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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

EMPATE





Acostumar-se ao erro
Sabedoria dos amantes
Não precisaria de                                         
mais palavras
Para nos mostrarmos
farsantes
A farsa??
Um único ato
Cheio de inteligente
Graça
Está no riso
Sem dor
Então...
Não há farsa
onde tudo
um dia passa
Há apenas
A paisagem da dor.
E essa...
Essa meu amor
a gente
Colore
Essa a gente
Pinta
De uma outra cor
E se pra você
Não é música
Se pra você é só
Poesia...
Memorize
Transforme em
Afinada harmonia
Pra esse tipo de emblema
Não há um sistema
É raro
O tema
Amor...
Amor não é palavra
É matemática
Um mais um
E pronto
Nenhum...
É só acostumar-se
Ao erro
É só submete-lo
Ao acerto
É jogar.
Viver é um jogo
Aposte no outro
E seja você
Aposte junto com o outro
E perca você
Aposte e perca o outro
Ganhando você
Jogue de novo
Num outro
Pague pra ver
Redescubra no outro
O que não há
Em você
Descubra o outro
E perderá aquele
Que há em você
Perca o outro e
Arrisque um empate
Com você
Arrisque,
Arrisque
Um outro de novo
Embaralhe as cartas
Coloque-as na mesa
Escolha um naipe
Faça uma nova aposta
-Se gostas-
Mas assuma se perder.
Na máquina –caça níquel- amor
O único que perde
É quem tinha tudo
Pra vencer...

                                   DAS PRETA.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

EU COMIGO...VIAJANTE


 A noite passada foi mais uma noite insone. Foi uma noite de questionamentos internos, lágrimas de tristeza e raiva e uma introspecção que cabe a qualquer ser que, indignado, vai recapitulando o que chamam de erro.
A noite foi de vários riscos e rabiscos, de músicas ouvidas baixinho e de som de respiração de filho para me fazer entender mais de minha função mãe, mas acima de tudo a noite foi de lembranças e catarse.
Quando eu era criança a vida corria solta e leve. Eu não imaginava que crescer fosse tão cruel. Não imaginava que uma gente semelhante a mim fosse teimando em meu caminho a cavar buracos pra que eu mesma caisse.
Sempre fui um tipo de gente que, irreverente a tudo e a todos, assumiu com a vida o compromisso de ser feliz. Com o tempo descobri que a felicidade, tão ensinada pelos justos que me precederam, passou a ser artigo comprado em supermercados, lojas de conveniência ou uma permuta feita, na bacatela, para agradar aos alheios, e com isso me senti só, mas de uma forma ou de outra fui construindo meu mundo independente de olhares soturnos. Sou temerosa. Tenho medo de olho gordo, tenho medo de carrascos em pele de amigo, tenho medo de gente e gosto delas- que loucura, não?-. Tenho medo de quem me abraça e quando desfaz o abraço me espia, buscando em mim defeitos que nem eu conhecia.
Com o tempo fui me maturando e me tornando quase que uma estudiosa do outro. Fui me tornando mais só e descobrindo as vantagens que há nisso.
Olho para trás e vejo que me apaixonei muitas vezes, me estrepei algumas, fui futil em outras, enviuvei sem casar, matei um amor que me matou, falei e falei muito, mas nunca fui leviana. Nunca fiquei na superfície por medo, se o fiz foi por precaução, foi pra ganhar tempo.
A solidão é algo que não me apavora, mas ser jogada nela por despeito, e pior, por uma gente que me desconhece, que não é, nem está qualificada a me julgar... é de amargar essa dor que agora sinto.
Desde de pequena ouço -" cuidado! nem todo mundo que te sorri gosta de você". Não devo ter feito uma avaliação muito boa nesse contexto.
Não gosto de um monte de coisas, não gosto, por exemplo, de ser assunto, ou tese a ser discutida. Não sou um caso de estudo e se há alguém que esteja interessado em me conhecer que o faça sozinho e se surpreenda ou se arrependa, mas o faça antes de me atropelar sem que eu perceba. Ninguém sabe ,mas conservo uma irritante ingenuidade, ou melhor, conservava até agora pouco ( são 02:40 da matina). Ah! não gosto que futriquem minha vida, que revirem meus baús sem saber de minha essência. Não gosto que apontem meus defeitos como se eles não os tivessem. Não gosto que interfiram em minhas escolhas ou que me tratem como se minha vida fosse um coletivo onde todos podem dar sinal.
Sou um ser que dá a cara a tapa- é preciso, no mínimo, disposição para isso-, que honra seu ofício. Pago - e caro- pelo meu conhecimento. Tenho talento para o palco , mas não transformo minha vida num espetáculo. Cumpro meu papel de poeta, atriz, mãe, filha, amante- quando me deixam-, professor e faço com a minha vida aquilo que me convém. Vim ao mundo para viver, com a garantia de que cabe a mim essa função, logo não preciso que ninguém o faça por mim.
Gosto de polemizar, mas com gente inteligente. Nunca com medíocres...nunca.
Vim de onde não se imagina. Com uma história que foi conversada em sessões, mas dei alta ao analista antes do tempo, acho. Algumas histórias fariam Nelson Rodrigues querer retornar ao mundo dos quase vivos -rsrrsr-, mas nunca usei disso para justificar minha insegurança ou loucura.
Não sou temente a Deus, o respeito.
De todas as coisas do mundo a que menos gosto é de sofrer. Não tenho talento para isso. Sou preguiçosa para o sofrimento, mas me encolho na tristeza-como faço agora-. Fico triste de doer quando me atingem alma adentro- porque é a alma e não o corpo que se contorce com a injúria.
Ninguém sabe, de verdade, quais verdades traz o outro se não o conhece. Só quem o conhece (será?) sabe. Só quem faz a troca conhece os defeitos e esse, acredite, foi eleito como amigo, como alguém pra dar amparo, abrigo, como alguém que tem asas e nos leva pelo bico para voar.
Nunca tive problemas em pedir desculpas, mas que culpa tenho de não ter medo de dizer o que penso? Que culpa tenho de querer instigar o outro a pisar por caminhos que ele mesmo escolheu, mas se esquiva?
Um pouco de quando me entrego é questionável, por causa disso, condenável, e daí? Sou inteira em tudo que faço. Aprendi desde criança que assim valeria a pena dançar esse baile chamado vida, mas não me disseram que o maestro seria uma gente invejosa e disforme. Em meu baile essa gente não entra, não serve, não limpa, não interfere.
Denomino amor aquilo que faço com e por amor, mas essa palavra não impõe um seguimento único atrelado a conceitos duvidosos.Essa palavra é mais.
Amor é o que damos sem exigência de troca. Amor é quando importa, é quando nos tornamos surdos às intrigas, é quando rimos e/ou choramos diante do outro sem precisar nos defender. Amor é quando todo o resto é perfumaria.
De resto, do resto? não sei, não sei onde exatamente me encaixo, onde me defino, onde me traço. Mas sei, exatamente, como tocar em frente e o quanto é fugás ter que olhar pra trás.

PS: Um passeio em seu bico pra eu poder descansar minha cabeça que ainda fervilha, moço.
Posto a última música que escutei por volta das 04:00h

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

IMPRESSÕES



                                                                        
                                                        
Quando meu homem me pega por trás
E cheio de crimes revira minha cabeça
Vejo em seus olhos a inquietação
De suas histórias
Histórias que devem ter cercas
Devem ter se enfiado em buracos
Transformado o óbvio em superstições
Meu homem sabe do desejo
Sabe o que é paixão irrefreável e assim
Me pega de lado
E meus olhos é que  reviram afobados
Sabe que por ser de peixes
Me mergulha inteira e me molha
Sou curiosa de suas intimidades
E , dessa forma, vou usando de artimanhas
Solto fogos de artifícios e não indago coisa sequer
Vou nos criando novos na nudez de nossos atos
Quando ele me atravessa o corpo
Convivo com o perigo de enlouquecer
Mas me torno uma visitante de mim mesma
Construo pontes, edifícios,
 Cidades inteiras dentro de mim
Para que ele possa, de vez em quando, me habitar
Deixo escadas de serviço sempre à vista
-Caso ele caia sem aviso-
Para que escorregue ainda em mim
E entenda que não há risco em se deixar flutuar
Trago nos olhos e na púbis uma umidade latina
Que se arvora quando ele me encara
E minha boca revira sua língua e eu me deixo
Encharcar de forma indecifrável
A alma do meu homem, embora ele não saiba,
É revestida de um feminino velado
Tem choro, tem jura, tem fotos,
tem medo, tem carência, tem impulsos.
Dizem que ele “não presta” e que me falta juízo
Pra aceitar esse improviso ou essa situação.
 Somos donos de tantas viagens, tanta viradas,
Tantas falas, tantos gozos.
Em nossas horas já contamos sinuca, besteira,
Orgulho, churrasco, família, filhos, esquinas,
Fé, religião, força de Ogum e maturação.
Já nos doamos tanto, já nos permitimos tanto
Que do meu homem vou herdando o pouco sono
A safadeza, a esfregação e o silêncio.
Do meu homem vou herdando a depuração,
A lisura, o desconhecido e me faço travessia
Pra ele se perder no meu abraço,
Para não me negar amasso,
Pra ele me tirar da solidão.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PEQUENA MORTE

Morrer todos os dias em teus braços
Faz-me acreditar em cada sopro
Em cada desejo realizado
Em cada explicação para a vida                  
Que se atreve, clandestinamente,
Em arder as nervuras
Em arrancar minha blusa
Em lamber minha boca
Em me salvar da loucura do medo
Que tinha de morrer
E essa loucura
E essa liberdade
E essa "pequena morte"
Eu quero todas.

* Pequena morte= orgasmo ( assim chamam os franceses. Não é lindo? Então me mata, tá?) 

"Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce."
Preta.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

AINDA SOU UM MISTÉRIO PARA MIM

                                                                   
                                                                           
Aprendi a lidar com a morte depois de anos de minha existência. Acho que depois que comecei a entender que alma e corpo são de durações diferentes e que a primeira é eterna. Dizem que acreditar na reencarnação é um tipo de ideologia que consola, mas não vejo assim. Preciso muito de amparo quando alguém, que é meu, faz a passagem , o ritual da vida, a libertação. Preciso de afeto e amparo porque me morro também em cada um que se vai. Sinto como se parte de minha história, que foi vivida e não apenas contada , fosse aos poucos emudecendo e tornando vento que depois vira esquecimento.
A lista de meus mortos está crescendo em demasia nos últimos tempos. Antes , quando pequena , lutava para que alguém , que me dizia "não" e me educava com pulso de família, morresse... e eles nem morriam. Hoje os quero sentados em calçadas, admirando o novo instante e eles estão velhos e eu não os vivi como deveria, não os perdoei como me ensinaram, não os amei publicamente tentando imitá-los em sua arrogância banal.
Lá se foi, hoje, pra terra do nunca, mais um de minha estirpe, mais um de meu laço....mais um.
Perdi amigos que me fazem muita falta. Lembro deles com alegria , todos os dias. De Laís e Modesa resta uma saudade da risada gorda e das conversas infinitas. De Edu fica a saudade do amor que aprendemos a amar juntos. De tio Pedro, Marizo, Magaly e Lúcia todas as incapacidades de sermos explícitos, a religiosidade e as mentiras sadias -tipo histórias fantasiosas- que contavam. Sinto saudades tantas e de tantos que escrever me turva "as vistas", como dizia minha vó, de quem sinto, também, muitas saudades. De tia Iracy guardo o docíssimo bem querer e o olhar de quem está no mundo pronta pra tudo. De tia Seila a infantilidade e o desprendimento. De Neném a fala atropelada e a curiosidade...meu bau tá cheio e deverá guardar muitas recordações, ainda. Contra minha vontade, acredite.
Queria viver 99 anos só pra morrer antes de todos que amo, e que viverão até 100.
Queria saber quem escolhe a hora de voltar. Queria não ter aos quase 50 as mesmas dúvidas e os mesmos questionamentos a respeito da vida e da vida de  depois da vida. Fácil deve ser para os ateus, ou não? Deve existir neles uma angústia do nada, sei lá.
Preciso confiar que viver é pra ser divertido, é pra se adquirir conhecimento, é pra deixar saudades...é pra rir, chorar, amar , brincar e ter medo, mas acima de tudo, viver. Viver é pra viver e pronto.
Preciso aprender a ter mais placidez diante do inevitável, e quero muito, muito e muito jamais deixar de ser o que sou, jamais me esquivar dos meus sentimentos e não me desesperar por ver mais uma bola do fim de festa ser estourada em minha cara. Não sei - ao certo- pra onde vão os que amo, mas Deus com certeza ri, pois é o único que, certamente, sabe. - Como disse o poeta-.
Então...até um dia!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

NÃO FOSSE ISSO E ERA TANTO,NÃO FOSSE TANTO E ERA QUASE

Há certos dias em que o sol parece ter despertado para nos tornar lentos, aposto que a vida transcorre para alguns como se fosse uma brisa. De ontem para hoje várias coisas fervilham em meu interior, os fatos parecem não estabelecer contato algum entre eles e eu fico meio que sem saber como, ou o que acontece realmente. As palavras, todas, surgem em meu contexto de forma desconexa, como essas que por ora escrevo. Tudo em mim está meio desordenado...não sei se nunca soube ou se desaprendi a me entregar, não sei se é uma espécie de exercício que só acontece na despretensão, não sei se há momentos em que o outro transpira , desorientado, odores de "não se meta comigo e se o fizer...tome cuidado". Não sei um monte de coisas ou não me eduquei o suficiente para sabê-las, mas alguma coisa me incomoda e eu não consigo falar disso. Sou desconfiada- sempre escrevo essa frase- acho que por trás da maioria das manifestações existe uma necessidade de autopromoção e uma certa periculosidade em torno de quem foi atingido e daquele que quer revidar. Estamos vivendo um instante em que "achismos" opniões ou sei lá o que não podem ser publicadas,um instante em que um infeliz comentário leva para guilhotina um ser que, sem duvida, é tão desprezível que, certamente, nada sabe sobre inquisição, sequelas de séculos de tortura e/ou maldade extrema. Tudo é rotulado, tudo é medido, tudo é  necessáriamente explicitado. Até o "Eu te amo" pode ser violado e trasformado em seu cárcere.Cuidado! Temos que ter cuidado ao escrever, temos que ter cuidado ao criticar, temos que aprender a defender nosso pensamento e não transformá-lo em algo que possa se voltar contra nós.
Assisto todos os dias pessoas bossais, racistas, preconceituosas manifestarem sua indignação a respeito do racismo, do preconceito e de bossalidades, assisto também, essas mesmas pessoas, elegantemente, cometerem o mesmo pecado. Nada tenho contra aquele que levanta a bandeira do "me sinto profundamente ofendido", tudo tenho contra a quem não sabe o que diz, mas tenho mais pena que indignação. Tenho pena porque gente preconceituosa desconhece a sinceridade, não trabalha os afetos, não devora um livro, não ama livremente. Gente preconceituosa luta por cotas e não por conhecimento, luta por igualdade , mas não por entendimento, luta pelo que lhe foi negado, quando desde há muito, colocaram em salas de aulas pessoas para dar aos seus filhos o que eles já não mais recebem em casa que é berço , lutam por direitos e não deveres, por bolsas e não por um salário respeitoso  aos vários cidadãos das mais variadas profissões e, enfim não lutam por  mais referências para a construção de um mundo mais justo e melhor.
 Gente preconceituosa também é aquela que de tudo reclama, que proclama uma dor não sentida.
Sou negra, tenho mais de 40 anos, conheci gente que levou porrada por tudo, inclusive por ser gente, mas infelizmente, conheci também quem porrava, quem batia primeiro para perguntar depois, uma humanidade desumana que ainda rotula os"pretinhos" e abre a bocarra pra dizer "deveria estar no tronco". O problema é que, em alguns casos, muitos de nós não saimos de lá, muitos , ainda, somos açoitados pelo desgoverno que abandona periferia afora os negros que resistem numa miserável condição. Me desculpem os militantes, os ativistas , os ditos pacifistas, mas preconceituosa também é uma corja que, sentada em suas salas, no conforto de um gabinete, continuam , dia após dia assinando leis que torturam os mesmos negros que, quando se faz conveniente, defendem. Bonito, bonito de verdade será poder ver a minha gente não ser defendida, apenas, pela cor de sua pele, mas pelo tanto que fez e faz servindo ao mesmo Brasil. Bonito, bonito mesmo é dar a eles condições de defesa, não pra se ter mérito ,mas por sabê-los imbuídos no processo político, nunca mais como vítimas ,mas como uma classe que teve a oportunidade de ter direitos respeitados, de manifestar o que sente, que não tem seus votos comprados, ou trocados pelo que comer, que aprendeu o que lhes é justo, mas lhe foi violado. Bonito, bonito mesmo é num país miscigenado, nunca mais ser rotulado de mulato no sentido parco da palavra e deixar claro que todos somos, na alma, embora muitos discordem...refinados, lindos e essenciamente necessários, como deveria ser qualquer ser que são- quanto  condição de espécie humana- iguais.

                                                           

terça-feira, 23 de outubro de 2012

RESPOSTA AO TEMPO

Não imaginava, não no séc. XXI que ainda existisse aqueles cadernos que guardam questionários tão usados nos anos 70. Pois bem, eis que me deparei com um desses nessa semana. O encontro me jogou no centro do meu universo esquecido. Tudo ganhou um "que" de nostalgia- que em mim não é vago- que até de algumas respostas para determinadas perguntas me lembrei e, confesso, meus olhos marejaram por não ter em mim, por mais tempo, aquela menina que às vezes espia em meu olhar.
Entre um comentário e outro durante a aula tentei usar desse artíficio para trabalhar o conteúdo que seria aplicado e, de repente, não mais que de repente, uma aluna falou:"professora!! responde pra gente" e isso torno-se um coro de "responde, responde, responde...". Ri, ri deles e de mim, ri por ver na minha frente, uma gente que daqui  a alguns anos estará sentada sem lembrar mais do seu caderninho "questionário", ri porque lembrei de meus amigos de escola, ri por ter imaginado, como eles, que tudo é eterno...
Bem, não colocarei as perguntas aqui ,mas tentarei reproduzir algumas coisas que, radicalmente mudaram trinta e poucas anos depois.
Meu nome é Adriana, também me chamam de Preta. A idade é aquela que o lugar me exige ter. Agora tenho 14. Libriana, ecumênica com forte inclinação para o espiritismo, gosto demais, demais de gente que gosta e respeita gente. Não diria apaixonada, mas encantada. Medo de não acreditar em mais nada ou ninguém, de perder a pureza, de andar sem amigos, de não ter quem beijar.
Adoro carangueijo, camarão,ovo mexido com feijão e banana maçã (rsrsrs). Meu marido, Chico Buarque (rsrrs) Bibi Ferreira e Nanini. Rio de Janeiro/Lapa. Verão em Ipanema. Meu filho Caiã.Atafona/Pontal. Minha mãe e meu irmão. O Rock in Rio 85 - esse existiu de verdade- e todas as vezes que estive no Sambódromo. Nossa!! em Arraial do Cabo, eu tinha 19, 20 anos...rsrsrs. Teatro, música e livros. Vinho, um bom vinho tinto português. Adoro, adoro, mas tive poucos namorados. Tenho muita, muita preguiça de sofrer e isso me coloca em estado de vigia, mas de quando em quando me deixo ser levada pelas mãos de quem me deseja. Não mudaria nada, foram minhas escolhas que me tornaram o que sou e, gosto do que vejo e do que acredito. Gente corrupta, mas não apenas no sentido de política, gente que corrompe sentimentos, que humilha, que aniquila quem está por perto,gente que se julga superior e arrota uma fétida mania de expurgar suas palavras e ranços  gente leviana com o coração alheio, que menospreza, que guarda rancor, que não chora. Detesto gente que tem dificuldade pra se assumir. Romance, um pouco de ficção. Mais biblioteca que museus. Fotos, muitas fotos, de tudo e de todos. Índia...um dia eu irei. Saltos!! Altos!! Batom, máscara para olhos e delineador. Saias longas. Meus seios e minha boca. Do olhar e das mãos (principalmente do que faço com elas). Não se pode ter saudades de um tempo tão massacrado pela ditadura. Gosto do que se pensava e se construía naquela época, mas a época é triste. Anos 80.
Quando eu, enfim, crescer... crescer...rsrsrrsr!! Quero ser uma mulher que tenha um enorme prazer de ser o que é, quero fazer escolhas que ajudem no meu entendimento, não quero cultuar carência nem fracassos e nunca, nunca abrir mão de mim mesma...isso é crescer. Acho que já cresci!!


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SIMPLES



Depois que eu te pego
pela mão, querido
eu me atrevo no traço
e reinvento um destino
como quem gira na vida
um compasso.

Depois que me dispo, no leito
E te vejo passeando no tempo
Te sinto em minha anarquia
Faço, com você, uma espécie de trato
Descubro que me deixo perder em teu corpo
Porque é em mim 
Que me acho.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

SOMBRAS, APENAS.




As palavras têm andado por aí
Eu já li e sei.
Pelos teus olhos elas me olham
Passageiras,
Libertas das mulheres
Que se acumularam em mim
Mulheres que, sem que você perceba,
Venho noite e dia te mostrar.
De repente invento histórias
Visto-me de suspenses
Transito entre o real e o imaginário
E te ofereço, destemida, marcas de nascença
Jamais expostas
Jamais despidas
-Uma fase madura que se atreveu no ego-
As palavras em mim
Descem escadas,
Buscam o impossível,
Habitam sótãos
Que recheados de ideias
Invadem o cérebro e 
Modificam toda a mobília da sala
As palavras, saídas de mim,
Querem te convidar para
Furtivos encontros,
Bares inclusos,
Cinemas ordinários,
Paradisíacas paisagens,
Variados quartos de Motel.
As palavras, presas em mim,
Emancipam febres,
Inventam antigos desejos
Para as pontas dos teus dedos
Que libertam gozos ardis.
Preciso te mostrar, com palavras,
Meu cansaço,
Minhas vitórias,
Minhas armas e escudos,
Minhas mentiras e verdades,
Meus medos "passarinhos"
- de asa quebrar- liberta que sou
Preciso tirar os sapatos,
As calças,
A camisa e
Longamente te mostrar
Os pecado que, em nós,
O mundo cintila...
Mudos talvez sejamos,
Irremediavelmente,
Ridículos.
Olhados, de perto, 
Talvez sejamos estúpidos.
Vistos, por dentro, 
Talvez etejamos por fora.
Talvez sejamos frágeis e perecíveis
Talvez as palavras, apenas elas, tenham intimidades
Talvez sejamos
Chuva,
Vinho,
Poça ou
Rio...
Quem sabe no mar...
De palavras
Em ondas fotografadas
Sejamos sombras 
Cúmplices, apenas,
Como certas estrelas 
Que ,de longe,
Sabem-se vagarosas no andamento,
Passionais na transição,
Enlouquecidas na órbita e ébrias de sedução.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

MEU COLO,UM VINHO. TUDO QUE TENHO PARA TE DAR.

                                                              

Nada pode fazer um dia transcorrer perfeito quando a perfeição buscada não é aceita. Trabalhamos em uma cidade que descansa quando o assunto é superação, mas não podemos perder o nosso refinamento e nossa ousadia pois não nos deixamos cair no angu que eles cozinham evento após evento.
Saia do reduto, aposte em você e torne sua pesquisa e desejos em algo itinerante.
O que me incomoda é a falta de respeito conosco, sempre. O que me chateia é não receber, com raras excessões, o mesmo tratamento que recebem meus colegas cariocas, paulistas ou sei lá de onde chegam. Sou cosmopolita, baby. Sei que incomodo por saber chorar sem deixar inchaços no rosto. Choro por dentro, como você fez no instante em que me sacudiu e, me fez lembrar do Caio Fernando Abreu em um trecho mais ou menos assim..."Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros ... quero parar de me doar e começar a receber." Sei que ficamos esperando uma troca quando estamos ávidos dela e cheios de razão, sei que sabemos que podemos entregar para uma comunidade um pouco de conhecimento e beleza e olhares outros, mas não sabemos, ainda, como direcionar pessoas tacanhas, sem personalidade ao que entendemos como realização coletiva... fazer o quê?
Há possibilidades pra quem não envelhece a alma. A minha é um feto e ainda guarda o instante que lhe foi concebido a vida...o gozo. É disso que temos que envelhecer...de nos saber capazes de como Fênix renascer das cinzas.
Amanhã passa, sempre passa e aí..."Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre virgulas, aspas, reticências... eu vou gostando... eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou... e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos... e vou... dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar". Mas o problema é que pouco EU já não quero mais.Então ofereço o que posso em colo, palavras e vinho...o resto? O resto, sei lá.



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