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terça-feira, 2 de agosto de 2011

SÓ DÓI QUANDO EU RESPIRO I

                                                                                 

Durante alguns dias me mantive muito distante. Distante de mim ,do todo e do tudo. Fiquei meio "mulundun" e não acho justo que as pessoas tenham que suportar esse estágio que em mim fica insuportável.
Prometi não escrever sobre o que aconteceu com Douglas há cerca de um ano atrás, mas devido ao que ocorreu com o Arthur achei que seria prudente tecer algumas falas sobre isso.
Estou muito preocupada com os nossos adolescentes, com suas posturas diante da vida e com sua falta de postura diante da mesma. Tenho a sensação de que eles estão se considerando super heróis e às vezes se jogam do décimo andar de um prédio imaginando um voo indolor e outras sufocam o riso, a lágrima, a própria vida e vão nos deixando orfãos de esperanças.
O que está acontecendo com os nossos meninos? Em qual momento deixamos de exercer a nossa autoridade e passamos a ser permissivos em nome de uma ausência imposta pela sociedade? Quando foi que eles perderam sua herança e linhagem e passaram a ser ou representar o que possuem ou não possuem?
Já reparou que quando as pessoas se referem a outras que não sabemos ou não lembramos quem são, elas as relacionam a algo material? É tipo assim... Pedro do Cross Fox ou Jane da casa de Búzios. Ora... ora perdemos o nosso referêncial e já não somos mais Adriana filha de Adnorah que borda coisas lindas e que adora contar histórias. Não somos mais vistos como seres únicos e cheios de personalidade. Adolescente hoje parece que saiu em série. Usam as mesmas roupas,tratam com descaso os mais velhos e a maioria viove etilicamente perdido nas noites...
Onde estão os pais nessa hora? Por que eles se tornaram reféns de seus filhos ? Por que houve essa inversão de valores?
Por isso não queria escrever. Por isso estou "mulundun". Por isso me decepciono tanto... até comigo.
Tá doendo muito ver uma gente miuda  tão perdida. Somos seres sozinhos e muitas vezes passamos por uma encarnação para permanecer assim...impares. Isso não pode ser visto como o fim. Viver é um desafio. Viver é uma entrega continua,mas parece que não estamos ensinando isso aos nossos filhos. Não estamos ensinando a amar.
A sensação que tenho é que quanto mais eles se entregam maior é o pânico de ficar sozinho na doação, de ser uma miragem afetiva e ai por não suportar serem desamados... se encantam- como diria Guimarães Rosa- e ficam desalmados.
Não tenho nenhuma receita para aliviar a dor e nehuma fórmula para reeducar o meu ,o teu e os nossos meninos, mas certamente temos que reeducá-los não para serem ricos, mas para serem felizes. Assim eles saberão o valor das coisas e não seus preços.

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