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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

EM PAZ!

                                                 

                                                                                       

Poderia começar essa postagem de várias formas. Poderia nem começar,pois o que, de fato, quero escrever não farei.
Começo então agradecendo a quem me deu a oportunidade de fazer parte desse mundo, a quem me iluminou e ilumina e a quem me projetou como ser de esperança, pois sem minha mãe eu nada seria.
Hoje é dia de deletar coisas ruins. Faço uma limpeza interna na data do meu aniversário...retiro traças, limpo a poeira dos olhos e espano da alma a ilusão, mas a danada deixa vestígios que me seguem por todo o ano.
Ainda não aprendi a me desprender de tudo- humana que sou- , mas ontem e na madrugada de hoje me deu uma nostalgia de velhos amigos que não vejo mais, de antigos amores que já não beijo, de recentes e passageiras ilusões que me permito. Bateu doida e grande uma saudade dos que já foram....Lembrei de todos e mergulhei em lágrimas, talvez até pra disfarçar a real causa delas.
Estou envelhecendo e isso pra mim é uma dádiva, um presente, um ponto a mais na minha passagem terráquea. Estou envelhecendo e não vejo problema algum. Não passo por crise alguma. Não tive crise dos 30, dos 40 e,certamente não terei dos 50. Envelheço no tempo, mas sinto-me com 20 anos. Não com as inconsequências que a idade permitia, mas com a vivacidade e vontade que ela me dá.
Ontem um amigo me perguntou o que eu faria de novo se tivesse a chance de repetir minha vida e o que eu não faria... Falaria menos- acho-, mas não seria eu. Faria tudo de novo, mas gostaria de não ter dado um único beijo. Só de um me arrependo, só de um olhar me furtaria, só de um... Respondi e fiquei pensando que nada nos vem porcamente na vida. Para tudo tem que haver um objetivo, uma causa um...sei lá... "insinamento".
Pensei e penso que tenho as coisas mais preciosas do mundo e que o resto tem que ser conquistado por merecimento e, talvez, eu não mereça um amor desses de cinema, ou um pacto de eternidade. Não preciso de cara metade, pois sou inteira e não gosto de ser "merendinha" tenho fome e sede aos montes, logo não me satisfaço com petit pois, entende?
Estou meio desconexa....ressaca é terrível..., mas fica a postagem pra duas coisas. Para agradecer a todos que me felicitaram, e agradecer a cada um que ontem esteve comigo e ao Tempo que me permite estar aqui mais uma vez para agradecer.
Que São Francisco de Assis ilumine nossas vidas!
Que Oxum e Oxóssi reinem em meu caminho e que a vida me apresente pessoas que saibam entrar e sair da minha com a mesma leveza, para que eu não me sinta sozinha e transite em paz.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DESFECHO

Escrevi uma postagem hoje por volta das 11:00h da manhã. Estava tendo mais umas daquela s pre/ visões que me incomodam e antes de dar por fim aquilo que ainda arde em mim, postei quase que um pedido e o chamei de epílogo enquanto aguardava o desfecho que chegou por volta das 14:00h. Não sei descrever o que estou sentindo. Talvez, lá no fundo, eu já tivesse tanta certeza dessa repetição de situação que ela não me fez sofrer mais do que o próprio do momento pede. Já escrevi diversas vezes o quanto tenho preguiça de sofrer e o quanto preciso do encontro com alguém que, de fato, o queira.
Bem, vamos ao desfecho dessa inusitada performance, ou desse tênue encontro.
Assustou-me ver que você tomou coragem e levantou a mão para mim. Hoje, depois de muitos ensaios, eu sei.,encheu-se de coragem e com o braço erguido e a mão espalmada, cumpriu o gesto até o final. Foi um gesto tão abrupto e rápido que me deixou de quatro, caída no meio da sala, como quem perde tudo e se descobre um quase nada que tudo quase é.
Talvez eu tivesse ensaiado antes o ato, mas por covardia não o limpei, não o dimensionei até a cena final.
Marquei outro ensaio, tentei novo texto. Freei para saber se era o que queria, se era esse o cenário que cabia... mesmo sabendo que no dentro do outro já acontecia.
A mão erguida em um silêncio incomum, ardia em meu rosto e, embora a distância nos fosse certa, eu podia sentir a velocidade do soco que desenhara de longe o movimento que iria fazer. Tão previsível...
A crueldade do tempo foi  ter levado todos os nossos escritos. Perdi meu alimento tão diário e tão seu.
Duas vezes os perdi.
Uma vez os levaram.
Duas vezes me roubaram a calma.
Uma vez eu o traí em mim.
Você levantou a mão no minuto exato em que a minha mão esquerda defendia meu peito, enquanto a direita secava meus olhos.
Seu gesto último foi o de acenar pra mim aquilo que sacrifica a esperança dos amantes. Seu gesto foi, num último golpe, sangrar os olhos meus.
O que me resta senão devolver o gesto e a palavra, estender meus braços e retribuir, desarticulosamente, o "adeus"?!

Da série Senhorita.




EPÍLOGO

São muitas as coisas que quero postar. Não como uma espécie de diário de bordo ou uma escrita confessional, embora seja. O tempo, esse ser tão bonito, que nos direciona ao futuro e finca nossos pés no passado, tem o hábito de nos fazer perder na memória alguns instantes. Vivi dias de tanta sintonia no último fim de semana -que não foi esse último, mas o anterior- que preferi ficar com ele guardado. Porém, ontem, bateu-me uma vontade de falar sobre um instante que tive, tivemos, trocamos, enfim.
Na cama, você deitado e eu sentada, lia meus rabiscos para você. Você, todo repleto de questionamentos incabíveis ao momento que deveria ser de leveza, mas acho que dizer/ler o que queria fez-me entender um pouco mais do que ousamos ser. Abrir a porta pra que você entrasse foi o mesmo que abrir minha alma e ter meu corpo nu pra emprestar a você enquanto, na mesma nota, me entregava o seu. Naqueles instantes que tivemos, íntimos como cabe ao Deus que nos habita ,sem deformação, senti calado, lá dentro de meu mais sagrado, o tempo mais uma vez se esvaindo de mim...
Guardo cada instante da folia, da calma, do sonho dentro do sono e do sexo sem hora marcada. Guardo em mim e deixo vestígios por aqui desse tempo- que não passou- que está por aí na beira do rio ou no alto da pedra esperando um resgate pra depois do rock que se transferiu pra a terra do nunca e eu, Sininho, pude libertar por uns instantes seu Peter Pan.
Das noites que tivemos, dos amores que fizemos e do malte que brindamos fica o melhor de nós.
E se por acaso, esse mesmo tempo nos levar a perder a palvra, talvez por que um dos dois não mais queira, consiga ou possa, não permitamos que nossos olhres não mais se eternizem, nem que nosso colo não seja acalanto para o outro, deixa a vida olhar pra gente com o mesmo olhar de esperança, com a mesma certeza de que não estamos cumprindo um papel vil pra sociedade. Deixa apenas a gente ser o que estamos sendo. Cada um , um e os dois... nós, de quando em vez vivido a sós.
Se não for pedir muito...se o tempo, esse senhor que nos faz atravessar impossibilidades, nos passar uma rasteira e não nos conduzir mais ao reencontro, prometamos um ao outro que quando nos encontrarmos novamente, faremos aquele nosso silêncio absoluto e não precisaremos de nenhuma palavra, nenhuma, pra sabermos que no mar de meus olhos e no rio que lentamente corre nos teus, estarão a certeza de que no abraço que trocaremos, nossos corações juntos serão iguais como da última vez.
Que seja leve como o quarto 206.

Da série Senhorita.






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