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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

EU GOSTO É DE MULHER.

Passei o dia camisolenta, totalmente camisolenta, no mais revelador que esta palavra pode ser. Sigo coselhos de um jovem doutor, mas devo confessar que amanhã não coseguirei ficar assim tão inerte, afinal também tenho amigos para brindar nessa virada de ano e tentar fazê-los entender que não faço planos porque vivo um dia após o outro e não planejo nem vida, nem o que provavelmente virá depois dela. Meu compromisso é com o tempo que respiro e enquanto faço isso labuto, abraço, respeito, divido, educo (ou pelo menos tento) o meu filho e os filhos dos outros e de quebra entre um gole e outro vou tecendo alguns sonhos, sem muitas espectativas para não frustrar e, como diria o " Pessoa", usando as pedras que me jogam... pra construir meu castelo... Mas que porra é essa ??? Que postagem tem um título e começa assim? Calma, muita calma. É o seguinte: quando criei o blog, não me preocupei em ter que "alimentá-lo" diariamente, pois na maioria das vezes, acho tão extremamente pessoal o que escrevo que acabo guardando pra mim, outras vezes é uma bosta mesmo. Descobri, no entanto, que há uma gente que anda me cobrando umas poucas palavras e eu estou com um monte delas dançando em minha mente, mas sem muita paciência de sentar e escrever,porém num repente comecei a perceber que eu, terráquea que sou, comecei a esquecer um monte delas- obóvio- rsrrs!
Na minha mente vinha o porquê de determinadas coisas, entretanto as almas das coisas começaram a perder-se. Não tive outro jeito se não escrever o que lembro que seria minha postagem de uns vinte dias atrás.
Você também deve estar curioso, não? Fico pensando em quantas pessoas acessaram o blog por causa do título...

                                                                 

Começo essa postagem agora. Começo contando como se deu início o sábado que me levou até essa conclusão (o título).
Fui despertada às 08:00h e, acreditem, havia conseguido dormir por volta das 04:00,completamente envolvida em uma leitura excepcional do livro "Materialização do Amor" que narra a vida de Peixotinho. Fui despertada  por ninguém mais que uma das pessoas que muito o conheceu..
Atendi o telefone meio tonta e do outro lado da linha ela exclama - Bom dia, minha linda! Passou a noite bem?- No meu humor que não decansa, respondo - Seu pai deixou muito não, mas que posso eu fazer, né?- Ela sorri e diz- vou logo ao assunto pra poder agilizar...estou com uns cabeludos lindos e enormes aqui no portão, quer comer?-  Eu logo perguntei- Enormes mesmo??- Ela doida do outro lado- São lindos!!- Respondo depois da exclamação da moça - Então pode pegar!- Aí veio o que eu estava esperando- Eu mato e você limpa, certo?- eu cantarolo do outro lado- Lerê,lerê,lerê...vida de negro é difícil...- Rimos e desligamos para acelerar o encontro.
Fiz o que tinha que ser feito e rumei para o território da Lapa. No caminho, recriando os mesmos passos que fiz durante anos aos sábados e domingos, meus olhos marearam e na minha memória veio a minha mais que amada Laís e suas histórias, vieram também sua inteligência e aquela inconfundível risada gorda. Tinhámos uma cumplicidade ímpar, coisa que foi estendida às outras "Peixotinhas". Eu me sentia a filha preta da família e, em muitas dessas tardes nos reuníamos todas e mais outras para uma cerveja gelada,camarões, rabos (rabada) e língua (com batata ou quiabo).
Éramos, na maioria das vezes, apenas nós, mulheres, rindo de nós mesmas, nos expondo, contando segredos para um grupo, nos observando,nos conhecendo, fazendo o nosso "bate- bola" feminino, falando de filhos, ilusões,passado, presente e tecendo esperanças pro minuto seguinte...
Sei que estou delirando, mas levando em consideração que não posto nada há tempos... relaxa.
Voltando ao sábado dos cabeludos, enquanto eu os limpava conversávamos, eu e minha amiga, e ela veio com uma tese bastante plausível de que HOMEM GOSTA É DE HOMEM.
 Sim, eles se bastam,se respeitam, têm uma felicidade única quando juntos, montam um clube só para eles e, podem até casar, ter filhos, mas o sagrado domingo tem liturgia no botequim e sabe com quem??? com os amigos. Eles adoram peitos, mas amiga do peito eles não têm...Tem amigo do peito, saca? Já reparou que entre um cinema com a namorada ou um jogo pela Skay com amigos eles preferem os amigos? Eles dizem que é o jogo,mas não é não. HOMEM GOSTA DE HOMEM.
 Eles, entre eles, são leais (exceto os levianos) são mais legais, mais livres e quando querem exibir seu lado machista fazem com moderação.
Repare bem...é sexta à noite. Ele sabe que a rapaziada irá apara um quiosque " molhar a palavra", mas você quer um vinho, música suave e cumplicidade, e aí? E aí que a mulher tem que ter sensibilidade o suficiente pra saber que sua noite será uma merda, pois ele estará com a cabeça nos amigos. Então, meu bem, nem pense em fazer pirraça, diga sabiamente que você abrirá uma garrafa de vinho em casa mesmo e que outro dia vocês saem. A cara do infeliz é de tamanha felicidade que ele, com me do de uma mudança repentina de opinião, sai correndo como um menino que ganhou sua primeira bicicleta, ou mais, como o adolescente que , na mão, experimentou sua primeira gozada... "Pelamordedeus!!" HOMEM GOSTA É DE HOMEM, desde de meninos.
Ficamos  tentando compreender o fato de termos demorado tanto tempo para entender isso. Tanto tempo para entender que competíamos enquanto eles se adoravam e, entre um tempero e outro para os cabeludos caranguejos, sal, óregano,quentro e tantas outras cositas mais, falamos sobre a "Suplicante" de Camille Claudel, escutamos Beethoven, Vivaldi e lemos um pouco de poesia, artigos, fiizemos confissões a respeito de nossos filhos,choramos, rimos e até sobre as novas regras da gramática discutimos. Enfim, com qual homem teria, eu, uma tarde assim? Qual homem entederia as opções erradas que fazemos, as frases de efeito que usamos, a força que temos, as loucuras que cometemos quando apaixonadas por eles e o tanto de fé e perdão que cultuamos?
Como tudo termina em cama, terminamos com as pernas para cima zapeando canais de cultura na tv e fazendo comentários sobre o que viámos.
Hora de voltar para casa e quando desci do carro, na porta do super mercado, olhei para ela e disse- Eu gosto é de mulher, da mesma maneira que homem gosta de homem. Gosto da cumplicidade sem competitividade. Gosto da amizade, do papo regado a cerveja, da verdade (tão rara).
Gosto de quando não amamos as ideias, opiniões, cultura, gosto, pois isso é consequência e não a causa de estarmos juntas. Gosto de me sentir assim...livre como quem sabe que tem um mundo para voar, mas que sabe que é bem melhor em boa companhia.
Tomara que em breve um homem goste mim como se eu fosse outro. Com trasnparência, amizade e muita, muita cumplicidade.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Para os meninos do Rock, Léo Rossi e Romualdo Braga.

                                                      
Ontem, depois de me emocionar deveras e de uma vez mais tentar entender a diferença que existe entre as pessoas, tive mais uma crise -corriqueira- de insônia. Li, reli alguns artigos para um futuro trabalho, discuti comigo e, cansada de tantos pensamentos dispersos, liguei a televisão e lá estava uma matéria sobre contraventores e o que fora descoberto em suas casas. As quantias me deixaram abismada, pois sou de uma época em que bilhões, trilhões era algo só existente no céu, ou seja, eram números relacionados a contagem de estrelas onde certamente descansavam meu vô, minha vó e mais algumas gentes de idade... Meus amigos, ainda, não viravam estrelas e eu até nem entendia direito o revezamento da humanidade, esse jogo que deixa tanta gente no banco reserva e algumas outras gentes em pleno desenvolvimento de campo. Não serei prolixa. Estou falando de dois jogadores que ontem marcaram um gol inesquecível para dezenas de crianças. Estou falndo sobre quem, sem saber, modificou o Natal de uma gente miúda e colocou em seus rostinhos uma felicidade tão absoluta que contagia e emociona até aquele mais insensível ser .Estou falando de quem disponibilizou seu tempo pra conhecer uma casa que já funciona há tempos levando um pouco de afeto, acolhimento, fé e esperança a uma gente que , com as porradas da vida, acabou perdendo um pouco de tudo isso.
Ontem, depois que eles sairam, começou o que chamo de momento de introspecção. É impossível não se encolher, não se emocionar, não perceber o quanto a gente faz com um pequeno gesto. Impossível também não chorar e não perceber o quanto temos "um tudo", como diria minha vó. Impossível não agradecer imensamente a cada um que levou um, dois ou mais brinquedos e que, com isso, tornou mais leve um dia que poderia, e não foi igual , aos tantos que eles vivem durante o ano.
Obrigada, meninos! Graças a atitude de vocês podemos, nós do grupo, cumprir mais uma missão...Enfeitar com estrelas os olhos de uma gente que veio ao mundo para brilhar como vocês.

Beijo meu !

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

EU SINTO, E VOCÊ?

                                                                                

Tantas são as personagens que rondam minha mente criativa que fico sem saber com qual delas estou familiarizada neste momento.
Não sou Captu, mas carrego esses meus olhos de ressaca. Esses olhos de quem muito bebeu da vida e que se prepara para uma nova  temporada dentro desse meu deserto que me leva a mirar, ao longe, cada vez mais, o teu perdido olhar escondido na aba de um chapéu. Carrego esses olhos que, às vezes, absortos vão tragando do tempo a essência e, entre uma queda e outra, depois da noite insône, confessa que a dor que dói e reverbera é de saudade. Saudade de ontem, saudade do que surpreende, saudade do que se mostra sensível e que deve-se se manter distante- para o bem de todos- saudade límpida e adolescente..saudade que alimenta e encanta.
Sei que carrego, também, esses olhos de cigana oblíqua e dissimulada, que não quer enfeitiçar ninguém, mas que perece daquela troca de olhar. Um olhar que cura o porre da vida com troca, com descanso , com alguma possibilidade. Um olhar que esclareça o porquê dessa minha ressaca no olhar que se faz tão mar ao anoitecer e se deixa marejar pela falta do teu.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PENSANDO...

                                                                   

De uns dias pra cá tenho me enfeitado de maneira diferente. Tenho procurado dentro de mim um outro tipo de gente que não se pareça tanto comigo e que viva deslumbrada com o que cria. A verdade é que sou uma gente que não se permitiu sentir inveja. Inveja é um sentimento doentio e tirano, mas... tenho andado com uma inveja danada dos amantes. Fico namorando os casais que passam por mim de mãos dadas, com olhos que cumprem promessas e um andar de confiança que meu Deus do céu...dana a doer em mim.
Acho que o nome é carência, ou não. De verdade, na verdade mesmo, nunca me dei atenção nesse aspécto. Acho que solidão é estado de espírito e quase nunca me sinto assim, mas de uns dias pra cá... a coisa parece ter perdido a cor, eu pareço que perdi meu resto de inocência e meu olhar parou pra me ver passar. Talvez seja essa estrada construída para o final de ano. As promessas repetidas, as ilusões transitadas, as necessidades recolhidas durante todo um ano onde repetimos"não tenho tempo pra nada". Será que perdi teu olhar? Será que um instante mágico foi deixado pra depois e eu o perdi?
Hoje senti inveja da atendente do consultório. Ela falava ao telefone com alguém que lhe deu uma noite daquelas que a gente fica lânguida por séculos, sabe? Como se viver não fosse nem mais vital, pois a energia é a troca com o outro.Impressionante é que  suas palavras tinham um tom aveludado de paixão e sexo que me fez criar uma história linda bem no meu dentro de mim e eu percebi que tenho preguiça de sofrer, mas isso também faz parte da respiração. Percebi que lá no meu dentro eu queria poder ter vivido aquilo que ela descrevia ,sem pudor, e que era lindo.
Há coisas que não acontecem quando se é ímpar. Há coisas que imploram por um par. Há coisas que não aconteceram pra acontecer e há outras que precisamos conquistar. Preciso ensaiar mais um olhar que demonstre o que quero, penso e sinto. Preciso afinar mais a fala e estreitar meus gestos. Preciso frequentar outras paragens, preciso me reapaixonar por mim pra que você me veja como sou. Inteira.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

METÁ METÁ

Ontem foi noite de insônia. Mulherzinha pra me enlouquecer essa! Trouxe como companhia alguns versos que , confesso, me expõem demais. Li , reli, me emocionei , baixei músicas... chorei. Gosto de pesquisar e acabei  lembrando de uma cantora que me foi apresentada e encontrei um CD novo dela.
De presente fica pra você uma música que tem um arranjo pra lá de perfeito e uma poesia que gostaria de ter escrito.

PAPEL SULFITE

                                                             

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

E SE ISSO FOR ALGUM DEFEITO, POR MIM, TUDO BEM.

                                                                                                                                     

 Faço coisas que, às vezes, me deixam rindo sozinha. Sou meio despassarada , mas incapaz de não dar ombro, colo, carinho pra quem fica como cachorrinho pedinte abanando o rabo pra mim. Sei que preciso pedir desculpas aos meus mais queridos amigos que me emprestam seus espaços de tempo, mas ontem... ontem foi um dia de muitas indagações, ensaio de porre (ele não chegou a vigorar) e risos de minha criança que chorou- e muito- diante de algumas revelações.
Descobri ontem, enquanto chorava, que há muitos ensinamentos dispersos no mar de minha mocidade. Descobri também que tenho medo de me navegar, pois sou correnteza demais. Descobri que o tempo se encarrega de nos trazer e levar para esse mar de descobertas e, que no meu mais interior há resquícios do que nunca fui e que amadureci , mas não me permiti endurecer. Descobri que tudo em você independe do que quero e que quando sou deixada de lado imediatamente um dispositivo dentro de mim é ativado, e eu tenho a tendência de repudiar o outro por tempo indeterminado. Descobri que a gente tinha a capacidade de achar, quando criança, que padre não peca, que espírita é um ser de retidão e que amar é para sempre. Não nos ensinam , na infância , que pra sempre é sempre por um triz. Descobri que minha vida é tão preciosa que nada me mantém ,por tanto tempo, infeliz.
Por fim, descobri, enquanto ria, que nada de tão tolo pode nos fazer perder o ar, que nas pequenas emoções estão os mais eternos instantes e que a minha criança  interior não se envergonha de ainda ser e me carrega pelas mãos para brincar nesse parque de diversões que é a vida. 
Obrigada aos que gozam dessa roda gigante comigo!!                                        
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

terça-feira, 22 de novembro de 2011

AMANTES

                                                                      

Agora sou nada
Nem atrevida
Nem bizarra
Sou um anuncio no
Jornal da praça
"Procurada" como caça.
Agora ainda espero tudo.
Depois do gozo
A luz nos leva ao escuro
Amantes dormem juntos - em sonho-
E acenam pro instante presente
Sabem , em silêncio,
Que não há futuro...
E que o próximo encontro
Poderá ter um ausente.

                                                  das preta

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

VIVER É PRA QUEM NASCE E SE SURPREENDE COM ISSO TODOS OS DIAS

                                                                                  
A melhor coisa da vida, depois do encontro, é o reencontro. Gosto de reencontrar pessoas, de ouvir o que elas têm pra me mostrar, de me encantar com elas e de , no dia seguinte, poder tirar proveito de algo que tenha ficado em mim.
Pessoas são, às vezes, meio evasivas, se colocam em postura de superioridade, mas na hora da cólica, o destino é o mesmo.
Devaneios meus de impressões do fim de semana. Serei breve para narrar o que vi, senti e vivi.
Fui ao teatro e assisti ao espetáculo "Juventude Interrompida". O que falar do que foi apresentado naquele palco? Simplismente DIVINO! Mais que um exercício, uma direção irretocável,uns atores conscientes e desprovidos de qualquer preconceito. Atores de verdade, cheios de cumplicidade e de precisão. Sabiam o que estavam fazendo e faziam com tanta naturalidade e maestria que Romeu era Romeu e Julieta Julieta independente do sexo dos atores, pois em cena quatro rapazes interpretando Shakespeare de forma tão inusitada e transparente que minha alma toda ficou em estado de levitação e não pude resistir a uma esticada para tentar ver um olhar...
Te ver era uma coisa muito desejada. Não consigo frear meus desejos. Tenho uma sede imensa de tudo e me sinto carente de abraços e transições. Vim ao mundo para viver e ser feliz, mas não me imponho essa felicidade de comerciais de televisão. Minha necessidade é mais interna. Meu carro do ano é teu olhar, minha casa em Búzios é um abraço teu que aquece minha pele e arrepia todo meu interior.
Gosto de saber que a vida é uma surpresa e que isso me faz entendê-la melhor. Sou artista e náufraga de mim. Sou poeta e espiã. Sou boêmia e apaixonada por botecos e espero um clássico de rock no fim da noite pra saber que os embalos de sábado continuam e que continuo "carregando carências que só um noturno de Chopin pode aquietar.
Algumas coisas, em mim, só são amparadas pelo sorriso de quem, por agora, me seduz e tenho que dizer que seu olhar quando me olha, me molha e ele nem sente.
Tudo em mim é pra mim. Tudo em você está para você como a vida , que é tua, está para mim. ( Que brê é esse??)
Quero ser ,cotidianamente, enfeitiçada pelo mundo. Não me importa se o que vou construindo é de areia. Sei sonhar e gosto dessa possibilidade de encanto. Nada de nossa fala é direta e isso surpreende os próximos dias, mesmo que eles não aconteçam...
Ser livre pode ser algo muito perigoso. Então, de vez em quando, me prendo a alguém dentro de mim e só pra mim.( tudo é por minha conta e risco). Não acredito em cara metade, Deus me fêz inteira e perfeita e se algo me falta, certamente, não estará no outro e sim em mim que sou um labirinto de possibilidades. Não gosto de indiscrição, não gosto de amarras, gosto de mãos e gosto muito. De gaiolas... quero distância... Preciso de espaço para ter espaço, mas se for pra me prender em algo, por um breve e eterno espaço de tempo..que seja entre suas pernas e se for pra escutar a sua voz fora das canções, que seja pra me desejar..."bom dia!" 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

DA SÉRIE: ELA É CARIOCA

Minha vida está um caos- no que diz respeito a arrumação-. Depois de uns 40 dias de obra a vida parece querer voltar ao normal, mas sabemos que desarrumar é facílimo e que reorganizar é tarefa para uma gente com tempo e paciência de sobra - volterei nas próximas encarnações para exercitar ambos- e que eu, infelizmente não tenho.
O assunto é que ontem, enquanto organizava ,em pastas, vários riscos e rabiscos, encontrei algo que escrevi quando em 2007 assisti no Canecão ao show do meu marido, Chico Buarque - ele não sabe disso-. Gostei do que li e lembrei de cada detalhe daquela noite em que reencontrei alguém que encontrara na minha meninice e que acabou sendo meu eleito até que um tipo de morte nos separou.
    
                                                     SORTILÉGIO DE CHICO

 Numa noite dessas em que tudo pode acontecer, deixei o desejo ser mais forte que a vontade. Teci para mim mesma um sortilégio em que me prometia uma arrebatadora explosão. Vesti-me de luz, brilho e esperanças. Canalizei apenas pensamentos bons e libertei-me de meu passado e de meus fantasmas. Prometi e cumpri não chorar por um amor e deixei-o lá em meu relicário me permitindo ser conduzida pelas mãos das novas possibilidades.
Invadi, soberana, o mágico e musical ambiente. A música era concreta e fazia aguçar em mim uma vontade de ser minha novamente e me reencontrar repleta de planos futuros.
Observei cada detalhe daquele espaço onde veria , pela segunda vez, meu ídolo. Sabia, lá no meu intimo que quando o escutasse de viva voz ficaria embriagada e emocionada.
Sentada em meu lugar escolhido e bem perto do palco fiquei espectativamente aguardando aqueles olhos verdes de ardósia iluminar a paisagem tão esperada por mim.
O show era "Carioca"e, sem dúvida, levaria ao meu íntimo mais que melodias.
O pedido feito ao garçom deixou todos estupefatos. Pedi um refrigerante, pois não queria que nada desviasse minha atenção. Queria estar embriagada de sua poesia e voz. Me prometi lucidez e enquanto ele cantava eu ouvia "as declarações mais belas de um sonhador Titã". Meu peito dava "nó em paralela" e naquele instante eu era sua maior fã...
Várias músicas interpretadas e "na rádio cabeça" todas que eram tocadas me remetiam a algum instante do tempo onde fui qualquer coisa ou sentimento com "todo sentimento".O mundo parecia ter parado e só existia aquele momento. "Eu era o seu pião, seu bicho" e ele o meu preferido que atravessava a janela de meus olhos só para eu "ver a banda passar falando coisas de amor..."
Ao som de "Fado Tropical" meu "Folhetim" desfiou tim-tim por tim-tim esboçando meus "Anos Dourados", minhas "Vitrines querendo passar"
Eu que não cria em Deus "ergui as mãos para os céus e agradeci por estar ali como se fosse num romance." Imaginei  "o homem dos meus sonhos me aparecendo num dancing."
A minha alma e cabeça já estavam "pelas tabelas" procurando "com açucar e com afeto" "qualquer amor".
Chegava o momento final do show e eu ia reforçando meu sortilégio: Ser feliz, mesmo por um triz. Toda a mulher que ali estava "vivia a te buscar e pensando em ti, corria contra o tempo".
Dentro de mim um medo enorme de nada acontecer...Cale-se!! preciso do bis !!e minha alma doida gritando..."Vou voltar/haja o que houver/eu vou voltar.."
Finda a festa . Levitação bestial. O que é amor? O vento batia em minha cara como se fizesse uma transformação ou me conduzindo pra uma nova viagem.
Depois de muito caminhar cheguei a um lugar com mais música,música, música. Era isso que eu queria, mais música.
Uma hora depois de me encontrar naquele Rio Scenarium, entre uma valsa e outra ,achei o meu par. Éramos dois olhos. Dois sedentos e grandes olhos se encontrando pela 1° vez. Éramos uma grande vontade de tudo.
Mudos. Completamente mudos. Ficamos assim por um tempo como se tivéssemos desejado a noite inteira a mesma coisa.
Estava realizado o sortilégio. Encontrei uma parte que podia se repartir pra mim. Encontrei um ser inteiro e me fiz inteira pra esse acontecimento.
"Lhe dei meu corpo, minha alegria em troca ele me amou tanto e de tanto amar achava que eu era bonita. Fizemos amor como quem tropeça nas estrelas e andávamos pela casa como que flutua."
Era o meu romance e ele me apareceu num dancing e eu disse "sim". Tornei-me sua amiga, sua comida, sua irmã seu incesto. Perfeita...igualzinha...traiçoeira, cria da sua costela. Ele estava lá, outra vez, no lugar que era todo seu, de volta para o Rio.
Vivi os dias mais dourados de minha vida, mas ele foi sumindo...por aí e me mostrando que a cidade é um vão... Olha a voz que me resta, a veia que salta, a gota que falta pro desfecho da festa.
Te deixei jurando nunca mais olhar pra trás, mas é tanta saudade...é pra matar...
Melhor mesmo é isso: deixar em paz meu coração e entender que nos amamos feito dois pagãos.
Agora me diz...pra onde ainda é que eu posso ir?

                                                                             

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

EU QUERO ME LIBERTAR

                                                            
Não sei de quantas amarras é feita a vida. Ser livre é pretensão de qualquer mortal, mas às vezes ficamos solitários com liberdade demais, sei lá. Há liberdade demais?
Sinto-me livre, de verdade, mas algumas vezes as amarras do outro faz você bloquear desejos, faz você repensar possibilidades, faz você se lapidar e perder a essência por se vigiar demais.
A semana que passou foi cheia de surpresas, cheia de gratas surpresas musicais, cheia de confissões e novidadeiras declarações de ciúmes. Acho ciúme uma coisa tão desmedida. Como você pode ter a ousadia de se apossar da vida alheia? Como você pode pensar que tem o direito de trazer para si um ar que não é o teu? Sei que por ter um exercício de liberdade incomum- isso nem chega a ser opção, é o que é- algumas pessoas ignoram o fato de não me conhecerem de verdade e se enchem de achismo a respeito de como sou. Como podem querer desvendar um mistério que nem eu, dona dele, consigo?! Gente doida essa...
Voltando a semana... O show em homenagem a Divina Elizeth foi de tirar o fôlego. Eliana arrasou e conseguiu o que ,na verdade, é o coração  projeto. Dar um tom de teatro ao lance. Foi lindo!!
Depois de um tanto de lágrimas foi a vez de matar saudades de amigos, de dar vaga ao saudosismo e a nostalgia, de fazer uma grande viagem aos anos 80, na Festa Naftalina regada a muita cerveja gelada, Legião Urbana, Capital Inicial, Frenéticas e um montão de Kid Abelha. Como é bom ter o corpo bailando no que gosta. Matei a saudade de mim. Matei a saudade que estava de alguns amigos que vejo pouco, me alimentei da essência que ainda nos resta e sai de lá à francesa como cabe a qualquer um que permitiu que a nostalgia lhe saisse pelos olhos...
No sábado, todo mundo espera alguma coisa à noite, tudo pode mudar, não?
Noite de rock no SESI. Não podia deixar de ir. Seriam releituras de clássicos dos anos 70 e com uma gente no palco que também me provocaria nostalgia. Lá fui eu pra mais um encontro comigo. Raro encontro em que também revi, de longe, amigos que não via há tempos. Na cabeça um filme antigo passava e eu, mais uma vez, deixei que as salgadinhas viessem à tona e lavassem minha alma. Vê-los no palco, lugar mais que sagrado pra mim, foi de uma magia inenarrável. Fico curiosa de saber qual a sensação de cada um... o riso e a cumplicidade entre eles é de fácil leitura o que, certamente, torna ainda mais sensível a apresentação.
Não estou fazendo critica. Estou perpetuando minha festa interior de um fim de semana pra lá de inusitado.
Por falar em inusitado e dar fim a esta postagem preciso escrever sobre o quanto é bom flutuar. O quanto é bom ser surpreendida, o quanto é bom poder ser engolida pelo teu olhar. Me senti ,no sábado, como uma adolescente que, com medo do tempo, se rende ao mesmo e se deixa libertar.

PS: " Eu gosto dos que têm fome
        E morrem de vontade
        Dos que secam de desejo
        Dos que ardem..."

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