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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

No Retiro da Figueira

"A lista de mortos da gente vai aumentando com o tempo..." Ouso parafrasear Elisa Lucinda depois que um vento frio bateu em minha face e me trouxe uma verdade que eu não esperava ouvir. Sei que a morte é algo certo e que não existe maneira de nos livrarmos dela, mas me surpreendo com algumas perdas, e essa é uma enorme para a literatura .
Embora formado em medicina, Moacyr Scliar, publicou mais de 70 livros, entre cronicas,contos,ensaios, romances e literatura infanto-juvenil. Recebeu três vezes o Prêmio Jabuti e ocupava a cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras.
Renovador profundo de nossa ficção,  produtor de uma narrativa que causa um certo estranhamento, cronista dedicado e dono de um estilo seco e preciso deixa uma enorme lacuna na nossa literatura nos tornando um pouco orfãos de ficcionais fantasias.

Deixo para vocês esse conto. Nele existe uma tensão entre o sólido e o insólito que vai se revelando no decorrer da narrativa. Preciso e com um toque de humor deixa-nos, ainda , a ironia final . Eu, por aqui, torço para que ele tenha encontrado o "Retiro da Figueira" pra onde quer que ele tenha transitado.



                                                 No Retiro da Figueira


                                                                        



         Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso. Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranqüilo, um dos últimos locais – dizia o anúncio – onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao condomínio: Retiro da Figueira.
         Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à cidade – e eram uns bons cinqüenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletrificada, das torres de vigia, dos holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas, homens fortes, decididos – mas amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser formado em alguma universidade”. De fato: no decorrer da conversa ele mencionou – mas de maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez aumentar o entusiasmo de minha mulher.
         Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança; trancas e porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém roubado e espancado; e quando uma amiga nossa foi violentada por dois marginais, minha mulher decidiu – tínhamos de mudar de bairro. Tínhamos de procurar um lugar seguro.
         Foi então que enfiaram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se morássemos num edifício mais seguro o portador daquela mensagem publicitária nunca teria chegado a nós, e, talvez... Mas isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher ficou encantada com o Retiro da Figueira. Meus filhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de ser promovido na firma. As coisas todas se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo enfiado sob a porta transformou-se – como dizia o texto – num novo estilo de vida.
         Não fomos os primeiros a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa, profissionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido pelo lugar por causa da segurança.
         Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quantidade limitada de pessoas. Na minha firma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção cuidadosa de futuros moradores – e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando tudo muito bom. Bom demais.
         Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da manhã começavam seu afinado concerto. Os pôneis eram mansos, as aléias ensaibradas estavam sempre limpas. A brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro lado, o sistema de alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa para ver se estava tudo bem – sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa particularmente interessada: organizava festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez uma lista dos parentes e amigos dos moradores – para qualquer emergência, explicou, com um sorriso tranqüilizador. O primeiro mês decorreu – tal como prometido no prospecto – num clima de sonho. De sonho, mesmo.
         Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham começado a cantar – soou a sirene de alarme. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um pouco assustados – um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao salão de festas, perto do lago. Quase todos ainda de roupão ou pijama.
         O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos sentar, ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da reunião: é que havia marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir que não saíssemos naquele domingo.
         – Afinal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as quadras de tênis...
          Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente contrariado.
         Contrariados ficaram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada. Reunimo-nos de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho. Sempre sorrindo, o chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não poderíamos sair – os marginais continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois assassinos foragidos. À pergunta de um irado cirurgião o chefe dos guardas respondeu que, mesmo de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam bloquear a estreita estrada do Retiro.
         – E vocês, por que não nos acompanham? – perguntou o cirurgião.
          – E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.
          Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de viaturas com homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas nós os víamos e reconhecíamos: o chefe dos guardas estava com a razão.
          Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns estavam até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando nada daquilo.
          Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.
          Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós – amedrontado, pareceu-me – e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.
          O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a porta aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e fez um sinal. Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião decolou e sumiu.
         Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo que estão gozando o dinheiro pago por nosso resgate. Uma quantia suficiente para construir dez condomínios iguais ao nosso – que eu, diga-se de passagem, sempre achei que era bom demais. 

                                                                                                   

                                                                                              MOACYR SCLIAR -                                                                                                23/03/1937
                                                                                                27/02/2011                               

                                

sábado, 26 de fevereiro de 2011

AUDIOTECA SAL E LUZ

                                                          



Divulgue, por favor!
Eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO!!!

Procure o site http://www.audioteca.org.br/catalogo.htm
, e veja os nomes dos livros falados disponiveis.

Caros amigos,
Venho por meio deste e-mail divulgar o trabalho maravilhoso que é realizado na Audioteca Sal e Luz e corre o risco de acabar.
A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos,que produz e empresta livros falados (audiolivros).
Mas o que seria isto?
São livros que alcançam cegos e deficientes visuais, (inclusive os com dificuldade de visão pela idade avançada) de forma totalmente gratuita.
Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas
corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3.

E agora, você está se perguntando: O que eu tenho a ver com isso?
É simples. Nos ajude divulgando. Se você conhece algum cego ou deficiente visual, fale do nosso trabalho. DIVULGUE!
Para ter acesso ao nosso acervo, basta se associar na nossa sede, que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125- Centro. RJ.
Não precisa ser morador do Rio de Janeiro.A outra opção, foi uma alternativa que se criou face a dificuldade de locomoção dos deficientes na nossa cidade. Eles podem
solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, e enviaremos gratuitamente pelos Correios.

A nossa maior preocupação reside no fato que, apesar do governo estar ajudando imensamente, é preciso apresentar resultados. Precisamos atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem o trabalho, se não ele irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da leitura. Só quem tem o prazer na leitura, sabe dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros...

Ajudem-nos, Divulguem!
Atenciosamente,

Christiane Blume - Audioteca Sal e Luz
Rua Primeiro de Março, 125- 7. Andar
Centro- RJ. CEP 20010-000
Fone:  (21) 2233-8007  (21) 2233-8007

Horário de atendimento: 08 às 16 horashttp://audioteca.org.br/noticias.htm

INSISTINDO: eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO

MUDANÇAS EM TUDO DE MIM

Oiê !!!
Estou pela minha planície neste weekend de fevereiro fazendo algumas mudanças internas e externas, e como escreveu um dia "meu marido" ..." Tô me guardando pra quando o carnaval chegar..." Comecei visitando amigos que não via há algum tempo e que me deram um esculacho quando viram o layout do meu blog..Argh !! Fico doida com a Rê !! Ela sabe tudo de tudo e decidiu mudar a cara do meu blog e disse que ele não timha personalidade etc,etc,etc...Ai está a nova cara dele e ainda estamos por aqui fazendo algumas modificações.
Devo confessar que gostei mais agora e que até estou tomando mais gosto pela "coisa", mas deixo claro que irei postar quando tiver algo que seja legal ou que esteja coçando para compartilhar com vocês. Não quero me fazer prisioneira e nem uma viciada em teclar. Acho bacana. Muito bacana quem consegue fazer de tudo um assunto novidadeiro, mas "quero fazer assim ,não." Bem o meu "baby blog" está ai pra gente ousar e poder se comunicar ...mas ...presta atenção...Se você for gente de perto podemos marcar um chopp ou um chá ou sei lá o que ,não acha ?? Gosto tanto de olho, mãos e de ver gente gesticulando quendo fala...
Mudando de assunto; assisti ao filme "Black Swan" e fiquei meio impactada com as cenas de automutilação representada pela atriz Natalie Portman...Chocante e desconcertante. Nada no filme é gratuito. Ele conta a história de uma menina que busca passar do limite da perfeição ,que tem a técnica como a coisa fundamental e com isso não se joga ao prazer, ao sentir ,ao pulsar da música e tudo que ela pode nos causar. Além disso, ou talvez por isso, ela seja uma moça por demais reprimida sexualmente e tratada como um bebê intocável pela mãe que é uma ex bailarina frustrada que não conseguiu progredir na carreira e fez a escolha de assumir uma gravidez e perder a chance que sua filha não deixará passar.A mãe a sufoca,lhe rouba a privacidade,controla e  a pressiona com um tratamento infantil.
O filme possui momentos de muita tensão ,competitividade e sensualidade. Embora a personagem seja reprimida ,ela se vê atraida por uma outra bailarina ( Lily, a sedutora / Cisne Negro) que não possui a técnica que ela ( Nina) tem ,mas dança e vive no limite da vontade e do prazer.
Existe uma disputa pelo papel principal do Lago dos Cisnes e Nina,segundo o diretor, é perfeita para interpretar o Cisne Branco, mas longe de ter a enterga , a sensualidade e avolúpia do Cisne Negro.Nessa saga há ,também, um outro fator que é a aposentadoria da primeira balarina que, por causa da idade será substituida....é o culto da juventude eterna que a nossa sociedade imputa. A platéia quer ver a jovialidade levitando e não a experiência que pode, certamente, flutuar.
A atitude do diretor beira a tirania. Ele tenta arrancar de qualquer jeito o Cisne Negro de dentro da frígida Nina. Ele a toca, a provoca, a seduz...Ela estremece, enlouquece e acaba tendo um orgasmo sonhando com uma outra bailarina- Lily-  depois de experimentar êxtase em uma boite...Será que foi sonho ou foi a maneira que o diretor (do filme) encontrou para fazer os caretas, os extremamentes pudicos a aceitar a cena  sem muita discussão ?? Por quê sonhar pode ,né?
Bem, há cenas lindas , profundas, teatrais e um emaranhado de coisas que poderiam ser discutidas...sexo, droga, autoridade materna, competição, medo, e principalmente, a revelação do que de fato é esse mundinho "cor de rosa" que suga tanto,que faz doer e chorar,que chega a ser violento e faz sangrar corações e pés.
O mundo do balé ,assim como do teatro, exige disciplina, horários, respiração,transpiração,inspiração e uma juventude eterna... que passa e deixa marcas que deveriam ser exploradas e não jogadas fora como se fosse vergonhoso continuar vivo.
Isso faz qualquer um enlouquecer e querer dar de si até o que não lhe foi dado ainda ...maturidade
O filme acaba me deixando sem saber o que na verdade era delírio e o que era real, mas devo confessar que jamais, jamais vi um Cisne Negro tão perfeito em sua evolução....
Isso me fez repensar coisas para serem mudadas em meu interior. Decidi jogar fora alguns entulhos de minha alma e voar.



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

PENSE E MUDE...SE PRECISO FOR...

 Ontem foi um dia daqueles !! De decepção... Sou a rainha nisso, mas não é isso que vem ao caso ou é também. O fato é que ainda ontem fui ao aniversário de uma amiga . A festa foi num bar da planície e este estava lotado. Fiquei observando as pessoas, suas atitudes, e a falta de atitude também. Estou meio cansada do que vejo acontecer nos botecos, no trabalho , onde as pessoas representam quase todo o tempo fazendo pose de grandes amigos....cansada com os mesmos sonhos que os outros não ousam realizar, cansada de ouvir reclamações tão iguais de gente que não faz esforço algum para reaprender a viver.
A noite (deles) foi regada a  muito álcool, tabaco e histeria. Exite uma histeria coletiva na pseudo alegria que me incomoda. Tudo é muito "surreal" e nada paupável... Estou querendo muito ,né? "Fica em casa,velha!!"- é isso que estão pensando.Talvez devesse fazer isso.Tenho, até, feito isso...Mas gosto de sair, trocar uma conversa bacana, mudar conceitos, e até de seduzir (se é que consigo fazer isso ainda....rsrrsrsr).
Bem ... pra finalizar este "post" , que na verdade deveria vir como desabafo,  fica uma postagem que Jane, sem saber, me deixou como forma de um "Você é capaz e é a melhor nas tentativas, por isso já é vencedora!! "
Quero pensar, apenas , que minha vontade será capaz de me levar a vencer, e a do outro que tenta me derrubar o faz, cada vez mais , sem perceber, afundar.



Realizações nossas...

                         



"Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro.
Ame seu ofício com todo o coração.
Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido, nem um grande canalha.
Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro.
Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro.
Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.
E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham porque são incapazes de sonhar.
E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.
Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e uma elite não chega a viver como homens.
Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: " seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito ". É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso.
Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro.
Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.
Não use Rider, não dê férias a seus pés.
Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem
a dizer: 'eu não disse?? 'eu sabia!!'
Chega dos poetas não publicados! Empresários de mesa de bar.
Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.
Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam.
Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão."
     Carpie Diem

                                                                                                Das Preta.

CONVERSA PRIVADA II

                   


                                                                      


Estou me aventurando em um novo exercício. O "x" da questão são as mais inúmeras possibilidades de escrita, versos, pausas e imagens que me são apresentadas diariamente.
Quero falar do cotidiano.Do meu ,do teu ,dos deles e talvez dos nossos.Talvez ...é talvez.Temos problemas e atitudes e gestos e pensamentos parecidos, mas iguais ...sei lá,acho que não acredito.Acredito que pessoas sejam como beijos...únicos e etéreos.
Quando penso nesses espasmos de minha loucura e das emoções de Fernanda que saltam do papel em prosa e em verso,em delírios e revelações me pego escrevendo outro começo e minha conversa fica cada vez mais privada.
É preciso muita precisão para a arte da literatura,principalmente quando esta será exposta,doada,trocada,falada na espera de brindes,aplausos,críticas e fofocas.
Ato de coragem o nosso.Desprendimento performático do ser. Busca estranha de nós no olhar do outro e uma agonia danada pra "nus" fazer entender.



Beijo meu e um "ensaio" do que poderá ser.




Conversa privada


Palavras privadas
Dividem minha sina
Sou mulher sim
Elástica
Hemorrágica
Viril...
Procuro meu Salvador
Nas cinzas das horas
E sem demora
Tocarei o pulso teu
Para sentir o sangue neve
de tuas veias
Teia da vida
Arranco do meu dentro
O que me deixa exposta
Retalhada em postas
Com essa palavra "desejo"
Nesse banheiro infecto
Olhando pro resto que
me deixaste
Mirando essa covardia
de bosta.

                                                                Das Preta.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

INSTANTE POÉTICO

Faz-se necessário respirar um pouco de poesia...
Divido com você um tantinho do meu ar...



LEILÃO

Quem penterá meus cabelos e
Fará em meus pés massagens
Circulares
Quando fadigada e embriagada
Sair do banho de madrugada?
Quem arremedará minhas idéias
Quando desestimulada
Faltam-me sobre o papel
As palavras?
Quem cobrirá de flores
Meu colchão
Quando eu reclamar falta de romance
E cumplicidade?
Quem fará reformas em meu porão                
Para eu não mais me assombrar com
futuras partidas?
Quem de voz rouca e firme
Soprará em meus ouvidos
Canções, próprias, de ninar?
Quem quando quiser fazer amor
Me chamará para brincar?
Quem ao gozar
Pra mim
Sorrirá comigo?
Haverá na terra algum
Homem
Ou apenas outro bandido?

DAS PRETA.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

CANTEI,CANTEI...

Estou cá no meu quarto , com a TV ligada , quando de repente escuto o "Bobão", o dono do "domingão", anunciando ninguém mais que meu adorável... Cauby Peixoto!! Dono de uma voz indicutivelmente maravilhosa e intérprete de primeiríssima linguagem,canta Conceição e Bastidores.., Deus como sou feliz de saber que tive a oportunidade de ouvir esse ser. Ainda bem pequena  pedia pra que tocassem suas músicas e a de tantos outros. Nessa época eu não sabia que o intérprete não era o "dono" da canção... que importância tinha? Ele era o dono das voz ... E que voz!! Quanta emoção vem desse universo. Universo,sim... ele é um universo de versos e diversos sons. Escutá-lo deveria ser disciplina escolar, pois talvez os alunos pudessem aprender como interpretar um texto.Nascido em Niterói há 80 anos ele se tornou o primeiro popstar do Brasil e o maior cantor da era do rádio.O cantor/ator/intérprete está comemorando os 60 anos de sua primeira gravação em disco. E, pelo visto, ele parece ter ainda, muito pano pra manga. Cauby está preparando uma caixa com 3 CDs para comemorar 60 anos de música e ainda se apresenta , toda segunda feira , no Bar Brahma desde 2004.
Há coisas na vida que deveriam ser obrigatórias. Uma delas é o aprender a ouvir boa música e não essas canções tão ridículas que por ai são escutadas e que nem nos dá chance de abrir qualquer espaço para discussão.
Lamentável ver uma geração que  nunca escutou Cauby, Dolores, Lupcínio, Dalva, Herivelton,
Cartola e tantos outros.Nem messmo os mais contemporâneos são escutados. Tem jovens que nunca escutaram Zizi , Roberta , Baleiro , Lenine e tantos outros.
Penso que a educação não ocorre apenas nas salas de aula ,mas também fora desse espaço.Quando
isso não é possível cabe ao professor fazer essa ponte e apresentar aos alunos um outro tipo de música que não seja, apenas, aquelas executadas nas rádios de nosso país.O problema é que os professores, e arrisco-me a dizer, em sua maioria, também não escutam boa música, não leem bons livros,não exercítam essas outras tramas da educação.
Sei que sou compulsiva em algumas coisas.Vou ao Rio constantemente e não me canso de ir ao cinema, ao teatro e shows.Vou e vou sempre.Muitas vezes consigo cortesia, graças ao meu fazer teatral, mas outras tantas pago. (Sou professor,logo, pago meia ) Alimento minha alma de poesia, textos em prosa, peças de teatro e música, muita música e , sinceramente, gostaria que cada um se alimentasse um pouco desse néctar também.


Dias musicais para nós.
Carpe Diem.

 http://sombrasilchico.4shar...

SHY MOON


O que escreverei não é novidadeiro a ninguém. Amo Atafona. Amo e ponto. Nada me parece tão humano, lúdico e perfeito. Lá é minha "Costa do Saupi"(rsrrsr), minha casa recreio, meu retiro e reencontro.
Esta mulher deve ser anormal -pensam vocês- e eu nem ligo... Gostaria que vocês tivessem assistido ontem por volta das 19:30 ou 20:00h ao espetáculo que mais uma vez a natureza nos presenteou que é ver a lua nascer lá na ponta de Atafona... Linda!! Redonda e tão amarela e molhada que emocionava aos insignificantes passantes que somos. Tudo em perfeita ordem e harmonia... um pouco tímida foi ela , aos poucos, se mostrando, descortinando o véu que a cobria e indecentemente escandalizando.
Esse foi o meu melhor presente do final de semana. Ver a lua tão brilhante pelas minhas lentes e pelas lentes das amigas que comigo estavam respirando de-va-gar e temendo que nossas presenças atrapalhassem o ato final daquela apresentação e ,creiam, ela parecia agradecer aos nossos aplausos.
Que toda a semana seja de luar e de lindas noites e ensolarados dias.

De presente uma letra e a tradução dessa que foi minha canção um dia.




Shy Moon Caetano Veloso


Shy moon, hiding in the haze
I can see your white face
Hope you can hear my tune, shy moon
Why didn't you stop her
Don't you know I suffer?
And you'll watch me cry soon, shy moon
Glow through the pollution
Find me a solution
I'll wait on the high dune
Shy moon


Shy Moon (tradução)
Tímida Lua


Tímida lua, escondida numa nuvem de poeira.
Eu posso ver sua face branca
Espero que você possa ouvir minha musica, acanhada lua.
Por que não pode detê-la


Você não sabe que eu sofro?
E você vai me assistir chorar daqui a pouco, tímida lua.
Brilhe por entre a poluição
Encontre para mim, a solução.


Eu esperarei no alto de uma duna, tímida lua.
Brilhe através da poluição
Encontre para mim a solução
Eu esperarei no alto de uma duna, tímida lua.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Conversa Privada

Com previsão de estrear quando estiver pronto, Conversa Privada surgiu inspirada nos meus poemas, nos de Fernanda Hunguenin e nossas interpretações sobre a vida, amor, redescoberta...sobre o cotidiano enfim. Fala sobre as razões e emoções que  tudo isso desencadeia ,sendo norteado com humor e reflexão. Não pensamos em crise comportamental de uma geração que pouco respira poesia e que se enforca no mundo globalizado, onde o ter é melhor e maior que o construir, onde o ter significa mais que o se conhecer e se perde na questão do amar-se(r). O que pensamos foi em cerzir um tipo de "retalhos de resgates" dos afetos humanos.Tentar unir ,com  uma dosagem de lirismo, nossas tantas palavras,que muitas vezes são adolescentes,outras experientes e tantas outras inventadas e dar acessibilidade aos nossos pensamentos ,misturando doçura e sofrimento, fundindo sonhos e realidades rompendo a barreira do "politicamente correto" no fazer experimental.
A ideia é de oportunizar ao público uma maneira de rever conceitos através de um exercício coerente, provocante ,leve e carregado de respiração, risos e olhares  ...
 Uma ousadia pública de sentidos , palavras ,risos ,achados e perdidos privados que vivenciamos e muitas vezes deletamos.
Conversa Privada é,ou será,a minha maneira (ou a nossa) de não silenciar o grito e deixar a prosa poética "nus" inundar.



                                                                              Das Preta.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Camisa de Força

Esta é uma postagem não de uma especialista em educação,mas de uma professora  preocupada com as novas directrizes que são apontadas nesse âmbito,é a reflexão de uma professora concursada de 40 h, com um salário achatado e vários desejos esperando oportunidades de se concretizarem,apaixonada por literatura e artes de maneira geral.
Preocupa-me saber dessas novas metas para a educação do meu estado e o quanto de mal estar elas irão causar.
Sou uma sonhadora, eu sei, mas não posso acreditar que professor algum consiga fazer o milagre da conscientização (por parte dos alunos) e torná-los de um instante para o outro em seres interessadíssimos e assíduos.
Afinal quem será avaliado nessa nova era do velha "Nova Escola?" Quantas vezes mais seremos enrolados nesse emaranhado do nada e até onde manteremos essa postura do "pior sem ele?"
Algumas pessoas devem estar pensando que estou ficando louca...vou explicar em que contexto estou dissertando...
No dia 07/01/2011 foi publicado um decreto para o ano letivo de 2011 que será ,ou melhor,é o IDERJ - Índice de Desenvolvimento Escolar do RJ que será uma das formas de avaliar os professores para definir o valor do bônus que receberão ao fim do ano letivo.Essas provas serão feitas pelos alunos,os mesmos que vieram da "era" passagem automática,os mesmos que sonham ,em sua maioria ,em ser pagodeiro ,jogador de futebol ,entrar para o BBB e outras futilidades mais...os mesmos que ,em sua maioria, passam metade do dia em frente ao computador trocando mensagens nada educativas e/ou culturais,os mesmos que os pais ,em sua maioria,não acompanham o seu curso escolar.... Ai eu pergunto ; Avaliar o quê? Por meio do resultado obtido é que será avaliado o professor? Gostaria que o inventor dessa fórmula me explicasse como que se ensina a quem não quer aprender e mais ,que ele me respondesse quantos anos ele esteve em sala de aula para criar ou melhor repetir uma prática usada pelo governo dos "Garotinhos" e que foi tão criticada?
Para que tenhamos algo de verdadeiro em nossas escolas,para que tenhamos,a longo prazo,algum real resultado,faz-se necessário trazer as famílias para as escolas,para que ela esteja envolvida e comprometida na preparação de seus filhos criando neles um aspecto de responsabilidade que deve ,pode e tem que ser cobrado e fazendo-os entender que a educação é complementada na escola ,mas deve ser impulsionada naquilo que a sociedade identifica como lar.
Na verdade a única preocupação do governo é reverter a ocupação de penúltimo lugar em que o Estado do Rio ficou na última avaliação do IDEB.Acho louvável que corramos atrás desse prejuízo e trabalhemos mais e que nos dediquemos mais,mas deixo claro desde já que nenhum dos decretos aumenta o salário do professor da Rede Estadual de Educação. O bônus será dado de acordo com os resultados de cada escola e os aposentados não terão direito a esse benefício.
O Auxílio qualificação para professores é outro item que me afligiu...- "no primeiro semestre de 2011 , os professores que estiverem em sala de aula receberão um cartão pré-pago, no valor de R$500,00, para serem utilizados em bens pedagógicos - culturais." Licenciados e aposentados-Queimem!!
A pergunta (outra) que não me quer calar é ... Que critério foi esse?? Então o professor que não está em sala de aula não lê, não vai ao teatro, cinema, show ou a qualquer outra manifestação artística? Isso é o que eu chamo de Aparthaid Cultural !!
E a última é sobre o conceito de defasagem e a redução dos indíces de repetência...Tudo se repete e fica claro que teremos a tão ridícula aprovação automática.Sim, pensa comigo, já há uma grande pressão por parte dos alunos, e mesmo por parte da administração de algumas escolas para que haja um baixo número de alunos reprovados.Sendo assim continuaremos "fazendo de conta" para que tenhamos o bônus que faz um deserviço à educação ...E  haja camisa de força para cada um de nós.

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