobre o que realmente quero, mas há uma coisa que trava a minha capacidade e deve ter sido isso que me deixou sem a dedicação que devemos ter ao escrever. Percebo o quanto estou perturbada. Que loucura!! Será que fabulei um "eu" que não domino? Será que depois de tanto tempo me coloquei travas? Isso não combina comigo. Definitivamente, não.Se uma desilusão nos leva ao cemitério, sejamos, então os próprios coveiros e levemos pra a cova esses seres que deverão estar encaixotados e que devem ser sepultados para sempre. Não há lugar para essa dor. Essa dor das ilusões não pode ter mais data por aqui. Isso é resquício de paixão de 2° classe. -estou tentando me convencer disso-.
Não acho que a vida tenha como seu contrário a morte. A única coisa que pode ser vista como tão grandiosa é o amor. Esse sentimento ao qual inventamos nomes para fugir do que nos ensinaram que vinha carregado com ele. Amor não é da ordem do "para sempre" e nem tem que causar no outro uma eterna responsabilidade... isso é adolescente demais.
Eu não tenho medo, nunca tive medo de falar de amor, ou do amor, ou de amar. Percebo que as pessoas estão com receio de falar disso. Temo que elas nem mesmo sejam capazes de saber o que é isso e acabam achando que só seja amor aquilo que causa barulho, que nos promove a capacidade de cometer loucuras ou que causa polemica, ou nos confunde. Não é isso, ou não é só isso, ou não seria tudo isso. Amor é aquela mansuetude de quando estamos sós, é quando, mesmo depois de tudo, secretamente encaixotado, o que fica são os momentos de olhares cheios de promessas- esse olhar é visto, nunca sabido por quem está prometendo-. O amor não pega carona com nada a não ser com ele mesmo. Não dissolve, não esfria, não deixa de ser, mesmo quando não é mais.
Descobri que não era amor quando não mais acordava com o outro em meu pensamento, descobri no momento em que a troca não existia. Descobri no instante em que me fez chorar. Descobri quando não mais me cobria. Descobri quando faltou o que é essencial...sensibilidade. Descobri - graças ao Deus que me governa- quando não era tarde. Descobri que não era , mas que ainda assim...arde.




















































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