terça-feira, 30 de julho de 2013
EU GOSTO DISSO
Repentinamente senti saudades do beijo que não ousei dar.
Senti saudades do olhar que prometi e que furtei de mim, pois poderia ter visto refletido no outro.
Atrevidamente consenti a suposta possibilidade de um dia.
Uma vez mais permiti uma travessia interna,
Um riso nervoso,
Um risco a mais,
Uma verdade a menos,
Uma violação nas ordens das coisas,
Sinto essa saudade por covardia
Isso provoca uma certa hemorragia em minha alma
Mas me faz descansar a carne também
Tira-me da agonia
Acrescenta ao meu paladar uma escrita já conhecida
Saber que não há futuro e que, no depois, nem a saudade
Nem a vontade, nem o olhar serão capazes de me resgatar.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
PERDOANDO O DESTINO
Ele liga, eu atendo.
Fala coisas que não entendo
Veste uma fantasia qualquer- pois precisa disso por ser covarde-
Tece frases que não combinam
Tropeça nas suas falsas histórias
Fabula um monte de "eus"
E depois...some
Não me consome
Não me conhece
Não me merece e
Será para sempre
Quase meu
Como tudo que não nos pertence
Como aquilo que um dia nos comoveu
Como aguardente no fim da noite
Liberando as dores e revelando as pausas
Que nos permitem, apenas,
Perdoar o destino pelo que não nos concedeu.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
DECiFRA-ME OU TE DEVORO
Nunca somos
Nunca estamos
Nossas tentativas são ensaios
Nosso espetáculo nunca estreia
Já te disse que bicho eu seria?
Que tipo de erva, se eu pudesse ser, te entorpeceria?
Já te falei qual brincadeira mais gosto?
Pera, uva, maça?!
Já me viste única?
Eu, múltipla e só?
Que silêncio eu te gritaria, já se perguntou?
Nua ou vestida?
Santa ou vertiginosa?
Qual de mim eu te daria?Sabes?
Não!?
Pois para nós
Seria essa melodia.
Nunca estamos
Nossas tentativas são ensaios
Nosso espetáculo nunca estreia
Já te disse que bicho eu seria?
Que tipo de erva, se eu pudesse ser, te entorpeceria?
Já te falei qual brincadeira mais gosto?
Pera, uva, maça?!
Já me viste única?
Eu, múltipla e só?
Que silêncio eu te gritaria, já se perguntou?
Nua ou vestida?
Santa ou vertiginosa?
Qual de mim eu te daria?Sabes?
Não!?
Pois para nós
Seria essa melodia.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
CE QUE LES MOTS ME DISENT
Sei que não sou um sujeito simples
Logo, não exijas de mim conjunções
Pré/ posições, advérbios repletos de modos
Para verbalizar meus adjetivos tantos
Meu pretérito não é
E nunca será perfeito
Transito buscando meu objeto
Às vezes direto
Outras indireto
Mas toda eu
Sou artigo indefinido
Toda eu exerço, defectivamente, verbo/ação
Construo-me entre aditivas, explicativas
Adversativas e interrogativas
Como??
Não só sendo uma causa
Coordeno minhas orações
De forma comparativa
Pra me parecer um pouco comigo
Ou com quem, vez ou outra ,habita em mim
Como agora
Nesses versos
Deixando vestígios do que sou
Essa oração em que o futuro
Tão presente
Se transforma
Em pedido
Vocativo
Onde tudo que queria
No imperativo
Fosse um verbo de ligação.
É isso que as palavras me dizem.
Das Preta.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
PRA QUEM SABE ME LER
Faço o possível, quase sempre, para respeitar a opinião alheia. Procuro ser polida, educada, amigável, mas sou humana, logo, tenho minhas falhas e meu tempo, e não sou de ferro, nem barata, e barata nem tem sangue, mas eu tenho e ele ferve, e ferve, e ferve.
Dias desses dei uma saída. Fui ao Rio, voltei- no mesmo dia- e ainda deu tempo de assistir ao espetáculo de um amigo. Nada demais até aqui, nada demais. Nada de mais não fosse eu sair do espetáculo e trocar minha casa por um boteco. Uma cervejinha para relaxar, um papo bom e, lógico, um problema. Problema sim. Sabe quando você está na sua e repentinamente aparece na sua frente um cidadão que faz teu peito acelerar? - o nome disso é tesão- Que faz você acreditar que ele te olha assim porque você é a pessoa mais interessante do mundo?- o nome disso é carência-. Pois bem, apareceu. Bonito, inteligente, com um humor especial e doido. Completamente doido. Mas quem nunca conheceu alguém assim? Esse é outro problema...eu só co-nhe-ço gen-te as-sim. No quesito sexo oposto, tudo é oposto ao que desejo. A pilantragem alheia corre solta. Conheço gente tão piegas que chega ao ridículo de esconder a aliança no bolso e ligar depois pra perguntar se não deixou cair em seu quintal. Se deixou, sabe o que eu faço??? derreto, derreto e mando fazer um pingente com a inicial letra do nome do canalha.
Pois bem conheci mais um erro assim, desses que no final nos faz rir- de raiva e de graça mesmo- o fato é que esse veio com uma dosagem de pensamentos que beiram ao patético e ao doentio. Não gosto de gente viciada em nada. Nem em Deus. Deus não gosta de fanatismo, não condena, não julga, não define suas escolhas. Conheço o cara- Deus- e, sendo assim, posso falar sobre ele. Conversamos todos os dias por longos tempos. Ele me ensinou que tem de existir simplicidade nas orações, que palavras repetidas sem ser entendidas criam muitos constrangimentos, que é mais fácil amar e que a ninguém foi dado o direito de perdoar se for pecador, logo, não existe perdão e nem pecado- acho-, se agimos com o nosso coração e o aprendizado que ele, verdadeiramente, recebeu para o bem, tudo bem. Quem inventou essa coisa de pagar pelo que fez- não escrevo sobre crimes ediondos-, quem criou essa monotonia de regras absurdas a serem seguidas foram os juízes- internos e externos- que carregamos e que depois criaram habeas corpus. Tudo doido, como o moço que conheci.
Sei que nos tempos atuais nos fazem engolir muitas coisas, são tantas as informações que fica ipossível assimilar tantas coisas e ainda lidar com algumas delas como se nos servisse para reflexão. Isso faz enlouquecer, leva a piração.
Para muita gente a literatura não serve pra nada, a arte não serve para nada, são perfumaria. Ambas, pra mim, são a salvação. Preciso transgredir e não tenho medo disso. Não creio na obrigação do desejo, nem na fidelidade imposta. Acredito que quando nos tornamos reféns de um seguimento, seja ele religioso, político, amoroso ou sei lá o que, estamos abrindo mão do que somos de fato, do que acreditamos realmente e nos deixamos ser tocados como boiada.
Viver, se relacionar, conhecer, se deixar conhecer não está sendo fácil, eu sei. Há um homem-bomba dentro de cada um de nós. Então, façamos o seguinte: desativemos todas elas, as bombas, deixemo-nos ser o que somos... sem medos, sem travas, com uma dose de limite, sim. Mas sem dupla personalidade, sem falsidade, com um pouco de silêncio, oração poesia e coragem.
terça-feira, 7 de maio de 2013
DEIXA FLUIR
Difícil depois de um hiato, nada breve, voltar a alimentar esse rapaz com minhas divagações.
Esta é a minha primeira postagem do ano, esta é minha primeira vontade de escrever aqui, no blog, nesse 2013, que já foi de tantas duras perdas e sábias intenções.
Talvez não tenha escrito por falta de honestidade ou pelo excesso da mesma. Talvez por não me sentir afinada em algumas canções ou simplesmente por achar o mundo pouco matizado por um tempo.
Começo a postagem querendo dar explicações ao que não me é cobrado. Por quê? Sei lá...Por falta de assunto, por não saber por onde começar ou para, simplesmente, começar.
Viajar sempre foi meu maior prazer. Conhecer lugares e culturas diferentes, entrar em contato com um habitat ímpar, conversar com matutos e especialistas em "um tudo" como diria minha vó. Fiz , em janeiro, uma viagem a Salvador. Conheci uma gente alegre e educada, diferente de como me pintavam. Emocionei-me com tudo. Chorei com a casa de Jorge Amado, com os terreiros que visitei no Pelourinho, com as igrejas que são indescritíveis e com as ladeiras que subi e desci. Emocionei-me com a capacidade da natureza de nos presentear com coisas tão inusitadas e belas. Nenhum por do sol se compara ao de lá ( perdoem-me os Ipanemenses), nenhuma gente é tão colorida, tão hospitaleira. Senti-me em casa.
Descansei minha alma e ri de mim e comigo nos momentos de ilusão. Mas houve algo que me deixou muda, calada, introspectiva. Em uma madrugada, em Salvador, morri um pouco. Nessa madrugada em que estava chegando de um bar, morri diversas vezes. Penso que tenha sido esse episódio que me fez podar a escrita, que me enlouqueceu de medo, que me fez ver o quanto somos tênues, rápidos e fugazes. Nessa madrugada, em Santa Maria, jovens da idade do meu filho, da idade dos amigos do meu filho, da idade que já tive e fazia planos para um futuro tiveram suas vidas ceifadas pelo descaso... Não vou repetir o que foi dito durante todos os meses que se seguiram após essa tragédia. Não se faz necessário. Escrevi porque, certamente, a minha escrita sofreu um trauma, não queria escrever sobre e não queria falar da minha felicidade. Havia eu dado uma "morrida" também.
Fico pensando nos pais desses jovens, nos amigos, em quem esteve lá e conseguiu sair. Fico pensando em como é feito esse rodízio da humanidade e, ao pensar nisso e em tantas outras coisas que o tempo nos aponta, penso que muitas vezes por descuido não cuidamos, por preconceito nos privamos, por excesso nos diminuimos. Não quero nunca, nunca me arrepender de não ter me doado, não ter perdoado, não ter beijado, não ter me encantado. O tempo de estar é agora. Amanhã é um dia que pode ou não existir. Ser é viver em cada ínfimo segundo com vontade e crença de que esse é o melhor instante e que ele não se repetirá.
Tá louca essa mulher? Não, está se deixando rejuvenecer. Quianto tempo será essa duração? O tempo que durar. Vai valer a pena? Sempre vale a pena quando a alma não é pequena...a minha é capaz de se multiplicar.
Lá vou eu de novo para um novo começo!!!
Não posso carregar traumas e medos, tristeza e desamor. Careço de conversas com humor, olhares de luz, lições de meninos e manter toda a minha alegria revitalizada. Preciso deixar-me "fluir" nesse tempo que não é quando, mas é agora.
sábado, 29 de dezembro de 2012
LUZ NEGRA
Talvez esta seja minha última postagem do ano que se finda. Talvez não. Talvez o ano nem termine...talvez eu traga as mesmas dúvidas que você. Talvez não. Os próximos dias serão iguais, feitos de dúvidas e de razões, de esperanças, insônias, inquietações e achismos. Escrevo e escuto Dolores e suas dores, Nelsom Cavaquinho e seus apelos de amores pra serem esquecicidos.Há uma súplica em ambos que me entristece por tamanha beleza..."ninho de amor vazio" dói, mas nos faz ter a certeza de algum instante ocupado e possíveis futuros/presentes guardados. Escrevo, leio, faço outras coisas enquanto isso e dentro disso rio e choro me despedindo dos dias do ano que se vai e vai... e fica em mim a certeza de que muito ainda não mudou, muito ainda é ressaca, muito ainda é fantasia por vir, muito é muita de muita saudade que, se fica, é porque foi presente.
Sinto-me introspectiva olhando a cara dos dias que se foram. Gosto desse momento meu de solidão e compania de mim para mim, mas me dobrei aos instantes que me foram ou me eram sem que nunca tivessem sido de fato, saca? Uma certa ironia do destino que traçamos e que alguém nem viu. Há algo no fim do ano que me remete ao meu dentro que já "tá por fora" para muitos e , ainda assim, me vou para a próxima temporada de competições, desilusões, pois a vida, também , é feita desse tipo de atropelo e /ou afago que trago no meu intervalo de vida.
Preciso enfrentar a piaração dos dias futuros. Preciso ser artista no palco, realista na vida e eu mesma nos dois lugares. Trabalho hercúleo, acredite, pois há em mim mulheres que só eu conheço, não porque me escondo, mas o outro nem me dá tempo de me conhecer devido ao fato de que quer muito , mas sem o trabalho da conquista, do desvendar, do aprimorar , do se afinar.
Hoje , mais que sempre, mais que nunca estou desenhada de música e , acredite, a melhor de todas delas.
Deixo pra você o que me invade, o que me faz calar.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
LEVE COMO UMA MENINA
Há tempos eu e uns amigos nos reunimos no dia 27 de dezembro pra a nossa virada de ano, pois sabemos não ser possível fazermos isso juntos no dia 31. Hoje foi mais uma vez especial. Grussaí estava linda!! A lua clareava de tal forma a beira mar que dispensava fogueira para o nosso encontro.Estávamos emocionados e sensíveis com tudo que nos era, ali, revelado de maneira simples, porem sublime, entende?
Nunca fui um ser que acredita na capacidade de lidar com a vida de maneira solitária- dá pena ver gente assim-, gente que centraliza, defende como seu o que é do coletivo. Nesse nosso encontro- de almas- fazemos uma retrospectiva do ano que se finda, agradecemos pelas coisas conquistadas e repetimos pedidos que não nos foram aceitos e invocamos, coletivamente, amor, saúde, prosperidade e trabalho- para que possamos realizar sonhos de consumo, pois não há outra forma de conseguirmos.- Depois dançamos e rezamos as orações que nos foram ensinadas desde pequenos e que, com o tempo, ganham a força que precisamos. Aproveitamos e comemos frutas para manter o corpo em sintonia coma alma e por fim nos abraçamos e desejamos que a luz esteja com cada um de nós diariamente.
Acabei de chegar em casa com o espírito leve e fresco como de uma menina. Cheguei em casa pensando em tudo que conversamos, nos amigos que não estão mais comigo e que se foram pra terra do encantado e em tudo que vivi até aqui. Enquanto escrevo um filme passa em capítulos na tela de minha memória e eu descubro o quanto a vida está sendo generosa comigo que quase deixei de crer que fosse possível encontrar alguém que enetendesse meu silêncio e minha intenção, que não parece ter a estranha mania que tem as pessoas de querer nos modificar. Que também busca o outro, o diferente e não o próprio reflexo. Eu confessso que busco o leve, o espontâneo, o carinhoso, o viajante, o garoto, o que não veio com uma fórmula, que respeita meu relógio emocional e jura sentir saudades de mim e dorme junto comigo, dividindo travesseiro, e que chegou rápido e está...
Agradeci muito por tudo, mas sobretudo agradeci pelo meu encontro comigo, pela minha relação com meu filho e família, pela beleza que são Pedro e Mariana e pela fidelidade do meu irmão. Agradeci pela sua aparição em minha vida, Preto, pela nossa troca e calma, pela nossa espera e vontade de tentar. Agradeci aos amigos- raros- que tenho e pedi perdão por me deixar enganar vez ou outra, mas aprendo com isso. Agradeci pela vida que é exatamente como construímos e ao meu incansável coração que teve a chance de se encantar mais uma vez.
Feliz 2013!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
SÓ PRA VOCÊ
Sou aquela que permitiu
Que sua vida esbarrasse na minha
Que cultiva teus versos, sambas e fantasias
E se faz imortal para o valente moço
Que me liberta a alma
Sou pérola da tua concha
Corte da tua espada
Que na bainha ainda se guarda
Os segredos, em mim guardados,
Estão perto de ser revelados
E se fazem guerra...
É somente pra te encontrar em paz
Sou alguém que quer ser enlouquecida
Que reza por massagem nos pés,
Um banho de banheira,
Uma festa de uma noite inteira,
Que quer ver respeitado o choro
Que tem calma e riso no gozo
Que sempre quer mais
- não sou dada à migalhas-
Se você grita comigo
Automaticamente revido
-às vezes em silêncio-
Desaforo é coisa pra não se levar
Detesto constância...preciso de saudades
Para alimentar minha escrita
Meu cabelos foram feitos para serem despenteados
E minhas costas para serem, publicamente, alisadas
Logo, abuse desse sortilégio
Minha vida é só minha
Mas posso alinhavá-la na tua
Acredite nas minhas hipóteses
Respeite meus estágios de solidão
E só retorne se eu pedir
Gosto de mãos... gosto demais
Ah! gosto mais ainda dos caminhos
Que elas descobrem em mim
De pescoço...gosto, gosto muito
De boca e saliva gosto mais
Gosto, irremediavelmente, do conjunto que me toca
De pernas, bunda, dedos, olhos, olhares, promessas e olhar..
Se gostar de leitura, faço até jura
Se acreditar em espíritos, sou capaz de levitar
Se não entender nada disso...
Basta brincar de me encantar
Que eu te encanto e juro...não te deixo recuar.
Das Preta.
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