segunda-feira, 26 de março de 2012
TÃO EROS...TÃO PSIQUE
Acordei com uma sensação estranha de vazio, de coisa perdida, de vontade de poder olhar pro olho do outro e perguntar: e agora, como ficamos, o que nos aconteceu?
Todo esse silêncio me faz um mal doido e eu que não sei conviver com as inquietudes de minha alma.
Quando estou assim, fogem-me as palavras, então faço das alheias as minhas próprias.
Posto pra vocês um trecho que recebi. Fica como uma reflexão do que foi, para poder dar sentido a essa minha insistência de amor.Ou não.
"Que seja eterno enquanto dure".
"Vale, então, compreender melhor os tipos de amor e, nesse compreender, ampliar o olhar, expandir a consciência, permitir-se experimentar cada momento, cada movimento do sentimento.
Eros, o amor paixão. O amor que cega, que nos faz surdos e mudos. Tira-nos a razão, enlouquece, ao mesmo tempo em que nos torna poetas, enamorados, bobos "alegres", amantes, amados. Faz-nos tensos, inseguros, certos e errados. Tira-nos o foco, a respiração, a cor. Somos com o outro. Moremos sem ele. Vida e Morte. Fogo e Emoção.
Philia, o amor amizade. O amor companheiro de todas as horas. O amor que nos faz poder contar com outro a todo e qualquer momento. O amor que nos faz cúmplices, íntimos, amigos. O amor que nos faz engraçados. Rimos com o outro, aprendemos com ele, sabemos como agradar e deixamos claro como queremos ser agradados. Somos dois, unidos e separados, tudo ao mesmo tempo.
Ágape, o amor incondicional. O amor que tudo compreende. Tudo aceita. Tudo constrói. Um amor que de tão imenso, extrapola a vida a dois e é compartilhado com todos os que estão à volta. Aqui cabem todos: companheiro, filhos, amigos, familiares, outros... Aqui, o que conta é a espiritualidade, o amor maior, o dom supremo. Estar com o outro, nesse momento, nos completa. Expande o "ser".
Bem, posto isso, qual o impacto na relação? No casamento? Fica aqui o convite à reflexão. Em toda a relação, o que acontece é um movimento circular. Andamos de um amor para o outro tipo de amor, em todas as direções. É como se pudéssemos ora estar em eros, ora em ágape, ora em philia, depois em eros, depois em philia e assim por diante.
Se conseguirmos compreender o amor nessa dimensão, estaremos prontos para conquistar e ser seduzidos em diferentes momentos, na vida a dois.
Acreditem, o amor se transforma a todo o tempo. E, como todo sentimento, é também movimento. Pode, por isso, encantar a cada nova estação. Pode, por isso, recomeçar a cada nova estação.
É claro que vale sempre reforçar. Será sempre diferente. Evoluímos, crescemos, somos, também, diferentes a cada vez que inspiramos e expiramos. Renovamo-nos a cada respiração e, assim, também é o amor."
sexta-feira, 23 de março de 2012
MEU OLHAR PARA MIM
Ontem recebi um telefonema que me fêz pensar no quanto o que escrevemos nos revela. Sou trasparente, eu sei, transparente demais, também sei. Vou deixando essa marca em tudo e em todos por quem eu passo. Estou meio esquisita, sofrendo uma mudança de dentro pra fora e de fora pra dentro, como diz a canção. Deve ser para afinar meu instrumento alma que anda tão cansado de repetir eternas canções.
Acordei em estado de prece. Rezo muito, sempre e com exercício da fé. Agradeço, peço- sou igual a todo mundo- discuto e reclamo do que poderia ser diferente e no final rio de Deus e pra Deus que sou eu, entende?
Somos tão infinitamente unos que isso me faz pensar que quando carrego esses olhos marejados de saudades, desleixo ou aflição é porque somos reais em nossa existência.
Tenho mania de me sabotar. Preciso parar com isso, gente! Vou construindo um montão de coisas no meu caminho que só me distanciam de uma linha final, mas penso que, lá no fundo, não quero chegar a lugar algum, que quero apenas trilhar mais uma aventura divina de mim para mim.
Tenho chorado, todos os dia, como de praxe. Choro por tudo e por nada. Chorar é minha espécie de missa, de reencontro, de exercício, de concentração...sei lá. Talvez lá no meu depois do meu mais profundo tenha medo de perder a sensibilidade, de me tornar automática, carnal, óbvia e prática demais. Tenho medo dessa gente que diz por exemplo que sexo é uma necessiade física, apenas. Discordo e grito que a prática desse ato me deixa leve por semanas, mas que se não tiver sentimento, pra mim, não tem sentido. Gosto de fazer amor sem conteção, sem pensar no desconforto que pode causar depois do durante, sem ter vontade de sair correndo de mim, pois estarei comigo pra sempre e até depois que esse meu "eu" passe pela terra.
Hoje estou com uma vontade maluca de sentar embaixo de uma árvore na beira mar, livro nas mãos e olhos ora lá ora por lá e fazer o mundo se acalmar...Tô com vontade de ser Deus (rrsrsr) pra converter algumas coisas e me perdoar dos pecados sãos que cometo. Isso me faz chorar. Essa fome que tenho de vida,essa sede que tenho de amor e eesa vontade de beber dos teus olhos e teu silêncio e de poder em teu corpo descansar.
terça-feira, 20 de março de 2012
PRA BOI DORMIR/ DASÉRIE ELE É MILITAR
Na semana passada, depois de uma noite febril entre amantes, arrumei minha necessaire e parti para o Rio. Sempre que pressinto o fim quando não estou preparada para ele, fujo. Na fuga encontro pedaços de mim soltos no ar, saudades fáceis e um encontro ali outro acolá. Precisava ficar comigo, precisava de um ar de menos ironia, precisava chorar longe daqui, onde a vida nos brinda com outro sentido.
Atravessei uma tarde inteira em uma livraria no bairro de Botafogo. Livraria no Rio é especialmente sedutora e te incentiva a leitura de livros que não temos muitas possibilidades de comprar. Enquanto lia, relia minha vida e tentava passar a limpo um tempo que vai por dentro de mim e que foi ontem.
Procuro sábias palavras para uma decisão que se apresentava tomada. Detesto despedidas, detesto que me imponham algo que não ensaiei para viver, não entendo muito de rejeição e fico com o nervo exposto quando o outro me trata assim. não consigo entender, sobretudo, quando elegantemente ele diz- o problema não é com você, é comigo- Perguntei nada... e lá vem a desculpa pior do mundo para o que é óbvio... Pessoas se interessam em tempos diferentes. Só com o tempo é que elas entendem como funciona a mente, a libido, a educação e o transe do outro. Quando estamos apaixonados é diferente de encantados que é diferente de ecxitados ,que é diferente de eufórico.
Eu estava encantada e ele parecia estar assim também, mas de um dia pro outro as coisas pareciam sair do eixo, talvez por saber-se partindo, talvez por ter sido apenas aquilo, talvez por nada. Mas a partida do outro, de um tempo diferente do nosso, é assassinato. Não , não é assalto. Nos pega de assalto e nos desestabiliza, pois nas relações tudo é imprevisível.
Hoje vou me acostumando com a ausência do outro. Uma ausência tão repetitiva, tão igual, tão cheia de desculpas. A dor de dentro é ruim, mas a física é dilacerante, "corta como um aço de navaia". Sinto falta dos abraços,dos beijos demorados, das mãos dadas, do corpo ocupando o mesmo lugar no universo, da descoberta de que isso é possível quando dentro um do outro. Sinto falta dos dedos, dos olhos, do olhar ,do riso e de da voz que descansava palavras e músicas em meus ouvidos. Sinto falta de mim.
Olho para trás, pra distância que poucos dias causam e percebo que me despedi de mim e não de você. Arrematei o nosso encontro num pacto que é muito perigoso, pois estamos desconfiados demais do mundo e isso torna o outro individualista e só.
Há um tempo para tudo. Para o encontro e para o atropelo. Não acredito que seja de tudo assim , mas no todo não há pior explicação pro que não aconteceu do que assumir uma culpa do que não é pecado, pois não estar para o outro - disponível de amor- como ele está pra você é tão provavél e aceitável quanto ignorar. O resto é conversa pra boi dormir.
segunda-feira, 19 de março de 2012
PENSA QUE SOU FÁCIL?? SOU NÃO.../ DA SÉRIE ELE É MILITAR
Dentro de mim tem um rio. Dentro do rio tem o quê? Sou assim...feita de água e resistência, mas às vezes acabo sucumbindo as paixões. Choro um tanto, choro todo dia- é que faz parte de meu exercício - rio de mim e de quem foge de mim e me vou atravessando a vida colecionando mais um retrato em branco e preto, como diria "meu marido" Chico, o Buarque mesmo. E faço isso cantando, acredite.
Nunca tive medo da vida nem do que ela me ofece em troca do mundo que lhe dou que é minha respiração, mas encontro uma gente covarde pelo meu caminho que nem sei porque me encanto por elas. Vou me deixando levar pelas minhas pulsações e posso garantir que faço isso sem medo. O problema é que sempre que fazemos isso, algum idiota faz julgamentos de valores distantes demais do que pensamos ou do que sentimos ou do que somos.
O que me incomoda é a capacidade que eles têm de nos recolher, temporariamente, a nossa delicadeza, o nosso colorido e as nossas tentações. Eles, em suas obstruções sentimentais e temores ridículos, sabe Deus de que, vão tolindo nossa naturalidade...nem ligo, pois vou morrer de meus excessos e não de minhas contenções.
Vivo me encantando, mas aviso aos encantadores que isso pode durar anos luz como pode terminar com um gesto de indiferença.
Não vou jejuar meus sentimentos, não vou reter minha vontade de gozar, não vou deitar sozinha comigo mesma tendo na mente reflexos do que não vivi por medo ou porque dizem que quando nos jogamos estamos agindo como adolescentes. Não tenho o menor problema em sentir como se fosse adolescente. Nunca tive necessidade de matar a florida mocinha que ainda reverbera seu riso em mim. Vou transitar pelo mundo com minha criança, minha adolescente, minha mulher, minha amante e tudo mais que existir em mim. E daí, isso faz alguém superior a mim? Isso torna um ser mais contido ser mais feliz??? Vou agindo de acordo com a minha vibração. Já dizia Martha Medeiros- Está na hora de reconhecermos que entusiasmo não é coisa de adolescente: é coisa de gente grande. Vou além: é coisa de gente velha, inclusive. Coisa de adolescente é depender de ajuda financeira dos pais, passar a madrugada bebendo cerveja nas calçadas, andar sempre em turma. E até isso não é propriedade privada deles. Mas entusiasmo, vibração, paixonite? Que insistência tola a nossa ao afirmar, cada vez que vivemos algo novo e excitante, que estamos em surto de adolescência. Isso sim é falta de maturidade. Os maduros de verdade sabem que estão sujeitos a vibrações aos 30, aos 40, aos 60 anos. Alguém está morto aí? Se estiver, não responda que tenho medo de fantasma.
Não responda mesmo. Pegue sua pistola- aquela que não usou comigo- e deixe-a em algum lugar que você esqueça e não se sinta inseguro sem ela. Brinque um pouco, meu bem, deixe que o adolecente que fica doido pra saltar do teu peito me carregue pela mão, ou se não for a minha, que pegue a mão de alguém, mas não transforme a vida em um quartel, em um exercício sem variação,em uma busca pelo nada.
O que me encanta é o olhar primeiro. Esse é lindo, esse é o olhar que não sabe das coisas senão do desejo, da possibilidade, do entusiasmo. Mas se a gente distrai...ele se esvai rapidamente deixando no olhar do outro uma saudade do que não foi e que poderia ter sido.
Talvez os seres que se encontram num dia jamais se esbarrem de novo. Eu chamo isso de escolha e assumo, não foi a minha.
Deixo o texto que li e ,que se parece com tudo do que podia ser, pra me despedir de quem fui com você nas últimas semanas.
Tenho que inaugurar pra mim um jeito novo. Eu falo muito, eu sei disso, mas é só porque ainda não achei minha forma. Quando isto acontecer, vou ficar contida e poderosa, cheia de força como uma nuvem preta expedidora de raio. Santo é assim, não é?…
Quero o que se deve querer, já que, conforme o mandamento, somos todos chamados à perfeição: é por isso, é por estrito senso de dever que eu quero o mais custoso. Gosto de coisa boa. Me incomoda pensar que pode ser o capeta que tá me confundindo, enchendo a minha cabeça com esta precisão de distinguir, em vez de me dar folga pra viver sem complicação que, pra mim, é o seguinte: comer sem fazer jejum. Amar sem fazer jejum. Ter licença de abrir o coração pra quem eu quiser. Abrir o coração, bem explicado: amar sem jejum de sentimento. Isto implica o esforço natural e necessário de conseguir manter o amor: um decotezinho mais brejeiro, batom Anaconda de brilho, um puxadinho de nada de lápis crayon no cantinho dos olhos, fazer aquela cara que eu sei fazer, pondo minha alma todinha num certo modo de baixar e levantar os olhos, primeiro oblíquo, depois directo. Porque eu gosto da humanidade, em particular da representação masculina da humanidade. É muito divertido comerciar com os homens, estimulante como nenhuma outra coisa é. Eles ficam encantadores, querendo pegar a gente em falso. Isso o homem comum. Imagine os santos! Fico em estado de loucura, tentação tentada. Tem coisas que eu faço bem. Posso fazê-las mesmo? Tudo é de Deus, menos o pecado. Você que me escuta e tem coração maldoso, ri pra dentro pensando que eu sou fácil. Não sou…
(Adélia Prado fragmento do livro 'Solte os Cachorros')
Tomara eu me encantar novamente. Isso me rejuvenece...rsrrsrsrs!
segunda-feira, 12 de março de 2012
SEM PALAVRAS
Estou sem inspiração certa. Tudo que escrever será repetitivo e ninguém merece.
Acordei às 4:20 da matina e, por incrível que pareça, só consegui dormir graças a ajuda de um remédinho mágico que não foi tão mágico assim...
Vasculhei gavetas, me fiz de detetive e consegui uma comunicação comigo mesma. Nessas minhas andanças internas escutei música e li textos.
"O que será que dá dentro da gente que não devia???"
Sem muitas palavras, um pouco daquilo que mais gostei de ouvir... meu carnaval interno.
Acordei às 4:20 da matina e, por incrível que pareça, só consegui dormir graças a ajuda de um remédinho mágico que não foi tão mágico assim...
Vasculhei gavetas, me fiz de detetive e consegui uma comunicação comigo mesma. Nessas minhas andanças internas escutei música e li textos.
"O que será que dá dentro da gente que não devia???"
Sem muitas palavras, um pouco daquilo que mais gostei de ouvir... meu carnaval interno.
domingo, 11 de março de 2012
DA SÉRIE "ELE É MILITAR."
Aprendi, com o tempo, a manter minha guarda. Não é covardia, é defesa. Já escrevi algumas vezes que tenho preguiça de sofrer, mas isso não significa que não sofra.
Estava distraida sendo levada pelas mãos do destino, como me deixo sempre, tecendo minha liberdade e bordando mais um fio de vida nas tramas do meu dia, ou melhlor, da minha noite, quando me deixei ser penetrada por um olhar que me deixaria encantada... Nada demais. Nada demais se a pessoa em questão não fosse eu. Nada demais se eu conseguisse, uma vez na vida, ser um ser que não se envolve, que não fantasiasse as mais simples atitudes. Nada demais se eu não fosse tão intensa, mas sou e até gosto de mim assim...Não sei lidar com frivolidades e nem acho "natural" esse rodízio de relacionamento que as pessoas exercitam. O corpo do outro, a alma do outro não é laboratório de pesquisa. Não somos ratos expostos para experiência, para sermos engordados ou para sermos colocados em estado de inanição de amor e alimentados por migalhas, restos de sentimentos. Porra!!não somos.
Sei que um encontro de uma semana nem é relação, mas é um ensaio que pode levar a uma grande estreia, mas a maioria chega na quinta pagina do texto e desiste da leitura, pois percebe que não se trata de uma comédia apenas. No texto chamado "vida" há variações de estilos e gêneros e não estar ciente disso é egoísmo fecundo e individualismo primitivo.
Assusto as pessoas, eu sei. Não consigo fazer a linha "mulherzinha", aquela que fica repetindo- amor, meu bem, fofo, filho,nem, namorado e faz aquelas carinhas que "pelamordedeus" não dá nem para descrever-. Sou daquela que seduz, que gosta do jogo, que faz planos para o futuro porque a lentidão do tempo permite, que pega na mão e fala, olhando nos olhos- eu quero você, vamos?- com tamanha certeza e doçura que penso, eu, que não tem como o outro me achar leviana por isso ou me achar vulgar quando sou transparente, quando dou a ele a grata surpresa de me saber inteira. Os homens temem quem sente de verdade, quem não tem problemas em dizer "eu te amo". Os homens acham que eu te amo é pacto, que eu te amo é para sempre. Nada é para sempre, nem o ódio, nem a fome, nem a sede, nem essa minha aceleração, nem a saudade que sinto agora e me faz despejar essas palavras na tela. Nada é pra sempre e, daqui a pouco, nem mais sua imagem existirá em minha memória, mas deixo claro...esssa foi uma decisão tua que tem um medo doido de se entregar. Também o que eu queria? Com tanta gente no mundo me encantei por um militar...
quinta-feira, 8 de março de 2012
MULHERÍSSIMAS QUE SOMOS
Lenta, muito lenta e com um sono de tirar qualquer um do prumo.
Nunca gostei muito de pontuar datas, mas não escrever sobre esse dia seria uma falha enorme e eu mesma me cobraria depois.
Nascemos, nós mulheres, com uma espécie de radar que não funciona algumas vezes por nossa própria sabotagem. Escrevo isso para dar partida a algo que ronda minha mente por esses dias que é a vantagem de ser mulher, ou melhor, as vantagens. Algumas delas é o fato de não broxarmos, de termos certeza de que o filho gerado é nosso, de usarmos salto alto sem perder a pose, de conseguir, com olhos rasos d'água ,convecer o outro daquilo que nem sequer acreditamos só para provar a nós mesmas a nossa astucia. Ser mulher é algo que transita entre o trágico e o mágico, somos campeãs em dramalhões e rimos depois que fazemos uma cena, somos adoravelmente ternas e só não nos fazemos eternas para aqueles que teimam em passar pela nossa vida de forma rasa e covarde.
Não há no mundo um ser que caminhe com tanta leveza e certeza, com tanta ousadia e temor, com tanto sonho e determinação. Somos uma infinidade de coisas e sentimentos e, é exatamente isso que nos torna especiais - as possibilidades de sermos um monte de coisas e sermos femininas até como frentista de posto de gasolina.
Na dança que o mundo nos impõe passamos valsantes e sem perder o rítmo. Damos peito ao filho como alimento e amamentamos de prazer , no mesmo peito, o nosso eleito. Temos peito para isso, fique sabendo.
Nada nos impede de virarmos o pescoço demonstrando um descaso que nem existe, somos dissimuladas com intuito de sermos meio que desligadas...puras armas de sedução.
Tantas coisas somos, tantas histórias tecemos que neste dia dado a nós devemos festejar as mulheres que trazemos na alma: a santa, a puta, a doida, a menina, a bruxa, a bailarina, a poeta , a faxineira, a amante, a médica e aquela que para sempre nos levará guiada pelas suas mãos... a sonhadora.
quarta-feira, 7 de março de 2012
DAS ESCOLHAS
Aprendi, com o tempo,a ler coisas nas pessoas que elas não revelariam por vontade ou por desconhecer nelas algumas atitudes. Na maioria das vezes sei quando a pessoa está dissimulando e tentando fazer o outro acreditar que ela é vítima. Sou desconfiada. Desconfio muito de todos e , certamente, todos desconfiam muito de mim.Não acho que seja injusto ser assim. Não acho que seja defeito. É defesa mesmo e pronto.
Estou me defendendo, talvez esteja errando, talvez esteja me precipitando, mas digo sempre e repito- tenho uma preguiça enorme de sofrer- então antes que essa probalidade vire estatística, dou um pulo para a outra margem e atravesso qualquer espécie de purgatório futuro.
Ando me permitindo pouco ultimamente. Ando me divertindo mais exatamente por isso. Tornei meu estágio de ser ímpar algo prazeroso e fico arisca quando alguém me tenta remover dele. Não ignoro minha condição e nem considero que seja tranquilo me manter assim, mas convenhamos que dá menos trabalho ficar só.Tem gente que parece ostra, de tanto que fica envolvida por ela mesma. Gosto de ostra, mas dá muito trabalho para comer e eu tô querendo algo menos complicadinho, entende?
Estava assim...só- aliás, estou só- até que um olhar me perseguiu numa noite dessas me encontrando naqueles dias de guarda, com um humor que não era o meu e completamente ensimesmada diante de várias situações que aconteciam no ambiente. Fui grossa, mas abri mão de minhas rasas convicções e dei uma trégua ao moçoilo enviando para ele meu número de celular. Passei dois dias de sublimação, joguei fora todas as minhas armas e me distraí das coisas todas que não me são essenciais, inclusive o medo de me envolver, mas o que é mera distração? O que é essencial? Que segredos há no dia que acorda que não nos poupa de mais uma ilusão?
Vivi dois dia mágicos, mas uma falta, uma jogada mal pensada é cartão vermelho para mim. Estou com medo de estar equivocada, mas podem me pedir tudo menos que eu não erre.
Detesto descaso, distração bestial, ou falta de cuidado. Detesto esperar e, é por isso que não teço espectativas de nada.
Sei que não me compete escolher a duração das coisas, mas a profundidade de cada uma delas é que me fazem encontrar as minhas escolhas e, se posso escolher, escolho o que seja muito porque "pouco pra mim é tão pouco e pouco eu não quero mais."
Estou me defendendo, talvez esteja errando, talvez esteja me precipitando, mas digo sempre e repito- tenho uma preguiça enorme de sofrer- então antes que essa probalidade vire estatística, dou um pulo para a outra margem e atravesso qualquer espécie de purgatório futuro.
Ando me permitindo pouco ultimamente. Ando me divertindo mais exatamente por isso. Tornei meu estágio de ser ímpar algo prazeroso e fico arisca quando alguém me tenta remover dele. Não ignoro minha condição e nem considero que seja tranquilo me manter assim, mas convenhamos que dá menos trabalho ficar só.Tem gente que parece ostra, de tanto que fica envolvida por ela mesma. Gosto de ostra, mas dá muito trabalho para comer e eu tô querendo algo menos complicadinho, entende?
Estava assim...só- aliás, estou só- até que um olhar me perseguiu numa noite dessas me encontrando naqueles dias de guarda, com um humor que não era o meu e completamente ensimesmada diante de várias situações que aconteciam no ambiente. Fui grossa, mas abri mão de minhas rasas convicções e dei uma trégua ao moçoilo enviando para ele meu número de celular. Passei dois dias de sublimação, joguei fora todas as minhas armas e me distraí das coisas todas que não me são essenciais, inclusive o medo de me envolver, mas o que é mera distração? O que é essencial? Que segredos há no dia que acorda que não nos poupa de mais uma ilusão?
Vivi dois dia mágicos, mas uma falta, uma jogada mal pensada é cartão vermelho para mim. Estou com medo de estar equivocada, mas podem me pedir tudo menos que eu não erre.
Detesto descaso, distração bestial, ou falta de cuidado. Detesto esperar e, é por isso que não teço espectativas de nada.
Sei que não me compete escolher a duração das coisas, mas a profundidade de cada uma delas é que me fazem encontrar as minhas escolhas e, se posso escolher, escolho o que seja muito porque "pouco pra mim é tão pouco e pouco eu não quero mais."
terça-feira, 6 de março de 2012
YES, WE CAN !!!!
Ando tão à flor da pele que até um latido me faz chorar. Há dias que estou assim... pensando bem há mêses que estou assim- em todos os sentidos. Estou me saindo mais manhosa do que criança cujo o pirulito lhe foi roubado. Choro por tudo e por todos e inclusive por mim -"obóvio"-.
Não escreverei como de praxe, pois a postagem já vem pronta de um site que acabei de ler. Estava pensando se devo ou não prestar um outro concurso e no meio desse pensamento me sabotando um pouco, pra variar. Tenho essa ridícula capacidade de me sentir inferior e quando estou com a sensibilidade aflorada é bem pior.
Mas a porrada veio em forma de sacode, de superação, de desejo e fé me deixando claro mais uma vez que tudo está sobre o nosso comando e manutenção.
Kallil chegou com a irmã para o primeiro dia de aula e no caminho já encontrou amigos. Em sala, da primeira fila, acompanhou a apresentação dos professores do curso de Geografia.
A faixa de parabéns ainda está na porta da casa da família desde o dia em que saiu a lista dos aprovados da Universidade Federal de Goiás. Teve até festa para comemorar essa conquista. “Valeu a pena o apoio que a gente deu para ele. É uma superação, porque muitas pessoas ainda têm preconceito com a Síndrome de Down”, diz a irmã do garoto.
Na infância, Kallil estudou apenas dois anos em uma escola especial. Depois os pais decidiram que ele iria frequentar um colégio que oferece ensino regular. Lá, Kallil aprendeu não só a ler e a escrever. Foi frequentando a escola e se relacionando com outros estudantes, que ele decidiu dar um passo importante na vida de muita gente: ir para a universidade.
“Isso é um exemplo para a sociedade em geral começar a observar essas pessoas de uma forma diferente. O mercado de trabalho tem que pensar nessas pessoas como pessoas ativas, que elas conseguem ter sua condição de sobrevivência”, acredita Márcio Freitas, ex-professor de Kallil.
O maior orgulho da família é que ele concorreu de igual para igual, não teve uma correção diferenciada, um procedimento comum para candidatos com necessidade especial.
A família torce para que outros portadores da Síndrome de Down sigam o mesmo caminho. “A gente gostaria que não a imagem do Kallil, mas a situação servisse para contribuir com os outros pais que vivem a mesma situação. Para que eles possam acreditar em seus filhos, investir em seus filhos”, diz Eunice Tavares, mãe de Kallil.
Ercília foi proibida de estudar pelo pai, mas superou as dificuldades.
Não escreverei como de praxe, pois a postagem já vem pronta de um site que acabei de ler. Estava pensando se devo ou não prestar um outro concurso e no meio desse pensamento me sabotando um pouco, pra variar. Tenho essa ridícula capacidade de me sentir inferior e quando estou com a sensibilidade aflorada é bem pior.
Mas a porrada veio em forma de sacode, de superação, de desejo e fé me deixando claro mais uma vez que tudo está sobre o nosso comando e manutenção.
Jovem com Síndrome de Down passa em universidade federal de GO
Kallil Assis conseguiu passar no vestibular da Universidade Federal de Goiás. A faculdade de Geografia fica em Jataí, no interior do estado.

A faixa de parabéns ainda está na porta da casa da família desde o dia em que saiu a lista dos aprovados da Universidade Federal de Goiás. Teve até festa para comemorar essa conquista. “Valeu a pena o apoio que a gente deu para ele. É uma superação, porque muitas pessoas ainda têm preconceito com a Síndrome de Down”, diz a irmã do garoto.
Na infância, Kallil estudou apenas dois anos em uma escola especial. Depois os pais decidiram que ele iria frequentar um colégio que oferece ensino regular. Lá, Kallil aprendeu não só a ler e a escrever. Foi frequentando a escola e se relacionando com outros estudantes, que ele decidiu dar um passo importante na vida de muita gente: ir para a universidade.
“Isso é um exemplo para a sociedade em geral começar a observar essas pessoas de uma forma diferente. O mercado de trabalho tem que pensar nessas pessoas como pessoas ativas, que elas conseguem ter sua condição de sobrevivência”, acredita Márcio Freitas, ex-professor de Kallil.
O maior orgulho da família é que ele concorreu de igual para igual, não teve uma correção diferenciada, um procedimento comum para candidatos com necessidade especial.
A família torce para que outros portadores da Síndrome de Down sigam o mesmo caminho. “A gente gostaria que não a imagem do Kallil, mas a situação servisse para contribuir com os outros pais que vivem a mesma situação. Para que eles possam acreditar em seus filhos, investir em seus filhos”, diz Eunice Tavares, mãe de Kallil.
Com livros achados no lixo, catadora passa em vestibular no ES
Ercília foi proibida de estudar pelo pai, mas superou as dificuldades.
Ela foi aprovada no curso de Artes Plásticas, na Ufes.
"Obrigado Deus por esse presente, pela luta e por mais essa conquista". Essas foram as palavras escritas pela catadora de lixo Ercília Stanciany, de 41 anos, que foi aprovada no último vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), para o curso de Artes Plásticas. Apesar de ter interrompido os estudos na infância após terminar a 4ª série do ensino fundamental, depois de adulta, ela continuou a estudar pelos livros que encontrava no lixo.
A família de Ercília residia em Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas há oito anos se mudou para o Espírito Santo. Foi nessa época que ela, sem alternativas para ajudar a sustentar a casa, resolveu ganhar a vida catando materiais recicláveis.
Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Ela explicou que o pai a obrigou a parar de ir à escola quando criança para ajudá-lo na marcenaria que trabalhava. "Meu pai falava que de forma alguma eu iria estudar e ainda dizia que eu nunca seria nada na vida", disse.
Livros no lixoNo lixo, ela encontrou muitos livros e um cartaz que anunciava um curso para jovens e adultos em escolas públicas. Ercília se matriculou e, apesar das dificuldades para ir às aulas, se formou no ensino médio.
Uma conquista seguiu a outra, já que no último vestibular da Ufes a catadora foi aprovada no curso de Artes Plásticas. "Quando fui assinar minha matrícula eu tremia. Saí de lá emocionada. Cheguei no ponto de ônibus e perdi até a noção de como chegar em casa", contou.
Sobre arte, Ercília é familiarizada e, desde jovem, desenvolve o talento de fazer pinturas em tecido. Sem dúvidas, a maior arte que sabe fazer é transformar a dificuldade em motivação.
A família de Ercília residia em Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas há oito anos se mudou para o Espírito Santo. Foi nessa época que ela, sem alternativas para ajudar a sustentar a casa, resolveu ganhar a vida catando materiais recicláveis.
Ercília Stanciany foi aprovada no último vestibular para o curso de Artes Plásticas (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Meu pai dizia que eu nunca seria nada"
Ercília Stanciany, catadora de lixo aprovada na Ufes
Livros no lixoNo lixo, ela encontrou muitos livros e um cartaz que anunciava um curso para jovens e adultos em escolas públicas. Ercília se matriculou e, apesar das dificuldades para ir às aulas, se formou no ensino médio.
Uma conquista seguiu a outra, já que no último vestibular da Ufes a catadora foi aprovada no curso de Artes Plásticas. "Quando fui assinar minha matrícula eu tremia. Saí de lá emocionada. Cheguei no ponto de ônibus e perdi até a noção de como chegar em casa", contou.
Sobre arte, Ercília é familiarizada e, desde jovem, desenvolve o talento de fazer pinturas em tecido. Sem dúvidas, a maior arte que sabe fazer é transformar a dificuldade em motivação.
segunda-feira, 5 de março de 2012
DA FESTA DA CARNE
Essa é minha primeira postagem pós carnaval. Tanto já me aconteceu de lá para cá que daria um livro.
Como de costume passei meus dias de "festa da carne" no Rio - cidade que , na minha opinião, tem um carnaval mais verdadeiro. Claro que vi coisas maravilhosas, que sai em blocos nostalgicos, que vi gente mijando na rua, que me embriaguei de saudades e que , felizmente, conheci um monte de gente nova, mas nenhum Pierrot que tirasse essa Colombina do escuro... Fazer o que, ne?
Assisti aqueles desfiles de "um tudo", como dizia a minha vó, com o olhar voltado para a infância onde a chegada do carnaval era aos poucos e as pessoas se vestiam de mascarados sujos com muita clareza nos olhos. Nos rádios tocavam marchinhas e muito samba enredo que eram acompanhados pela felicidade sem tamanho de minha mãe. Ela brilhava com aquelas estrelinhas em volta dos olhos e um vidro de lança perfume nas mãos que lançava nos pescoços dos outros e, vez por outra tombava meio tonta em algum lugar. Eu me ria inteira, enfeitava com qualquer coisa minha cabeça e rezava pra crescer e poder ir aos bailes noturnos nos clubes de minha Sucupira.
Existia uma magia que não vejo mais. Não vejo faz é tempo, mas não queria assumir, não queria perder a festa interior que causa em mim essa brincadeira. Hoje o carnaval é um jogo narcisista, individualista e competitivo. As moçoilas de família vendem a alma para exibirem seus corpões sarados a base de muita bomba e esquecem dos confetes e serpentinas.
Parafraseando Jabor, o carnaval deixou de ser vivido para ser olhado. Isso é verdade, pois nem música de carnaval toca mais - o que ainda encontro em alguns blocos do Rio, graças a Nossa Senhora do Carnaval.
Carnaval sempre foi sexo, não dá pra disfarçar, mas havia uma certa inibição no ar, uma certa fantasia para compor as alas e não perder o enredo, uma determinada harmonia pra não desafinar, saca?
Hoje tá tudo perdido, o carnaval desglamorizado e eu pelas ladeiras tentando ser a essência do carnaval, pode?
Mas valeu. Não dá pra se ter todos os sonhos realizados, mas realizei um. Desfilei na minha escola querida. Vi Cacique de Ramos e a Mangueira num só coração, vi beleza pulsando em todos os cantos da Sapucaí e, vi meus olhos voltados pra minha bandeira branca me fazendo entender que a vida é a arte e que ela existe porque a vida precisa de arremedos pra despertar nossa dança interior.
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