quinta-feira, 12 de abril de 2012
DAS PERDAS E DOS GANHOS / DA SÉRIE ELE É MILITAR
Escrever não é um ato puramente descompromissado. Escrever requer aprofundameto, distanciamento e um pouco de inspiração, penso.
Ontem tive uma noite atípica, envolvida de energias espirituais e rezas fortes. Tenho um pacto com minha ancestralidade e acho incrível quando ela me convida para um encontro em que tudo fica mais leve e mais claro dando ao tempo um intervalo para o aproveitamento de sabedorias milenares.
Tenho passado por surpresas, como toda gente, e me decepcionado um pouco, com muita gente, mas isso faz parte da caminhada. Jamais desisto de alguma coisa , jamais acredito que não mereço o que desejo, jamais escondo meus sentimentos e isso me torna uma escritora mais vulnerável e ,certamente, menos sábia, mas me deixar ser eu, me permite olhar para o outro com a delicadeza de quem não está no mundo para situações mal resolvidas, para eternos enganos...para medos camuflados. Vim ao mundo para acontecer, para brilhar, para amar, para doer. Vim ao mundo para ser presenteada por um novo dia e reconhecer isso.
Dias desses li, não sei onde, que escrever é um silêncio, logo, o que escrevo é o que ,ainda, não ousei falar. O que escrevo é meu silêncio e meu ar, é meu compromisso comigo e meu grito gráfico pra chamar minha própria atenção e me tentar renovar.
Ontem, enquanto buscava essa renovação, tomei banho de ervas, acendi velas, fiz promessas e me aproximei do Deus que habita em mim, me fiz inteira e corajosa pra escrever no dia a dia a história que eu estou traçando pra mim, pois no final, nada é um encontro entre mim e você e sim uma volta do que eu sou pro que tenho sede de conquistar.
Te perder , hoje, nem dói mais.
terça-feira, 10 de abril de 2012
"TUDO NOS FALTA QUANDO NOS FALTAMOS"
Não gosto de enviar email postando correntes,mas esse é bem interessante,nos faz refletir sobre fatos do dia a dia,sobre nós mesmos e nossas atitudes perante os obstáculos que a vida nos proporciona.... Aproveito, então, para escrever um pouquinho a respeito de minhas escolhas. Escrevo, na verdade, pra mim, pra eu poder me entender e me perdoar, pois tenho uma mania terrível de me culpar pelos meus arroubos juvenis na idade da loba (rsrrrs).
Passo sempre por situações em que fico me repetindo;" Papai do Céu me livrou de alguma", mas será que é sempre assim? Será que não pode existir uma certa conspiração , ou mesmo um erro nosso, lá na ancestralidade que faz com que estejamos sempre na postura das perdas? Não sou um ser fácil, sei disso, mas não consigo entender uma série de fatos repetidos em minha vida, não consigo entender a rapidez de minhas relações quando isso não me é opcional.Talvez a minha originalidade amedronte as pessoas (me senti como um carro alegórico com essa frase...rsrrsr) Talvez eu não tenha,nessa existência, o papel de ser par de alguém, mas às vezes viajar sozinha é cansativo, ir ao cinema também e até o momento de exercitar a fé fica árido sem alguém para trocar os hinos de louvor, entende?? É ruim também não ter alguém para o sexo quando o amor pede sombra, e não ter alguém para o amor quendo o sexo quer descansar e não ter os dois quando um só basta e é tanto que o pouco faz alvoroço.
Tudo isso é pra dizer que não vou por ai cortando minha cruz ou fazendo uma contrução mais leve dela. Vou carregando por cada caminho, vou deixando marcas em meus ombros e rosto e mãos ,mas preciso dizer que tem me feito muitos calos e quando isso acontece, um barulho interno me cala a alma e, é sinal de que tudo, tudo, tudo que nos deveria ser leve...pesa.
Vou seguindo atravessando meu caminho como quem nem teme a vida e conhece a possibilidade infinita que há na vontade de te encontrar, mas deixo claro que nunca, nunca me falto e isso é que deve incomodar.
PS: A mensagem recebida apresentava um rapaz carregando uma cruz. Durante o percurso ele vai cortando a cruz para torná-la mais leve, mas ele se depara com um penhasco e para atravessa-lo deveria usar a cruz, como ele já havia cortado demais não teve como usá-la como ponte.
Conclusão: Nada nesta vida é por acaso !
Muitas vezes, queremos nos livrar da "cruz" que nos é dada,
mas para tudo tem um 'para quê' e um 'por quê'...
Deus nunca nos manda algo que não possamos suportar...
E se formos abreviar estes caminhos, certamente teremos problemas !
Não é preciso dizer MAIS NADA!
Muitas vezes, queremos nos livrar da "cruz" que nos é dada,
mas para tudo tem um 'para quê' e um 'por quê'...
Deus nunca nos manda algo que não possamos suportar...
E se formos abreviar estes caminhos, certamente teremos problemas !
Não é preciso dizer MAIS NADA!
quarta-feira, 4 de abril de 2012
VIVER É PRA SER LEVE / DA SÉRIE ILHA GRANDE
Sempre que retorno de algum tipo de viagem - mesmo as internas- tenho vontade de escrever. Não foi diferente com essa minha última aventura, pois voltei de Ilha Grande com uma vontade de versar sobre as mais diversas coisas que vi, senti e mergulhei por lá.
Serei mais econômica em minhas palavras ou, ao menos, ensaiarei essa possibilidade. De todos os mergulhos que fiz o mais genial foi o que me deixou náufraga de mim, foi aquele que consegui, sozinha, me transportar, foi o mergulho da alma que me deu a chance de uma vez mais conversar com Deus. Muitos foram os momentos de tamanha emoção em que eu, corajosamente, chorei. É estranho não perceber isso nas pessoas. Há uma certa necessidade de só ver beleza no óbvio e não prestar atenção no silêncio. Há um silêncio que impera quando estamos em comunhão com nós mesmos. Nesse instante queria fotografar o impossivel que é a minha veia aorta, minha retina dilatada, minhas lágrimas e meus gestos simples.
Fiquei comovida com cada singelo detalhe, com a gratuidade da natureza, com a leveza de uma gente que se manifesta no olhar e com o olhar, com meu encontro comigo que tenho essa mania absurda de perder de mim e retornar meio despedaçada, mas- confesso- na Ilha foi diferente, lá eu tive a chance de pegar a minha menina pela mão e levá-la pra onde ela nunca deveria ter saido ,que é de dentro de mim mesma. Quando amo, crio uma espécie de roteiro e acabo tecendo mais espectativas do que realmente existe no outro em relação amim. Torno o amor feio , pois quero quase que industrializá-lo, sabe? Refiz várias vezes meu labirinto, tornei-me mais forte para poder fraquejar, segurei impulsos, ri, sorri , chorei e redescobri a adolescente que fica tímida quando a mulher que agora habita meu corpo tem a ousadia de querer embassá-la... Então, nessa hora, deixo a minha voz interna repetir: Viver é pra ser leve, viver é pra ser leve....e vou me deixando levitar, mesmo com o mundo caindo sobre mim. Vou me deixando mergulhar, mesmo sem conseguir, vou me deixando respirar, mesmo quando dói.
segunda-feira, 26 de março de 2012
TÃO EROS...TÃO PSIQUE
Acordei com uma sensação estranha de vazio, de coisa perdida, de vontade de poder olhar pro olho do outro e perguntar: e agora, como ficamos, o que nos aconteceu?
Todo esse silêncio me faz um mal doido e eu que não sei conviver com as inquietudes de minha alma.
Quando estou assim, fogem-me as palavras, então faço das alheias as minhas próprias.
Posto pra vocês um trecho que recebi. Fica como uma reflexão do que foi, para poder dar sentido a essa minha insistência de amor.Ou não.
"Que seja eterno enquanto dure".
"Vale, então, compreender melhor os tipos de amor e, nesse compreender, ampliar o olhar, expandir a consciência, permitir-se experimentar cada momento, cada movimento do sentimento.
Eros, o amor paixão. O amor que cega, que nos faz surdos e mudos. Tira-nos a razão, enlouquece, ao mesmo tempo em que nos torna poetas, enamorados, bobos "alegres", amantes, amados. Faz-nos tensos, inseguros, certos e errados. Tira-nos o foco, a respiração, a cor. Somos com o outro. Moremos sem ele. Vida e Morte. Fogo e Emoção.
Philia, o amor amizade. O amor companheiro de todas as horas. O amor que nos faz poder contar com outro a todo e qualquer momento. O amor que nos faz cúmplices, íntimos, amigos. O amor que nos faz engraçados. Rimos com o outro, aprendemos com ele, sabemos como agradar e deixamos claro como queremos ser agradados. Somos dois, unidos e separados, tudo ao mesmo tempo.
Ágape, o amor incondicional. O amor que tudo compreende. Tudo aceita. Tudo constrói. Um amor que de tão imenso, extrapola a vida a dois e é compartilhado com todos os que estão à volta. Aqui cabem todos: companheiro, filhos, amigos, familiares, outros... Aqui, o que conta é a espiritualidade, o amor maior, o dom supremo. Estar com o outro, nesse momento, nos completa. Expande o "ser".
Bem, posto isso, qual o impacto na relação? No casamento? Fica aqui o convite à reflexão. Em toda a relação, o que acontece é um movimento circular. Andamos de um amor para o outro tipo de amor, em todas as direções. É como se pudéssemos ora estar em eros, ora em ágape, ora em philia, depois em eros, depois em philia e assim por diante.
Se conseguirmos compreender o amor nessa dimensão, estaremos prontos para conquistar e ser seduzidos em diferentes momentos, na vida a dois.
Acreditem, o amor se transforma a todo o tempo. E, como todo sentimento, é também movimento. Pode, por isso, encantar a cada nova estação. Pode, por isso, recomeçar a cada nova estação.
É claro que vale sempre reforçar. Será sempre diferente. Evoluímos, crescemos, somos, também, diferentes a cada vez que inspiramos e expiramos. Renovamo-nos a cada respiração e, assim, também é o amor."
sexta-feira, 23 de março de 2012
MEU OLHAR PARA MIM
Ontem recebi um telefonema que me fêz pensar no quanto o que escrevemos nos revela. Sou trasparente, eu sei, transparente demais, também sei. Vou deixando essa marca em tudo e em todos por quem eu passo. Estou meio esquisita, sofrendo uma mudança de dentro pra fora e de fora pra dentro, como diz a canção. Deve ser para afinar meu instrumento alma que anda tão cansado de repetir eternas canções.
Acordei em estado de prece. Rezo muito, sempre e com exercício da fé. Agradeço, peço- sou igual a todo mundo- discuto e reclamo do que poderia ser diferente e no final rio de Deus e pra Deus que sou eu, entende?
Somos tão infinitamente unos que isso me faz pensar que quando carrego esses olhos marejados de saudades, desleixo ou aflição é porque somos reais em nossa existência.
Tenho mania de me sabotar. Preciso parar com isso, gente! Vou construindo um montão de coisas no meu caminho que só me distanciam de uma linha final, mas penso que, lá no fundo, não quero chegar a lugar algum, que quero apenas trilhar mais uma aventura divina de mim para mim.
Tenho chorado, todos os dia, como de praxe. Choro por tudo e por nada. Chorar é minha espécie de missa, de reencontro, de exercício, de concentração...sei lá. Talvez lá no meu depois do meu mais profundo tenha medo de perder a sensibilidade, de me tornar automática, carnal, óbvia e prática demais. Tenho medo dessa gente que diz por exemplo que sexo é uma necessiade física, apenas. Discordo e grito que a prática desse ato me deixa leve por semanas, mas que se não tiver sentimento, pra mim, não tem sentido. Gosto de fazer amor sem conteção, sem pensar no desconforto que pode causar depois do durante, sem ter vontade de sair correndo de mim, pois estarei comigo pra sempre e até depois que esse meu "eu" passe pela terra.
Hoje estou com uma vontade maluca de sentar embaixo de uma árvore na beira mar, livro nas mãos e olhos ora lá ora por lá e fazer o mundo se acalmar...Tô com vontade de ser Deus (rrsrsr) pra converter algumas coisas e me perdoar dos pecados sãos que cometo. Isso me faz chorar. Essa fome que tenho de vida,essa sede que tenho de amor e eesa vontade de beber dos teus olhos e teu silêncio e de poder em teu corpo descansar.
terça-feira, 20 de março de 2012
PRA BOI DORMIR/ DASÉRIE ELE É MILITAR
Na semana passada, depois de uma noite febril entre amantes, arrumei minha necessaire e parti para o Rio. Sempre que pressinto o fim quando não estou preparada para ele, fujo. Na fuga encontro pedaços de mim soltos no ar, saudades fáceis e um encontro ali outro acolá. Precisava ficar comigo, precisava de um ar de menos ironia, precisava chorar longe daqui, onde a vida nos brinda com outro sentido.
Atravessei uma tarde inteira em uma livraria no bairro de Botafogo. Livraria no Rio é especialmente sedutora e te incentiva a leitura de livros que não temos muitas possibilidades de comprar. Enquanto lia, relia minha vida e tentava passar a limpo um tempo que vai por dentro de mim e que foi ontem.
Procuro sábias palavras para uma decisão que se apresentava tomada. Detesto despedidas, detesto que me imponham algo que não ensaiei para viver, não entendo muito de rejeição e fico com o nervo exposto quando o outro me trata assim. não consigo entender, sobretudo, quando elegantemente ele diz- o problema não é com você, é comigo- Perguntei nada... e lá vem a desculpa pior do mundo para o que é óbvio... Pessoas se interessam em tempos diferentes. Só com o tempo é que elas entendem como funciona a mente, a libido, a educação e o transe do outro. Quando estamos apaixonados é diferente de encantados que é diferente de ecxitados ,que é diferente de eufórico.
Eu estava encantada e ele parecia estar assim também, mas de um dia pro outro as coisas pareciam sair do eixo, talvez por saber-se partindo, talvez por ter sido apenas aquilo, talvez por nada. Mas a partida do outro, de um tempo diferente do nosso, é assassinato. Não , não é assalto. Nos pega de assalto e nos desestabiliza, pois nas relações tudo é imprevisível.
Hoje vou me acostumando com a ausência do outro. Uma ausência tão repetitiva, tão igual, tão cheia de desculpas. A dor de dentro é ruim, mas a física é dilacerante, "corta como um aço de navaia". Sinto falta dos abraços,dos beijos demorados, das mãos dadas, do corpo ocupando o mesmo lugar no universo, da descoberta de que isso é possível quando dentro um do outro. Sinto falta dos dedos, dos olhos, do olhar ,do riso e de da voz que descansava palavras e músicas em meus ouvidos. Sinto falta de mim.
Olho para trás, pra distância que poucos dias causam e percebo que me despedi de mim e não de você. Arrematei o nosso encontro num pacto que é muito perigoso, pois estamos desconfiados demais do mundo e isso torna o outro individualista e só.
Há um tempo para tudo. Para o encontro e para o atropelo. Não acredito que seja de tudo assim , mas no todo não há pior explicação pro que não aconteceu do que assumir uma culpa do que não é pecado, pois não estar para o outro - disponível de amor- como ele está pra você é tão provavél e aceitável quanto ignorar. O resto é conversa pra boi dormir.
segunda-feira, 19 de março de 2012
PENSA QUE SOU FÁCIL?? SOU NÃO.../ DA SÉRIE ELE É MILITAR
Dentro de mim tem um rio. Dentro do rio tem o quê? Sou assim...feita de água e resistência, mas às vezes acabo sucumbindo as paixões. Choro um tanto, choro todo dia- é que faz parte de meu exercício - rio de mim e de quem foge de mim e me vou atravessando a vida colecionando mais um retrato em branco e preto, como diria "meu marido" Chico, o Buarque mesmo. E faço isso cantando, acredite.
Nunca tive medo da vida nem do que ela me ofece em troca do mundo que lhe dou que é minha respiração, mas encontro uma gente covarde pelo meu caminho que nem sei porque me encanto por elas. Vou me deixando levar pelas minhas pulsações e posso garantir que faço isso sem medo. O problema é que sempre que fazemos isso, algum idiota faz julgamentos de valores distantes demais do que pensamos ou do que sentimos ou do que somos.
O que me incomoda é a capacidade que eles têm de nos recolher, temporariamente, a nossa delicadeza, o nosso colorido e as nossas tentações. Eles, em suas obstruções sentimentais e temores ridículos, sabe Deus de que, vão tolindo nossa naturalidade...nem ligo, pois vou morrer de meus excessos e não de minhas contenções.
Vivo me encantando, mas aviso aos encantadores que isso pode durar anos luz como pode terminar com um gesto de indiferença.
Não vou jejuar meus sentimentos, não vou reter minha vontade de gozar, não vou deitar sozinha comigo mesma tendo na mente reflexos do que não vivi por medo ou porque dizem que quando nos jogamos estamos agindo como adolescentes. Não tenho o menor problema em sentir como se fosse adolescente. Nunca tive necessidade de matar a florida mocinha que ainda reverbera seu riso em mim. Vou transitar pelo mundo com minha criança, minha adolescente, minha mulher, minha amante e tudo mais que existir em mim. E daí, isso faz alguém superior a mim? Isso torna um ser mais contido ser mais feliz??? Vou agindo de acordo com a minha vibração. Já dizia Martha Medeiros- Está na hora de reconhecermos que entusiasmo não é coisa de adolescente: é coisa de gente grande. Vou além: é coisa de gente velha, inclusive. Coisa de adolescente é depender de ajuda financeira dos pais, passar a madrugada bebendo cerveja nas calçadas, andar sempre em turma. E até isso não é propriedade privada deles. Mas entusiasmo, vibração, paixonite? Que insistência tola a nossa ao afirmar, cada vez que vivemos algo novo e excitante, que estamos em surto de adolescência. Isso sim é falta de maturidade. Os maduros de verdade sabem que estão sujeitos a vibrações aos 30, aos 40, aos 60 anos. Alguém está morto aí? Se estiver, não responda que tenho medo de fantasma.
Não responda mesmo. Pegue sua pistola- aquela que não usou comigo- e deixe-a em algum lugar que você esqueça e não se sinta inseguro sem ela. Brinque um pouco, meu bem, deixe que o adolecente que fica doido pra saltar do teu peito me carregue pela mão, ou se não for a minha, que pegue a mão de alguém, mas não transforme a vida em um quartel, em um exercício sem variação,em uma busca pelo nada.
O que me encanta é o olhar primeiro. Esse é lindo, esse é o olhar que não sabe das coisas senão do desejo, da possibilidade, do entusiasmo. Mas se a gente distrai...ele se esvai rapidamente deixando no olhar do outro uma saudade do que não foi e que poderia ter sido.
Talvez os seres que se encontram num dia jamais se esbarrem de novo. Eu chamo isso de escolha e assumo, não foi a minha.
Deixo o texto que li e ,que se parece com tudo do que podia ser, pra me despedir de quem fui com você nas últimas semanas.
Tenho que inaugurar pra mim um jeito novo. Eu falo muito, eu sei disso, mas é só porque ainda não achei minha forma. Quando isto acontecer, vou ficar contida e poderosa, cheia de força como uma nuvem preta expedidora de raio. Santo é assim, não é?…
Quero o que se deve querer, já que, conforme o mandamento, somos todos chamados à perfeição: é por isso, é por estrito senso de dever que eu quero o mais custoso. Gosto de coisa boa. Me incomoda pensar que pode ser o capeta que tá me confundindo, enchendo a minha cabeça com esta precisão de distinguir, em vez de me dar folga pra viver sem complicação que, pra mim, é o seguinte: comer sem fazer jejum. Amar sem fazer jejum. Ter licença de abrir o coração pra quem eu quiser. Abrir o coração, bem explicado: amar sem jejum de sentimento. Isto implica o esforço natural e necessário de conseguir manter o amor: um decotezinho mais brejeiro, batom Anaconda de brilho, um puxadinho de nada de lápis crayon no cantinho dos olhos, fazer aquela cara que eu sei fazer, pondo minha alma todinha num certo modo de baixar e levantar os olhos, primeiro oblíquo, depois directo. Porque eu gosto da humanidade, em particular da representação masculina da humanidade. É muito divertido comerciar com os homens, estimulante como nenhuma outra coisa é. Eles ficam encantadores, querendo pegar a gente em falso. Isso o homem comum. Imagine os santos! Fico em estado de loucura, tentação tentada. Tem coisas que eu faço bem. Posso fazê-las mesmo? Tudo é de Deus, menos o pecado. Você que me escuta e tem coração maldoso, ri pra dentro pensando que eu sou fácil. Não sou…
(Adélia Prado fragmento do livro 'Solte os Cachorros')
Tomara eu me encantar novamente. Isso me rejuvenece...rsrrsrsrs!
segunda-feira, 12 de março de 2012
SEM PALAVRAS
Estou sem inspiração certa. Tudo que escrever será repetitivo e ninguém merece.
Acordei às 4:20 da matina e, por incrível que pareça, só consegui dormir graças a ajuda de um remédinho mágico que não foi tão mágico assim...
Vasculhei gavetas, me fiz de detetive e consegui uma comunicação comigo mesma. Nessas minhas andanças internas escutei música e li textos.
"O que será que dá dentro da gente que não devia???"
Sem muitas palavras, um pouco daquilo que mais gostei de ouvir... meu carnaval interno.
Acordei às 4:20 da matina e, por incrível que pareça, só consegui dormir graças a ajuda de um remédinho mágico que não foi tão mágico assim...
Vasculhei gavetas, me fiz de detetive e consegui uma comunicação comigo mesma. Nessas minhas andanças internas escutei música e li textos.
"O que será que dá dentro da gente que não devia???"
Sem muitas palavras, um pouco daquilo que mais gostei de ouvir... meu carnaval interno.
domingo, 11 de março de 2012
DA SÉRIE "ELE É MILITAR."
Aprendi, com o tempo, a manter minha guarda. Não é covardia, é defesa. Já escrevi algumas vezes que tenho preguiça de sofrer, mas isso não significa que não sofra.
Estava distraida sendo levada pelas mãos do destino, como me deixo sempre, tecendo minha liberdade e bordando mais um fio de vida nas tramas do meu dia, ou melhlor, da minha noite, quando me deixei ser penetrada por um olhar que me deixaria encantada... Nada demais. Nada demais se a pessoa em questão não fosse eu. Nada demais se eu conseguisse, uma vez na vida, ser um ser que não se envolve, que não fantasiasse as mais simples atitudes. Nada demais se eu não fosse tão intensa, mas sou e até gosto de mim assim...Não sei lidar com frivolidades e nem acho "natural" esse rodízio de relacionamento que as pessoas exercitam. O corpo do outro, a alma do outro não é laboratório de pesquisa. Não somos ratos expostos para experiência, para sermos engordados ou para sermos colocados em estado de inanição de amor e alimentados por migalhas, restos de sentimentos. Porra!!não somos.
Sei que um encontro de uma semana nem é relação, mas é um ensaio que pode levar a uma grande estreia, mas a maioria chega na quinta pagina do texto e desiste da leitura, pois percebe que não se trata de uma comédia apenas. No texto chamado "vida" há variações de estilos e gêneros e não estar ciente disso é egoísmo fecundo e individualismo primitivo.
Assusto as pessoas, eu sei. Não consigo fazer a linha "mulherzinha", aquela que fica repetindo- amor, meu bem, fofo, filho,nem, namorado e faz aquelas carinhas que "pelamordedeus" não dá nem para descrever-. Sou daquela que seduz, que gosta do jogo, que faz planos para o futuro porque a lentidão do tempo permite, que pega na mão e fala, olhando nos olhos- eu quero você, vamos?- com tamanha certeza e doçura que penso, eu, que não tem como o outro me achar leviana por isso ou me achar vulgar quando sou transparente, quando dou a ele a grata surpresa de me saber inteira. Os homens temem quem sente de verdade, quem não tem problemas em dizer "eu te amo". Os homens acham que eu te amo é pacto, que eu te amo é para sempre. Nada é para sempre, nem o ódio, nem a fome, nem a sede, nem essa minha aceleração, nem a saudade que sinto agora e me faz despejar essas palavras na tela. Nada é pra sempre e, daqui a pouco, nem mais sua imagem existirá em minha memória, mas deixo claro...esssa foi uma decisão tua que tem um medo doido de se entregar. Também o que eu queria? Com tanta gente no mundo me encantei por um militar...
quinta-feira, 8 de março de 2012
MULHERÍSSIMAS QUE SOMOS
Lenta, muito lenta e com um sono de tirar qualquer um do prumo.
Nunca gostei muito de pontuar datas, mas não escrever sobre esse dia seria uma falha enorme e eu mesma me cobraria depois.
Nascemos, nós mulheres, com uma espécie de radar que não funciona algumas vezes por nossa própria sabotagem. Escrevo isso para dar partida a algo que ronda minha mente por esses dias que é a vantagem de ser mulher, ou melhor, as vantagens. Algumas delas é o fato de não broxarmos, de termos certeza de que o filho gerado é nosso, de usarmos salto alto sem perder a pose, de conseguir, com olhos rasos d'água ,convecer o outro daquilo que nem sequer acreditamos só para provar a nós mesmas a nossa astucia. Ser mulher é algo que transita entre o trágico e o mágico, somos campeãs em dramalhões e rimos depois que fazemos uma cena, somos adoravelmente ternas e só não nos fazemos eternas para aqueles que teimam em passar pela nossa vida de forma rasa e covarde.
Não há no mundo um ser que caminhe com tanta leveza e certeza, com tanta ousadia e temor, com tanto sonho e determinação. Somos uma infinidade de coisas e sentimentos e, é exatamente isso que nos torna especiais - as possibilidades de sermos um monte de coisas e sermos femininas até como frentista de posto de gasolina.
Na dança que o mundo nos impõe passamos valsantes e sem perder o rítmo. Damos peito ao filho como alimento e amamentamos de prazer , no mesmo peito, o nosso eleito. Temos peito para isso, fique sabendo.
Nada nos impede de virarmos o pescoço demonstrando um descaso que nem existe, somos dissimuladas com intuito de sermos meio que desligadas...puras armas de sedução.
Tantas coisas somos, tantas histórias tecemos que neste dia dado a nós devemos festejar as mulheres que trazemos na alma: a santa, a puta, a doida, a menina, a bruxa, a bailarina, a poeta , a faxineira, a amante, a médica e aquela que para sempre nos levará guiada pelas suas mãos... a sonhadora.
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