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segunda-feira, 19 de março de 2012

PENSA QUE SOU FÁCIL?? SOU NÃO.../ DA SÉRIE ELE É MILITAR

                                                                                 

Dentro de mim tem um rio. Dentro do rio tem o quê? Sou assim...feita de água e resistência, mas às vezes acabo sucumbindo as paixões. Choro um tanto, choro todo dia-  é que faz parte de meu exercício - rio de mim e de quem foge de mim e me vou atravessando a vida colecionando mais um retrato em branco e preto, como diria "meu marido" Chico, o Buarque mesmo. E faço isso cantando, acredite.
Nunca tive medo da vida nem do que ela me ofece em troca do mundo que lhe dou que é minha respiração, mas encontro uma gente covarde pelo meu caminho que nem sei porque me encanto por elas. Vou me deixando levar pelas minhas pulsações e posso garantir que faço isso sem medo. O problema é que sempre que fazemos isso, algum idiota faz julgamentos de valores distantes demais do que pensamos ou do que sentimos ou do que somos.
O que me incomoda é a capacidade que eles têm de nos recolher, temporariamente, a nossa delicadeza, o nosso colorido e as nossas tentações. Eles, em suas obstruções sentimentais e temores ridículos, sabe Deus de que, vão tolindo nossa naturalidade...nem ligo, pois vou morrer de meus excessos e não de minhas contenções.
Vivo me encantando, mas aviso aos encantadores que isso pode durar anos luz como pode terminar com um gesto de indiferença.
Não vou jejuar meus sentimentos, não vou reter minha vontade de gozar, não vou deitar sozinha comigo mesma tendo na mente reflexos do que não vivi por medo ou porque dizem que quando nos jogamos estamos agindo como adolescentes. Não tenho o menor problema em sentir como se fosse adolescente. Nunca tive necessidade de matar a florida mocinha que ainda reverbera seu riso em mim. Vou transitar pelo mundo com minha criança, minha adolescente, minha mulher, minha amante e tudo mais que existir em mim. E daí, isso faz alguém superior a mim? Isso torna um ser mais contido ser mais feliz??? Vou agindo de acordo com a minha vibração. Já dizia Martha Medeiros- Está na hora de reconhecermos que entusiasmo não é coisa de adolescente: é coisa de gente grande. Vou além: é coisa de gente velha, inclusive. Coisa de adolescente é depender de ajuda financeira dos pais, passar a madrugada bebendo cerveja nas calçadas, andar sempre em turma. E até isso não é propriedade privada deles. Mas entusiasmo, vibração, paixonite? Que insistência tola a nossa ao afirmar, cada vez que vivemos algo novo e excitante, que estamos em surto de adolescência. Isso sim é falta de maturidade. Os maduros de verdade sabem que estão sujeitos a vibrações aos 30, aos 40, aos 60 anos. Alguém está morto aí? Se estiver, não responda que tenho medo de fantasma. 
Não responda mesmo. Pegue sua pistola- aquela que não usou comigo- e deixe-a em algum lugar que você esqueça e não se sinta inseguro sem ela. Brinque um pouco, meu bem, deixe que o adolecente que fica doido pra saltar do teu peito me carregue pela mão, ou se não for a minha, que pegue a mão de alguém, mas não transforme a vida em um quartel, em um exercício sem variação,em uma busca pelo nada.
O que me encanta é o olhar primeiro. Esse é lindo, esse é o olhar que não sabe das coisas senão do desejo, da possibilidade, do entusiasmo. Mas se a gente distrai...ele se esvai rapidamente deixando no olhar do outro uma saudade do que não foi e que poderia ter sido.
Talvez os seres que se encontram num dia jamais se esbarrem de novo. Eu chamo isso de escolha e assumo, não foi a minha.
Deixo o texto que li e ,que se parece com tudo do que podia ser, pra me despedir de quem fui com você nas últimas semanas.

Tenho que inaugurar pra mim um jeito novo. Eu falo muito, eu sei disso, mas é só porque ainda não achei minha forma. Quando isto acontecer, vou ficar contida e poderosa, cheia de força como uma nuvem preta expedidora de raio. Santo é assim, não é?…
Quero o que se deve querer, já que, conforme o mandamento, somos todos chamados à perfeição: é por isso, é por estrito senso de dever que eu quero o mais custoso. Gosto de coisa boa. Me incomoda pensar que pode ser o capeta que tá me confundindo, enchendo a minha cabeça com esta precisão de distinguir, em vez de me dar folga pra viver sem complicação que, pra mim, é o seguinte: comer sem fazer jejum. Amar sem fazer jejum. Ter licença de abrir o coração pra quem eu quiser. Abrir o coração, bem explicado: amar sem jejum de sentimento. Isto implica o esforço natural e necessário de conseguir manter o amor: um decotezinho mais brejeiro, batom Anaconda de brilho, um puxadinho de nada de lápis crayon no cantinho dos olhos, fazer aquela cara que eu sei fazer, pondo minha alma todinha num certo modo de baixar e levantar os olhos, primeiro oblíquo, depois directo. Porque eu gosto da humanidade, em particular da representação masculina da humanidade. É muito divertido comerciar com os homens, estimulante como nenhuma outra coisa é. Eles ficam encantadores, querendo pegar a gente em falso. Isso o homem comum. Imagine os santos! Fico em estado de loucura, tentação tentada. Tem coisas que eu faço bem. Posso fazê-las mesmo? Tudo é de Deus, menos o pecado. Você que me escuta e tem coração maldoso, ri pra dentro pensando que eu sou fácil. Não sou…


(Adélia Prado fragmento do livro 'Solte os Cachorros')

Tomara eu me encantar novamente. Isso me rejuvenece...rsrrsrsrs!

segunda-feira, 12 de março de 2012

SEM PALAVRAS

Estou sem inspiração certa. Tudo que escrever será repetitivo e ninguém merece.
Acordei às 4:20 da matina e, por incrível que pareça, só consegui dormir graças a ajuda de um remédinho mágico que não foi tão mágico assim...
Vasculhei gavetas, me fiz de detetive e consegui uma comunicação comigo mesma. Nessas minhas andanças internas escutei música e li textos.
"O que será que dá dentro da gente que não devia???"
 Sem muitas palavras, um pouco daquilo que mais gostei de ouvir... meu carnaval interno.
                                                                                     

domingo, 11 de março de 2012

DA SÉRIE "ELE É MILITAR."

                                                                                                                                                         
Aprendi, com o tempo, a manter minha guarda. Não é covardia, é defesa. Já escrevi algumas vezes que tenho preguiça de sofrer, mas isso não significa que não sofra.
Estava distraida sendo levada pelas mãos do destino, como me deixo sempre, tecendo minha liberdade e bordando mais um fio de vida nas tramas do meu dia, ou melhlor, da minha noite, quando me deixei ser penetrada por um olhar que me deixaria encantada... Nada demais. Nada demais se a pessoa em questão não fosse eu. Nada demais se eu conseguisse, uma vez na vida, ser um ser que não se envolve, que não fantasiasse as mais simples atitudes. Nada demais se eu não fosse tão intensa, mas sou e até gosto de mim assim...Não sei  lidar com frivolidades e nem acho "natural" esse rodízio de relacionamento que as pessoas exercitam. O corpo do outro, a alma do outro não é laboratório de pesquisa. Não somos ratos expostos para experiência, para sermos engordados ou para sermos colocados em estado de inanição de amor e alimentados por migalhas, restos de sentimentos. Porra!!não somos.
Sei que um encontro de uma semana nem é relação, mas é um ensaio que pode levar a uma grande estreia, mas a maioria chega na quinta pagina do texto e desiste da leitura, pois percebe que não se trata de uma comédia apenas. No texto chamado "vida" há variações de estilos e gêneros e não estar ciente disso é egoísmo fecundo e individualismo primitivo.
Assusto as pessoas, eu sei. Não consigo fazer a linha "mulherzinha", aquela que fica repetindo- amor, meu bem, fofo, filho,nem, namorado e faz aquelas carinhas que "pelamordedeus" não dá nem para descrever-. Sou daquela que seduz, que gosta do jogo, que faz planos para o futuro porque a lentidão do tempo permite, que pega na mão e fala, olhando nos olhos- eu quero você, vamos?- com tamanha certeza e doçura que penso, eu, que não tem como o outro me achar leviana por isso ou me achar vulgar quando sou transparente, quando dou a ele a grata surpresa de me saber inteira. Os homens temem quem sente de verdade, quem não tem problemas em dizer "eu te amo". Os homens acham que eu te amo é pacto, que eu te amo é para sempre. Nada é para sempre, nem o ódio, nem a fome, nem a sede, nem essa minha aceleração, nem a saudade que sinto agora e me faz despejar essas palavras na tela. Nada é pra sempre e, daqui a pouco, nem mais sua imagem existirá em minha memória, mas deixo claro...esssa foi uma decisão tua que tem um medo doido de se entregar. Também o que eu queria? Com tanta gente no mundo me encantei por um militar...

quinta-feira, 8 de março de 2012

MULHERÍSSIMAS QUE SOMOS

                                                                                   
Lenta, muito lenta e com um sono de tirar qualquer um do prumo.
Nunca gostei muito de pontuar datas, mas não escrever sobre esse dia seria uma falha enorme e eu mesma me cobraria depois.
Nascemos, nós mulheres, com uma espécie de radar que não funciona algumas vezes por nossa própria sabotagem. Escrevo isso para dar partida a algo que ronda minha mente por esses dias que é a vantagem de ser mulher, ou melhor, as vantagens. Algumas delas é o fato de não broxarmos, de termos certeza de que o filho gerado é nosso, de usarmos salto alto sem perder a pose, de conseguir, com olhos rasos d'água ,convecer o outro daquilo que nem sequer acreditamos só para provar a nós mesmas a nossa astucia. Ser mulher é algo que transita entre o trágico e o mágico, somos campeãs em dramalhões e rimos depois que fazemos uma cena, somos adoravelmente ternas e só não nos fazemos eternas para aqueles que teimam em passar pela nossa vida de forma rasa e covarde.
Não há no mundo um ser que caminhe com tanta leveza e certeza, com tanta ousadia e temor, com tanto sonho e determinação. Somos uma infinidade de coisas e sentimentos e, é exatamente isso que nos torna especiais - as possibilidades de sermos um monte de coisas e sermos femininas até como frentista de posto de gasolina.
Na dança que o mundo nos impõe passamos valsantes e sem perder o rítmo. Damos peito ao filho como alimento e amamentamos de prazer , no mesmo peito, o nosso eleito. Temos peito para isso, fique sabendo.
Nada nos impede de virarmos o pescoço demonstrando um descaso que nem existe, somos dissimuladas com  intuito de sermos meio que desligadas...puras armas de sedução.
Tantas coisas somos, tantas histórias tecemos que neste dia dado a nós devemos festejar as mulheres que trazemos na alma: a santa, a puta, a doida, a menina, a bruxa, a bailarina, a poeta , a faxineira, a amante, a médica e aquela que para sempre nos levará guiada pelas suas mãos... a sonhadora.

quarta-feira, 7 de março de 2012

DAS ESCOLHAS

Aprendi, com o tempo,a ler coisas nas pessoas que elas não revelariam por vontade ou por desconhecer nelas algumas atitudes. Na maioria das vezes sei quando a pessoa está dissimulando e tentando fazer o outro acreditar que ela é vítima. Sou desconfiada. Desconfio muito de todos e , certamente, todos desconfiam muito de mim.Não acho que seja injusto ser assim. Não acho que seja defeito. É defesa mesmo e pronto.
Estou me defendendo, talvez esteja errando, talvez esteja me precipitando, mas digo sempre e repito- tenho uma preguiça enorme de sofrer- então antes que essa probalidade vire estatística, dou um pulo para a outra margem e atravesso qualquer espécie de purgatório futuro.
Ando me permitindo pouco ultimamente. Ando me divertindo mais exatamente por isso. Tornei meu estágio de ser ímpar algo prazeroso e fico arisca quando alguém me tenta remover dele. Não ignoro minha condição e nem considero que seja tranquilo me manter assim, mas convenhamos que dá menos trabalho ficar só.Tem gente que parece ostra, de tanto que fica envolvida por ela mesma. Gosto de ostra, mas dá muito trabalho para comer e eu tô querendo algo menos complicadinho, entende?
Estava assim...só- aliás, estou só- até que um olhar me perseguiu numa noite dessas me encontrando naqueles dias de guarda, com um humor que não era o meu e completamente ensimesmada diante de várias situações que aconteciam no ambiente. Fui grossa, mas abri mão de minhas rasas convicções e dei uma trégua ao moçoilo enviando para ele meu número de celular. Passei dois dias de sublimação, joguei fora todas as minhas armas e me distraí das coisas todas que não me são essenciais, inclusive o medo de me envolver, mas o que é mera distração? O que é essencial? Que segredos há no dia que acorda que não nos poupa de mais uma ilusão?
Vivi dois dia mágicos, mas uma falta, uma jogada mal pensada é cartão vermelho para mim. Estou com medo de estar equivocada, mas podem me pedir tudo menos que eu não erre.
Detesto descaso, distração bestial, ou falta de cuidado. Detesto esperar e, é por isso que não teço espectativas de nada.
Sei que não me compete escolher a duração das coisas, mas a profundidade de cada uma delas é que me fazem encontrar as minhas escolhas e, se posso escolher, escolho o que seja muito porque "pouco pra mim é tão pouco e pouco eu não quero mais."

                                                                     

terça-feira, 6 de março de 2012

YES, WE CAN !!!!

Ando tão à flor da pele que até um latido me faz chorar. Há dias que estou assim... pensando bem há mêses que estou assim- em todos os sentidos. Estou me saindo mais manhosa do que criança cujo o pirulito lhe foi roubado. Choro por tudo e por todos e inclusive por mim -"obóvio"-.
Não escreverei  como de praxe, pois a postagem já vem pronta de um site que acabei de ler. Estava pensando se devo ou não prestar um outro concurso e no meio desse pensamento me sabotando um pouco, pra variar. Tenho essa ridícula capacidade de me sentir inferior e quando estou com a sensibilidade aflorada é bem pior.
Mas a porrada veio em forma de sacode, de superação, de desejo e fé me deixando claro mais uma vez que tudo está sobre o nosso comando e manutenção.

Jovem com Síndrome de Down passa em universidade federal de GO

Kallil Assis conseguiu passar no vestibular da Universidade Federal de Goiás. A faculdade de Geografia fica em Jataí, no interior do estado.

Kallil chegou com a irmã para o primeiro dia de aula e no caminho já encontrou amigos. Em sala, da primeira fila, acompanhou a apresentação dos professores do curso de Geografia.
A faixa de parabéns ainda está na porta da casa da família desde o dia em que saiu a lista dos aprovados da Universidade Federal de Goiás. Teve até festa para comemorar essa conquista. “Valeu a pena o apoio que a gente deu para ele. É uma superação, porque muitas pessoas ainda têm preconceito com a Síndrome de Down”, diz a irmã do garoto.
Na infância, Kallil estudou apenas dois anos em uma escola especial. Depois os pais decidiram que ele iria frequentar um colégio que oferece ensino regular. Lá, Kallil aprendeu não só a ler e a escrever. Foi frequentando a escola e se relacionando com outros estudantes, que ele decidiu dar um passo importante na vida de muita gente: ir para a universidade.
“Isso é um exemplo para a sociedade em geral começar a observar essas pessoas de uma forma diferente. O mercado de trabalho tem que pensar nessas pessoas como pessoas ativas, que elas conseguem ter sua condição de sobrevivência”, acredita Márcio Freitas, ex-professor de Kallil.
O maior orgulho da família é que ele concorreu de igual para igual, não teve uma correção diferenciada, um procedimento comum para candidatos com necessidade especial.
A família torce para que outros portadores da Síndrome de Down sigam o mesmo caminho. “A gente gostaria que não a imagem do Kallil, mas a situação servisse para contribuir com os outros pais que vivem a mesma situação. Para que eles possam acreditar em seus filhos, investir em seus filhos”, diz Eunice Tavares, mãe de Kallil.

Com livros achados no lixo, catadora passa em vestibular no ES

Ercília foi proibida de estudar pelo pai, mas superou as dificuldades.
Ela foi aprovada no curso de Artes Plásticas, na Ufes.


"Obrigado Deus por esse presente, pela luta e por mais essa conquista". Essas foram as palavras escritas pela catadora de lixo Ercília Stanciany, de 41 anos, que foi aprovada no último vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), para o curso de Artes Plásticas. Apesar de ter interrompido os estudos na infância após terminar a 4ª série do ensino fundamental, depois de adulta, ela continuou a estudar pelos livros que encontrava no lixo.
A família de Ercília residia em Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas há oito anos se mudou para o Espírito Santo. Foi nessa época que ela, sem alternativas para ajudar a sustentar a casa, resolveu ganhar a vida catando materiais recicláveis.
Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Meu pai dizia que eu nunca seria nada"
Ercília Stanciany, catadora de lixo aprovada na Ufes
Ela explicou que o pai a obrigou a parar de ir à escola quando criança para ajudá-lo na marcenaria que trabalhava. "Meu pai falava que de forma alguma eu iria estudar e ainda dizia que eu nunca seria nada na vida", disse.
Livros no lixoNo lixo, ela encontrou muitos livros e um cartaz que anunciava um curso para jovens e adultos em escolas públicas. Ercília se matriculou e, apesar das dificuldades para ir às aulas, se formou no ensino médio.

Uma conquista seguiu a outra, já que no último vestibular da Ufes a catadora foi aprovada no curso de Artes Plásticas. "Quando fui assinar minha matrícula eu tremia. Saí de lá emocionada. Cheguei no ponto de ônibus e perdi até a noção de como chegar em casa", contou.
Sobre arte, Ercília é familiarizada e, desde jovem, desenvolve o talento de fazer pinturas em tecido. Sem dúvidas, a maior arte que sabe fazer é transformar a dificuldade em motivação.

segunda-feira, 5 de março de 2012

DA FESTA DA CARNE








                                                                           

Essa é minha primeira postagem pós carnaval. Tanto já me aconteceu de lá para cá que daria um livro.
Como de costume passei meus dias de "festa da carne" no Rio - cidade que , na minha opinião, tem um carnaval mais verdadeiro. Claro que vi coisas maravilhosas, que sai em blocos nostalgicos, que vi gente mijando na rua, que me embriaguei de saudades e que , felizmente, conheci um monte de gente nova, mas nenhum Pierrot que tirasse essa Colombina do escuro... Fazer o que, ne?
Assisti aqueles desfiles de "um tudo", como dizia a minha vó, com o olhar voltado para a infância onde a chegada do carnaval era aos poucos e as pessoas se vestiam de mascarados sujos com muita clareza nos olhos. Nos rádios tocavam marchinhas e muito samba enredo que eram acompanhados pela felicidade sem tamanho de minha mãe. Ela brilhava com aquelas estrelinhas em volta dos olhos e um vidro de lança perfume nas mãos que lançava nos pescoços dos outros e, vez por outra tombava meio tonta em algum lugar. Eu me ria inteira, enfeitava com qualquer coisa minha cabeça e rezava pra crescer e poder ir aos bailes noturnos nos clubes de minha Sucupira.
Existia uma magia que não vejo mais. Não vejo faz é tempo, mas não queria assumir, não queria perder a festa interior que causa em mim essa brincadeira. Hoje o carnaval é um jogo narcisista, individualista e competitivo. As moçoilas de família vendem a alma para exibirem seus corpões sarados a base de muita bomba e esquecem dos confetes e serpentinas.
Parafraseando Jabor, o carnaval deixou de ser vivido para ser olhado. Isso é verdade, pois nem música de carnaval toca mais - o que ainda encontro em alguns blocos do Rio, graças a Nossa Senhora do Carnaval.
Carnaval sempre foi sexo, não dá pra disfarçar, mas havia uma certa inibição no ar, uma certa fantasia para compor as alas e não perder o enredo, uma determinada harmonia pra não desafinar, saca?
Hoje tá tudo perdido, o carnaval desglamorizado e eu pelas ladeiras tentando ser a essência do carnaval, pode?
Mas valeu. Não dá pra se ter todos os sonhos realizados, mas realizei um. Desfilei na minha escola querida. Vi Cacique de Ramos e a Mangueira num só coração, vi beleza pulsando em todos os cantos da Sapucaí e, vi meus olhos voltados pra minha bandeira branca me fazendo entender que a vida é a arte e que ela existe porque a vida precisa de arremedos pra despertar nossa dança interior.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

PRONTO, CONFESSEI!!

Há dias em que as palavras parecem fugir de mim. Nada que eu tente escrever parece ter sentido. Nada tem , realmente, muito sentido. Hoje é um desses dias em que a cabeça gira, gira, gira e os pensamentos, desencadeados, fazem uma questão incrível de ficar no mesmo lugar. Escutei algumas músicas, tentei me concentrar em uma leitura, mas hoje é um daqueles dias de "sem assunto", sem vontade, sem explicação. Tentei até sala de  bate papo e nada, apenas um vazio construido em mim por mim. Confesso..."tôcumasoudade" que dói. Como é difícil não poder manter um diálogo, como é difícil estabelecer um luto- e luto muito pra manter-, como é difícil acordar, no meio da noite, tremendo de suor, de tesão, de certeza de que você nunca mais virá- pelo menos nessa encarnação- pra mim.
Existe coisa mais dorida no mundo que não poder ter o outro? Não saber em que dimensão o outro se encontra? Não esquecer o outro? Não se saber quem é você se o outro e se encontrat perdida quando encontrada?
Hoje é um dia daqueles... em que se deve rir de si mesmo, porque alguém o fará. Dia pra se arrumar a casa interna, fazer uma faxina nas artérias, tentar da cor a alma e retirar o mar dos olhos de uma só vez.
Nada vai trazer de volta o que já foi estabelecido como fim. Embora eu ache que tudo seja eterno e que eterno seja por um triz. Não há nada pior que esse mundo de palavras vagas que estou usando pra simplismente dizer que é utópico e doentio, mas ainda te amo.

"A sua lembrança me dói tanto                                              
Eu canto pra ver
Se espanto esse mal
Mas só sei dizer
Um verso banal
Fala em você
Canta você
É sempre igual
Sobrou desse nosso desencontro
Um conto de amor
Sem ponto final
Retrato sem cor
Jogado aos meus pés
E saudades fúteis
Saudades frágeis
Meros papéis
Não sei se você ainda é a mesma
Ou se cortou os cabelos
Rasgou o que é meu
Se ainda tem saudades
E sofre como eu
Ou tudo já passou
Já tem um novo amor
Já me esqueceu"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ó PÁTRIA ARMADA, EM CORRUPÇÃO ATADA, SALVE-SE! SALVE-SE

Quando cheguei à escola hoje, encontrei um baile de carnaval.Ótima ideia, se os alunos tivessem paixão por essa festa como eu tenho.
Vi pelo pátio professores dispostos, tentando (depois de ter trabalhado em sala de aula, LIED e etc a origem do carnaval) estabelecer um contato com eles que não fosse "assim você me mata" ou um "chão, chão,chão..." Difícil, muito difícil. Restou-me então umas leituras de emails que surpreendentemente fariam-alguns- jus a situação.
Um deles é o desabafo de um professor que depois de ser intimidado pela mãe de uma adolescente de 17 anos, turista e mimada- pra não dizer ignorante, mau caráter e mais outras coisitas mais- decidiu pedir exoneração do estado e em seu email ele deixa esse trecho que achei imprescindível para nossa leitura.

                                                                

Fica cristalina a visão de que, neste país:

Ø NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES

Ø NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO

Ø AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM

Alguns exemplos atuais:

· Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela “Academia Brasileira de Letras"...

· Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da “Comissão de Educação e Cultura do Congresso"...

TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.

Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um “ACT” ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00… Moral da história: Os professores ganham pouco, porque “só servem para nos ensinar coisas inúteis” como: ler, escrever, pensar,formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc....

SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:

Ø Educação Física: Futebol;

Ø Música: Sertaneja, Pagode, Axé;

Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento

das "Celebridades"

Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão;

Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;

Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;

Ø Português e Literatura: ?... Para quê ?...

Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.

Está bom assim? ... eu quero mais!...

ESSE É O NOSSO BRASIL ...

Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil)

Ø BOPE - R$ 2.260,00....................... para ........ Arriscar a vida;

Ø Bombeiro - R$ 960,00.....................para ........ Salvar vidas;

Ø Professor - R$ 728,00.....................para ........ Preparar para a vida;

Ø Médico - R$ 1.260,00......................para ........ Manter a vida;

E o Deputado Federal?.....R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus “bajuladores” apaniguados naquela manobrinha conhecida do “por fora vazenildo”!).

IMPORTANTE:

Faça parte dessa “corrente patriótica” um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse “sono egoísta” as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas “fofas” poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasília, acorda Brasil !...


P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos. Infelizmente é o mínimo que, no momento, podemos fazer, mas já é o bastante para o Brasil conhecer essa "pouca vergonha". As próximas eleições estão chegando!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ME POUPE

                                                                                     
Poderia escrever sobre várias coisas que aconteceram no fim de semana. Poderia escrever como me quieta  a alma ver a tristeza de um amigo, como o tempo é severo com as nossas frustrações ou, simplismente, escrever sobre a travessia de mais uma estrela do mundo pop que, arruinada pelas drogas, também chegou ao fim. Sim escrevo sobre a dona de uma das vozes mais marcantes de minha juventude: Whitney Houston. Já foi e, se não escrevi linha alguma a respeito do suicídio de Amy Winehouse, também não o farei com a passagem anunciada da protagonista de "O Guarda Costas".
Fico pensando o quanto deve ser vazia a vida dessa gente que possui tanto do que sempre quis e não sabe o que fazer com tudo isso. Faça trabalho voluntário!! Assuma uma capina, grite, chore, brigue, mas "pelamordedeus", não brinque de se aplicar, não tente ultrapassar seus limites na questão "drogas", pois na maioria das vezes não há limites.
Deve ser difícil ser simples e feliz, né? Já pensou se as duas celebridades citadas acima tivessem que acordar todos os dia às 6:00 da manhã para enfrentar uma sala de aula com quarenta alunos que não querem aprender e, em troca receber uma ninharia e ser taxada, veementemente, pelo governo, de incopetente e, ainda por cima não ter como se defender disso , pois não é pessoal e sim coletivo o tal julgamento?
Fico doida quando vejo gente de talento disperdiçando seu tempo com frivolidades, com fugas para dentro -são as piores- que te levam para estar diante de você mesmo e, aí, como é insuportável se descobrir, surtam e querem mais daquilo que,com o tempo, as tornarão menos.
Sempre tive sonhos parecidos com os de Marilyn Moroe, Amy, Whitney e tantas outras "divas doidas" . Adorava cantar e interpretar, brincava de teatro desde menina sem saber o que era isso, usava escova de cabelo como microfone e fazia grandes shows pelas calçadas de minha rua. Não me tornei celebridade,mas não sou um perdido na noite suja, não me droguei por não ser global ou Hollywoodiana, amei mais que devia e fiquei só, mas não sozinha, entende? Construí castelos possíveis de serem habitados e fiz daquele cara que foi cruxificado meu maior aliado.
Talvez seja essa a diferença: eu busquei alguém ou alguma coisa para , realmente acreditar e, em momento algum imaginei que pudesse caminhar sozinha. Sou profissional na função "vida" e digo sempre que não há recompensa para os amadores, esses estão fadados ao desespero e vez ou outra se embriagam demais, tomam bola demais e se afogam numa banheira de tristeza...
Pode-se migrar do chão para o alto, é só saber se reerguer com coragem , bom humor e fé.- que é a crença de que tudo pode, deve e será melhor, basta desejar.
Sei que tem gente que vai achar que sou "Polyanna" demais... me poupe!

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