quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
EU SINTO, E VOCÊ?
Tantas são as personagens que rondam minha mente criativa que fico sem saber com qual delas estou familiarizada neste momento.
Não sou Captu, mas carrego esses meus olhos de ressaca. Esses olhos de quem muito bebeu da vida e que se prepara para uma nova temporada dentro desse meu deserto que me leva a mirar, ao longe, cada vez mais, o teu perdido olhar escondido na aba de um chapéu. Carrego esses olhos que, às vezes, absortos vão tragando do tempo a essência e, entre uma queda e outra, depois da noite insône, confessa que a dor que dói e reverbera é de saudade. Saudade de ontem, saudade do que surpreende, saudade do que se mostra sensível e que deve-se se manter distante- para o bem de todos- saudade límpida e adolescente..saudade que alimenta e encanta.
Sei que carrego, também, esses olhos de cigana oblíqua e dissimulada, que não quer enfeitiçar ninguém, mas que perece daquela troca de olhar. Um olhar que cura o porre da vida com troca, com descanso , com alguma possibilidade. Um olhar que esclareça o porquê dessa minha ressaca no olhar que se faz tão mar ao anoitecer e se deixa marejar pela falta do teu.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
PENSANDO...
De uns dias pra cá tenho me enfeitado de maneira diferente. Tenho procurado dentro de mim um outro tipo de gente que não se pareça tanto comigo e que viva deslumbrada com o que cria. A verdade é que sou uma gente que não se permitiu sentir inveja. Inveja é um sentimento doentio e tirano, mas... tenho andado com uma inveja danada dos amantes. Fico namorando os casais que passam por mim de mãos dadas, com olhos que cumprem promessas e um andar de confiança que meu Deus do céu...dana a doer em mim.
Acho que o nome é carência, ou não. De verdade, na verdade mesmo, nunca me dei atenção nesse aspécto. Acho que solidão é estado de espírito e quase nunca me sinto assim, mas de uns dias pra cá... a coisa parece ter perdido a cor, eu pareço que perdi meu resto de inocência e meu olhar parou pra me ver passar. Talvez seja essa estrada construída para o final de ano. As promessas repetidas, as ilusões transitadas, as necessidades recolhidas durante todo um ano onde repetimos"não tenho tempo pra nada". Será que perdi teu olhar? Será que um instante mágico foi deixado pra depois e eu o perdi?
Hoje senti inveja da atendente do consultório. Ela falava ao telefone com alguém que lhe deu uma noite daquelas que a gente fica lânguida por séculos, sabe? Como se viver não fosse nem mais vital, pois a energia é a troca com o outro.Impressionante é que suas palavras tinham um tom aveludado de paixão e sexo que me fez criar uma história linda bem no meu dentro de mim e eu percebi que tenho preguiça de sofrer, mas isso também faz parte da respiração. Percebi que lá no meu dentro eu queria poder ter vivido aquilo que ela descrevia ,sem pudor, e que era lindo.
Há coisas que não acontecem quando se é ímpar. Há coisas que imploram por um par. Há coisas que não aconteceram pra acontecer e há outras que precisamos conquistar. Preciso ensaiar mais um olhar que demonstre o que quero, penso e sinto. Preciso afinar mais a fala e estreitar meus gestos. Preciso frequentar outras paragens, preciso me reapaixonar por mim pra que você me veja como sou. Inteira.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
METÁ METÁ
Ontem foi noite de insônia. Mulherzinha pra me enlouquecer essa! Trouxe como companhia alguns versos que , confesso, me expõem demais. Li , reli, me emocionei , baixei músicas... chorei. Gosto de pesquisar e acabei lembrando de uma cantora que me foi apresentada e encontrei um CD novo dela.
De presente fica pra você uma música que tem um arranjo pra lá de perfeito e uma poesia que gostaria de ter escrito.
PAPEL SULFITE
De presente fica pra você uma música que tem um arranjo pra lá de perfeito e uma poesia que gostaria de ter escrito.
PAPEL SULFITE
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
E SE ISSO FOR ALGUM DEFEITO, POR MIM, TUDO BEM.
Faço coisas que, às vezes, me deixam rindo sozinha. Sou meio despassarada , mas incapaz de não dar ombro, colo, carinho pra quem fica como cachorrinho pedinte abanando o rabo pra mim. Sei que preciso pedir desculpas aos meus mais queridos amigos que me emprestam seus espaços de tempo, mas ontem... ontem foi um dia de muitas indagações, ensaio de porre (ele não chegou a vigorar) e risos de minha criança que chorou- e muito- diante de algumas revelações.
Descobri ontem, enquanto chorava, que há muitos ensinamentos dispersos no mar de minha mocidade. Descobri também que tenho medo de me navegar, pois sou correnteza demais. Descobri que o tempo se encarrega de nos trazer e levar para esse mar de descobertas e, que no meu mais interior há resquícios do que nunca fui e que amadureci , mas não me permiti endurecer. Descobri que tudo em você independe do que quero e que quando sou deixada de lado imediatamente um dispositivo dentro de mim é ativado, e eu tenho a tendência de repudiar o outro por tempo indeterminado. Descobri que a gente tinha a capacidade de achar, quando criança, que padre não peca, que espírita é um ser de retidão e que amar é para sempre. Não nos ensinam , na infância , que pra sempre é sempre por um triz. Descobri que minha vida é tão preciosa que nada me mantém ,por tanto tempo, infeliz.
Por fim, descobri, enquanto ria, que nada de tão tolo pode nos fazer perder o ar, que nas pequenas emoções estão os mais eternos instantes e que a minha criança interior não se envergonha de ainda ser e me carrega pelas mãos para brincar nesse parque de diversões que é a vida.
Obrigada aos que gozam dessa roda gigante comigo!!
terça-feira, 22 de novembro de 2011
AMANTES
Agora sou nada
Nem atrevida
Nem bizarra
Sou um anuncio no
Jornal da praça
"Procurada" como caça.
Agora ainda espero tudo.
Depois do gozo
A luz nos leva ao escuro
Amantes dormem juntos - em sonho-
E acenam pro instante presente
Sabem , em silêncio,
Que não há futuro...
E que o próximo encontro
Poderá ter um ausente.
das preta
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
VIVER É PRA QUEM NASCE E SE SURPREENDE COM ISSO TODOS OS DIAS
A melhor coisa da vida, depois do encontro, é o reencontro. Gosto de reencontrar pessoas, de ouvir o que elas têm pra me mostrar, de me encantar com elas e de , no dia seguinte, poder tirar proveito de algo que tenha ficado em mim.
Pessoas são, às vezes, meio evasivas, se colocam em postura de superioridade, mas na hora da cólica, o destino é o mesmo.
Devaneios meus de impressões do fim de semana. Serei breve para narrar o que vi, senti e vivi.
Fui ao teatro e assisti ao espetáculo "Juventude Interrompida". O que falar do que foi apresentado naquele palco? Simplismente DIVINO! Mais que um exercício, uma direção irretocável,uns atores conscientes e desprovidos de qualquer preconceito. Atores de verdade, cheios de cumplicidade e de precisão. Sabiam o que estavam fazendo e faziam com tanta naturalidade e maestria que Romeu era Romeu e Julieta Julieta independente do sexo dos atores, pois em cena quatro rapazes interpretando Shakespeare de forma tão inusitada e transparente que minha alma toda ficou em estado de levitação e não pude resistir a uma esticada para tentar ver um olhar...
Te ver era uma coisa muito desejada. Não consigo frear meus desejos. Tenho uma sede imensa de tudo e me sinto carente de abraços e transições. Vim ao mundo para viver e ser feliz, mas não me imponho essa felicidade de comerciais de televisão. Minha necessidade é mais interna. Meu carro do ano é teu olhar, minha casa em Búzios é um abraço teu que aquece minha pele e arrepia todo meu interior.
Gosto de saber que a vida é uma surpresa e que isso me faz entendê-la melhor. Sou artista e náufraga de mim. Sou poeta e espiã. Sou boêmia e apaixonada por botecos e espero um clássico de rock no fim da noite pra saber que os embalos de sábado continuam e que continuo "carregando carências que só um noturno de Chopin pode aquietar.
Algumas coisas, em mim, só são amparadas pelo sorriso de quem, por agora, me seduz e tenho que dizer que seu olhar quando me olha, me molha e ele nem sente.
Tudo em mim é pra mim. Tudo em você está para você como a vida , que é tua, está para mim. ( Que brê é esse??)
Quero ser ,cotidianamente, enfeitiçada pelo mundo. Não me importa se o que vou construindo é de areia. Sei sonhar e gosto dessa possibilidade de encanto. Nada de nossa fala é direta e isso surpreende os próximos dias, mesmo que eles não aconteçam...
Ser livre pode ser algo muito perigoso. Então, de vez em quando, me prendo a alguém dentro de mim e só pra mim.( tudo é por minha conta e risco). Não acredito em cara metade, Deus me fêz inteira e perfeita e se algo me falta, certamente, não estará no outro e sim em mim que sou um labirinto de possibilidades. Não gosto de indiscrição, não gosto de amarras, gosto de mãos e gosto muito. De gaiolas... quero distância... Preciso de espaço para ter espaço, mas se for pra me prender em algo, por um breve e eterno espaço de tempo..que seja entre suas pernas e se for pra escutar a sua voz fora das canções, que seja pra me desejar..."bom dia!"
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
DA SÉRIE: ELA É CARIOCA
Minha vida está um caos- no que diz respeito a arrumação-. Depois de uns 40 dias de obra a vida parece querer voltar ao normal, mas sabemos que desarrumar é facílimo e que reorganizar é tarefa para uma gente com tempo e paciência de sobra - volterei nas próximas encarnações para exercitar ambos- e que eu, infelizmente não tenho.
O assunto é que ontem, enquanto organizava ,em pastas, vários riscos e rabiscos, encontrei algo que escrevi quando em 2007 assisti no Canecão ao show do meu marido, Chico Buarque - ele não sabe disso-. Gostei do que li e lembrei de cada detalhe daquela noite em que reencontrei alguém que encontrara na minha meninice e que acabou sendo meu eleito até que um tipo de morte nos separou.
SORTILÉGIO DE CHICO
Numa noite dessas em que tudo pode acontecer, deixei o desejo ser mais forte que a vontade. Teci para mim mesma um sortilégio em que me prometia uma arrebatadora explosão. Vesti-me de luz, brilho e esperanças. Canalizei apenas pensamentos bons e libertei-me de meu passado e de meus fantasmas. Prometi e cumpri não chorar por um amor e deixei-o lá em meu relicário me permitindo ser conduzida pelas mãos das novas possibilidades.
Invadi, soberana, o mágico e musical ambiente. A música era concreta e fazia aguçar em mim uma vontade de ser minha novamente e me reencontrar repleta de planos futuros.
Observei cada detalhe daquele espaço onde veria , pela segunda vez, meu ídolo. Sabia, lá no meu intimo que quando o escutasse de viva voz ficaria embriagada e emocionada.
Sentada em meu lugar escolhido e bem perto do palco fiquei espectativamente aguardando aqueles olhos verdes de ardósia iluminar a paisagem tão esperada por mim.
O show era "Carioca"e, sem dúvida, levaria ao meu íntimo mais que melodias.
O pedido feito ao garçom deixou todos estupefatos. Pedi um refrigerante, pois não queria que nada desviasse minha atenção. Queria estar embriagada de sua poesia e voz. Me prometi lucidez e enquanto ele cantava eu ouvia "as declarações mais belas de um sonhador Titã". Meu peito dava "nó em paralela" e naquele instante eu era sua maior fã...
Várias músicas interpretadas e "na rádio cabeça" todas que eram tocadas me remetiam a algum instante do tempo onde fui qualquer coisa ou sentimento com "todo sentimento".O mundo parecia ter parado e só existia aquele momento. "Eu era o seu pião, seu bicho" e ele o meu preferido que atravessava a janela de meus olhos só para eu "ver a banda passar falando coisas de amor..."
Ao som de "Fado Tropical" meu "Folhetim" desfiou tim-tim por tim-tim esboçando meus "Anos Dourados", minhas "Vitrines querendo passar"
Eu que não cria em Deus "ergui as mãos para os céus e agradeci por estar ali como se fosse num romance." Imaginei "o homem dos meus sonhos me aparecendo num dancing."
A minha alma e cabeça já estavam "pelas tabelas" procurando "com açucar e com afeto" "qualquer amor".
Chegava o momento final do show e eu ia reforçando meu sortilégio: Ser feliz, mesmo por um triz. Toda a mulher que ali estava "vivia a te buscar e pensando em ti, corria contra o tempo".
Dentro de mim um medo enorme de nada acontecer...Cale-se!! preciso do bis !!e minha alma doida gritando..."Vou voltar/haja o que houver/eu vou voltar.."
Finda a festa . Levitação bestial. O que é amor? O vento batia em minha cara como se fizesse uma transformação ou me conduzindo pra uma nova viagem.
Depois de muito caminhar cheguei a um lugar com mais música,música, música. Era isso que eu queria, mais música.
Uma hora depois de me encontrar naquele Rio Scenarium, entre uma valsa e outra ,achei o meu par. Éramos dois olhos. Dois sedentos e grandes olhos se encontrando pela 1° vez. Éramos uma grande vontade de tudo.
Mudos. Completamente mudos. Ficamos assim por um tempo como se tivéssemos desejado a noite inteira a mesma coisa.
Estava realizado o sortilégio. Encontrei uma parte que podia se repartir pra mim. Encontrei um ser inteiro e me fiz inteira pra esse acontecimento.
"Lhe dei meu corpo, minha alegria em troca ele me amou tanto e de tanto amar achava que eu era bonita. Fizemos amor como quem tropeça nas estrelas e andávamos pela casa como que flutua."
Era o meu romance e ele me apareceu num dancing e eu disse "sim". Tornei-me sua amiga, sua comida, sua irmã seu incesto. Perfeita...igualzinha...traiçoeira, cria da sua costela. Ele estava lá, outra vez, no lugar que era todo seu, de volta para o Rio.
Vivi os dias mais dourados de minha vida, mas ele foi sumindo...por aí e me mostrando que a cidade é um vão... Olha a voz que me resta, a veia que salta, a gota que falta pro desfecho da festa.
Te deixei jurando nunca mais olhar pra trás, mas é tanta saudade...é pra matar...
Melhor mesmo é isso: deixar em paz meu coração e entender que nos amamos feito dois pagãos.
Agora me diz...pra onde ainda é que eu posso ir?
O assunto é que ontem, enquanto organizava ,em pastas, vários riscos e rabiscos, encontrei algo que escrevi quando em 2007 assisti no Canecão ao show do meu marido, Chico Buarque - ele não sabe disso-. Gostei do que li e lembrei de cada detalhe daquela noite em que reencontrei alguém que encontrara na minha meninice e que acabou sendo meu eleito até que um tipo de morte nos separou.
SORTILÉGIO DE CHICO
Numa noite dessas em que tudo pode acontecer, deixei o desejo ser mais forte que a vontade. Teci para mim mesma um sortilégio em que me prometia uma arrebatadora explosão. Vesti-me de luz, brilho e esperanças. Canalizei apenas pensamentos bons e libertei-me de meu passado e de meus fantasmas. Prometi e cumpri não chorar por um amor e deixei-o lá em meu relicário me permitindo ser conduzida pelas mãos das novas possibilidades.
Invadi, soberana, o mágico e musical ambiente. A música era concreta e fazia aguçar em mim uma vontade de ser minha novamente e me reencontrar repleta de planos futuros.
Observei cada detalhe daquele espaço onde veria , pela segunda vez, meu ídolo. Sabia, lá no meu intimo que quando o escutasse de viva voz ficaria embriagada e emocionada.
Sentada em meu lugar escolhido e bem perto do palco fiquei espectativamente aguardando aqueles olhos verdes de ardósia iluminar a paisagem tão esperada por mim.
O show era "Carioca"e, sem dúvida, levaria ao meu íntimo mais que melodias.
O pedido feito ao garçom deixou todos estupefatos. Pedi um refrigerante, pois não queria que nada desviasse minha atenção. Queria estar embriagada de sua poesia e voz. Me prometi lucidez e enquanto ele cantava eu ouvia "as declarações mais belas de um sonhador Titã". Meu peito dava "nó em paralela" e naquele instante eu era sua maior fã...
Várias músicas interpretadas e "na rádio cabeça" todas que eram tocadas me remetiam a algum instante do tempo onde fui qualquer coisa ou sentimento com "todo sentimento".O mundo parecia ter parado e só existia aquele momento. "Eu era o seu pião, seu bicho" e ele o meu preferido que atravessava a janela de meus olhos só para eu "ver a banda passar falando coisas de amor..."
Ao som de "Fado Tropical" meu "Folhetim" desfiou tim-tim por tim-tim esboçando meus "Anos Dourados", minhas "Vitrines querendo passar"
Eu que não cria em Deus "ergui as mãos para os céus e agradeci por estar ali como se fosse num romance." Imaginei "o homem dos meus sonhos me aparecendo num dancing."
A minha alma e cabeça já estavam "pelas tabelas" procurando "com açucar e com afeto" "qualquer amor".
Chegava o momento final do show e eu ia reforçando meu sortilégio: Ser feliz, mesmo por um triz. Toda a mulher que ali estava "vivia a te buscar e pensando em ti, corria contra o tempo".
Dentro de mim um medo enorme de nada acontecer...Cale-se!! preciso do bis !!e minha alma doida gritando..."Vou voltar/haja o que houver/eu vou voltar.."
Finda a festa . Levitação bestial. O que é amor? O vento batia em minha cara como se fizesse uma transformação ou me conduzindo pra uma nova viagem.
Depois de muito caminhar cheguei a um lugar com mais música,música, música. Era isso que eu queria, mais música.
Uma hora depois de me encontrar naquele Rio Scenarium, entre uma valsa e outra ,achei o meu par. Éramos dois olhos. Dois sedentos e grandes olhos se encontrando pela 1° vez. Éramos uma grande vontade de tudo.
Mudos. Completamente mudos. Ficamos assim por um tempo como se tivéssemos desejado a noite inteira a mesma coisa.
Estava realizado o sortilégio. Encontrei uma parte que podia se repartir pra mim. Encontrei um ser inteiro e me fiz inteira pra esse acontecimento.
"Lhe dei meu corpo, minha alegria em troca ele me amou tanto e de tanto amar achava que eu era bonita. Fizemos amor como quem tropeça nas estrelas e andávamos pela casa como que flutua."
Era o meu romance e ele me apareceu num dancing e eu disse "sim". Tornei-me sua amiga, sua comida, sua irmã seu incesto. Perfeita...igualzinha...traiçoeira, cria da sua costela. Ele estava lá, outra vez, no lugar que era todo seu, de volta para o Rio.
Vivi os dias mais dourados de minha vida, mas ele foi sumindo...por aí e me mostrando que a cidade é um vão... Olha a voz que me resta, a veia que salta, a gota que falta pro desfecho da festa.
Te deixei jurando nunca mais olhar pra trás, mas é tanta saudade...é pra matar...
Melhor mesmo é isso: deixar em paz meu coração e entender que nos amamos feito dois pagãos.
Agora me diz...pra onde ainda é que eu posso ir?
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
EU QUERO ME LIBERTAR
Não sei de quantas amarras é feita a vida. Ser livre é pretensão de qualquer mortal, mas às vezes ficamos solitários com liberdade demais, sei lá. Há liberdade demais?
Sinto-me livre, de verdade, mas algumas vezes as amarras do outro faz você bloquear desejos, faz você repensar possibilidades, faz você se lapidar e perder a essência por se vigiar demais.
A semana que passou foi cheia de surpresas, cheia de gratas surpresas musicais, cheia de confissões e novidadeiras declarações de ciúmes. Acho ciúme uma coisa tão desmedida. Como você pode ter a ousadia de se apossar da vida alheia? Como você pode pensar que tem o direito de trazer para si um ar que não é o teu? Sei que por ter um exercício de liberdade incomum- isso nem chega a ser opção, é o que é- algumas pessoas ignoram o fato de não me conhecerem de verdade e se enchem de achismo a respeito de como sou. Como podem querer desvendar um mistério que nem eu, dona dele, consigo?! Gente doida essa...
Voltando a semana... O show em homenagem a Divina Elizeth foi de tirar o fôlego. Eliana arrasou e conseguiu o que ,na verdade, é o coração projeto. Dar um tom de teatro ao lance. Foi lindo!!
Depois de um tanto de lágrimas foi a vez de matar saudades de amigos, de dar vaga ao saudosismo e a nostalgia, de fazer uma grande viagem aos anos 80, na Festa Naftalina regada a muita cerveja gelada, Legião Urbana, Capital Inicial, Frenéticas e um montão de Kid Abelha. Como é bom ter o corpo bailando no que gosta. Matei a saudade de mim. Matei a saudade que estava de alguns amigos que vejo pouco, me alimentei da essência que ainda nos resta e sai de lá à francesa como cabe a qualquer um que permitiu que a nostalgia lhe saisse pelos olhos...
No sábado, todo mundo espera alguma coisa à noite, tudo pode mudar, não?
Noite de rock no SESI. Não podia deixar de ir. Seriam releituras de clássicos dos anos 70 e com uma gente no palco que também me provocaria nostalgia. Lá fui eu pra mais um encontro comigo. Raro encontro em que também revi, de longe, amigos que não via há tempos. Na cabeça um filme antigo passava e eu, mais uma vez, deixei que as salgadinhas viessem à tona e lavassem minha alma. Vê-los no palco, lugar mais que sagrado pra mim, foi de uma magia inenarrável. Fico curiosa de saber qual a sensação de cada um... o riso e a cumplicidade entre eles é de fácil leitura o que, certamente, torna ainda mais sensível a apresentação.
Não estou fazendo critica. Estou perpetuando minha festa interior de um fim de semana pra lá de inusitado.
Por falar em inusitado e dar fim a esta postagem preciso escrever sobre o quanto é bom flutuar. O quanto é bom ser surpreendida, o quanto é bom poder ser engolida pelo teu olhar. Me senti ,no sábado, como uma adolescente que, com medo do tempo, se rende ao mesmo e se deixa libertar.
PS: " Eu gosto dos que têm fome
E morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem..."
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
CUMPRINDO PROMESSA
Uma vez me perguntaram se o que eu escrevo é confecional e eu respondi: nem sempre. No caso desse poema nunca passou pela minha cabeça que ele pudesse ser dedicado a alguém. Nunca pensei que, talvez, lá no meu interior morasse o ser que não habitara em mim...
De qualquer forma cumpro o prometido e posto para que você faça a sua análise, mas não crie espectativas... Pode até ser para você (rsrrsrsr).
DESCOBRIMENTO DE MIM
ENVOLVA-ME EM TEUS BRAÇOS
E ENSINA-ME A VOAR
ELEVA-ME A POSSIBILIDADE DE SER PÁSSARO
POSSIBILITA-ME A MAGIA DE VIAJAR EM TEU CÉU
SINALIZE AS PARTICULARIDADES RECONHECIDAS
RECONHEÇA AS DISTÂNCIAS
OS SONS DAS VOZES QUE ESCUTEI
OU VÁ À PUTA QUE O PARIU... E SEJA MODERNO
ME LIGA
ME TELEFONA
ME ACIONA EM TEU E-MAIL
ME CONVIDA PRA ESSA “DESPOESIA” DE FACEBOOK
MAS NÃO ME DELETE MAIS
NÃO ME ESCRAVIZE MAIS A ESSA ANGÚSTIA DAS HORAS
A ESSA INSENSATEZ DAS DEMORAS
A ESSE MUDO TELEFONE QUE NÃO TOCA
ME NAMORA ...VEM...
COMO ESFINGE
ME DEVORA TAMBÉM
ME ADORA
ME DEFLORA
OU DEFINITIVAMENTE
ME MANDE EMBORA
MAS SE FOR PRA FICAR
POETIZE
VINHO BRANCO
PÉTALAS DE ROSAS
CIGARROS DEPOIS
MAPEIA-ME
DE NORTE A SUL
ME DESPE
DE LESTE A OESTE
DEMARCA-ME
REDESCUBRA-ME
FINQUE EM MIM
SUA BANDEIRA
E MOLHE MEUS LITORAIS
SEJA MEU PADRE JESUÍTA
E EXPULSE OS ANTIGOS COLONIZADORES
QUE ANTES ME AVISTARAM E GRITARAM
SEXO À VISTA !!
ME CAMINHE
ME DESENCAMINHE
CAMINHA AS MINHAS TERRAS
MANDANDO NOTÍCIAS
QUE AQUI EM SE PLANTANDO
EU VOU TE DAR
VERÁS MINHAS PERNAS EM CRUZ
APONTE MINHAS RIQUEZAS
MEUS PEQUENOS E GRANDES MARES
MEU TIÂNGULO SEM BERMUDAS
MINHAS ILHAS
CAMINHE MILHAS E TRILHAS
PARA QUE EU TE DENOTE
TRAGA TODAS AS NAUS
ATÉ A BOCA DO RIO
E QUANDO AVISTAR-ME MONTE
SEJA CABRAL
PASCOAL
NICOLAU
MOLHE TODO MEU MAR
NAVEGUE-ME
QUANDO ME REPOUSAR
SEREI TEU PORTO SEGURO
TUA BAHIA DE TODOS OS SANTOS
PRA VOCÊ ATRACAR
ANCORAR
APORTAR
QUANDO ME COBRIR
VERÁS QUE SÓ FALTAVA VOCÊ
PRA ME HABITAR.
DAS PRETA.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
TÔDOIDA@.COM.BR
Há dias em que escrever pode parecer uma revelação. Há coisas que ficam melhores guardadas e silenciadas para não causarem danos.
Dentro de mim existe uma série de coisas não vividas, mas com posssibilidades futuras de novos estágios. Conversava com um amigo num dia desses quando ,de súbito, o moçoilo me dissse que existia em mim um ser que ora era forte e ora por demais frágil. Sou assim. Exatamente assim...humana. Não me resguardo de nada que a vida me oferece e quando aceito um presente faço dele uma festa até desgastá-lo. Quando esse presente não é de vidro ele não quebra, não desgasta e continua ali para ser acariciado, tocado, manuseado, vivido e respirado. Somos o que somos em cada situação. Depois de uma certa idade a única pessoa que nos engana é aquela que habita nós mesmos . Sabemos o que existe atrás de cada intenção e se nos permitimos ir além daquilo que somos capazes de encarar, isso não pode, jamais, ser visto como uma escolha em conjunto. Somos donos únicos e exclusivos do nosso querer, da nossa vontade, da nossa tesão e se partilhamos com o outro tudo isso é porque ,antes de nos entregarmos, já sabiámos que iríamos...e por nós.
Já sei que você deve estar pensando que estou doida e que não estou escrevendo coisa com coisa. Você quase tem razão. Tem um monte de coisas que gostaria de poder escrever, mas ainda não consigo sem deixar explícito que é para mim mesma e não pra você que faz parte, hoje , dessa minha escrita.
Sabe quando as coisas bastam pelas impressões que deixam e só? Gosto não. Gosto da coisa bem exposta, bem dita e direcionada. Respondo qualquer coisa sem constrangimento e deixo o outro constrangido com minha resposta , pois ele esperava que eu fosse "blasé" da mesma forma que ele é. Não sou. Não consigo e, acredite, fico cinza com isso.
Na vida há coisas que nos são cobradas...e muito. Mulher ,por exemplo, não pode manifestar seu desejo da mesma forma que o homem. Isso é doido! Somos animais iguais e se pra ele é permitida uma certa impunidade afetiva quando ele demonstra esse sentimento por outro que não é o seu companheiro, porque na carne feminina esse desejo é visto como algo devasso e vulgar?
Deixo no ar essa pergunta. Se puder me responda, pois preciso de opiniões.
Quanto aos encontros... cada um sabe o que é bacana pra si. Cada um sabe que tudo pode começar bem e terminar melhor ou não. Cada um sabe que a vida não é um conto de fadas e vê-la assim pode ser f%d@ no final.
Eu prefiro ter o sabor do encontro que me disperdiçar em degustações imaginárias. Prefiro morrer pelo meu excesso que pela minha contenção, mas como não vivo em uma ilha vou driblando a regra e fazendo de conta que esse roteiro, que está em minha mente há anos, não pode ser apresentado não.
Ainda me morro com esses filmes nunca rodados.
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