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quinta-feira, 31 de maio de 2012

TEMPORARIAMANETE EM SILÊNCIO

                                                                              

Há alguns dias estou em silêncio. O silêncio, algumas vezes, é minha maneira de gritar, de dissolver rastros nada dignos que ficaram marcados em mim. É meu momento de ler, reler, assistir vídeos e voltar no tempo...
Talvez seja sobre isso que queira escrever. Talvez seja necessário me escutar e assumir, de vez, esse reflexo meio desrtocido do que sou e que é o próprio reflexo do tempo, esse Deus que nos devora e nos alimenta de uma espécie de "ecstasy" natural, que é a sede de vida.
Aos vinte anos não pensamos que teremos quarenta. Aos vinte anos sequer adimitimos a possibilidade de envelhecer, de ser história, de trazer no rosto e no corpo as marcas de toda uma geração que ficou para trás.
Já passei dos quarenta e só agora me dei conta disso. Só agora vejo que meu ritmo não é mais o mesmo, que meus desejos são outros e que minha ousadia tem um outro olhar, uma outra perspectiva, uma outra aventura. Minha alma continua dançante e cheia de tempos ávidos por mais tempos. Tenho muito para ser feliz, tenho muito para conhecer, tenho muito para amar e muito para ter prazer, mas diante de uma sociedade tão preocupada com esteriotipos e com um tipo de argumento tão caro em busca de uma jovialidade eterna, acabo me sentindo fora dos padrões e, acreditem, decidi que não poderei me deixar levar por essa falsas promessas e se puder, claro, manterei minha aparência o mais saudável possível, mas não quero e não vou, em nome de uma ditadura comportamental e estética, me travestir de silicones, botox e me tornar um ser plástificado, com um sorriso constante e um aspécto de "pelamordedeus" tudo aqui é meu.
Leio tudo que me chega aos olhos. Faço "de um tudo" para me manter em sintonia com o mundo, com o outro, com o conhecimento e fico admirada com muitas coisas que leio.
Dias desses li um artigo do Frei Beto em que um dos parágrafos revelava o seguinte:
"Uma pessoa é o seu corpo. Vive ao nutri-lo e faz dele expressão de amor e gera novos corpos. Morto o corpo, desaparece a pessoa. Contudo, chegamos às portas do terceiro milênio num mundo dominado pela cultura necrófila da glamorização de corpos aquinhoados por fama, beleza e riqueza, e a exclusão de corpos condenados pela pobreza."
Talvez estajamos pobres de Deus, pobres de amor, pobres de verdades e entupidos daquilo que é trivial, que é raso, que é banal. Estamos malhando mais o corpo que a mente,estamos mais preocupados com o olhar de quem nada vê do que com o nosso olhar sobre nós mesmos e acabamos nos deparando com uma sociedade que frequenta academias em excesso, mas desconhece o número de livrarias que há em sua cidade.
Estou em silêncio há alguns dias. O mesmo silêncio de quem sente fome e medo. O mesmo silêncio de quem, ainda, sonha em se ver no tempo exatamente como se é e não dá meneira que o mundo impõe que se deve ser. O mesmo silêncio de quem está construindo um novo tempo e que acredita, piamente, na "Doida Varrida" que irá me conceder o espaço tão sonhado em um tempo de alucinações e paranóias.
Somos e existimos para dar sentido a transição pelo qual o corpo passa. Nos cabe mantê-lo em harmonia, numa paz de criança dormindo e com um desejo perene de nos expressar.
Estou no aguardo do próximo ato e tenho fé que a "Doida Varrida" venha pra me fazer quebrar esse silêncio, essa fome e esse medo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

MERGULHO EM MIM

                                                            
Escrever não é função das mais fáceis. Lidar com o que sentimos e que, por vezes, queremos tornar explícito é correr o risco de sermos interpretados de forma errônea ou vulgar demais.
Sou um poço de ansiedade e sei que isso me conduz até a minha  mais profunda zona abissal. Faço levantamentos de minha vida e das escolhas que elejo e, na maioria das vezes, me coloco na cadeia,  presa, de castigo, pois sou a rainha dos equívocos, das areias movediças ,das rápidas ressureições.
Tenho tanto pavor do que penso que quase sempre, como agora, tenho vontade de escrever sobre umas coisas, mas acabo me sabotando e escrevendo sobre outras. Lanço minha rede , diariamente, em mares revoltos de onde , vez ou outra, consigo fisgar algo de substancioso , mas sou muito generosa e sempre devolvo ao mar aquilo que acho não ser de posse de uma só pessoa. Gosto do que se divide, do que se compartilha, do que se consagra com o tempo. Sei que muitas vezes minha rede segue seus dias em mar vazio, de águas turvas e de revoltosas maresias, mas disso também e feita a vida...de inanição. Não que eu concorde com isso ,mas deve fazer parte de algum tipo de acordo divino.
 Estou faxinando minha alma e com um medo doido de jogar fora o que , mesmo quebrado, possa ter conserto. Estou jogando fora sentimentos e gentes (isso é dorido demais) e se o faço não é por desleixo, mas por exercício de inquietação, por necessidade de leveza, por depuração. Estou fazendo uma limpeza de dentro pra fora, expulsando pessoas que já me ignoram e que não me deixaram sequer a chance de saber o porquê. Estou retirando de meus olhos aquela cortina de possibilidades de perdão, aquela crosta de mentiras que a gente vai cultuando com medo da solidão sem saber que solidão também é multi, também é una, também é muitidão.
Há tempos minha alma regressou de um passeio meio além mundo , meio depois de tudo, todo inteiro interior e que me fêz recordar um tempo que se faz longe... o tempo de quando eu era pequena e tinha medo de morrer, tinha medo de escuro, de bicho de pena e de gente muito grande. Continuo pequena, acho, pois meus medos ainda persistem, ainda me invadem ,com uma outra roupagem , eu sei, mas estão e são medos e eu não posso fazer de conta que não estão em  mim. Não posso tratar de suavizar coisas que me incomodam. A vida não nos foi dada para que perdêssemos as expressões, para que construíssemos muros de lamentações, túneis de desafetos e coisas pequeníssimas que nos enchem de frustrações. A vida é presente diário e nem precisa senha para se ter uma pesca feliz, nem se faz necessário abortar sonhos ou ignorar medos. Tem lá seus mistérios?? Tem!! e que bom que os tenhamos, que bom que sentemos lado a lado, em silêncio, com o tempo e tentemos desvendá-los, pois só se sai satisfeito de uma boa pescaria quem tem coragem de se lançar, como isca, ao mar...
Lá vou eu pra mais um mergulho!!!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

"A POESIA NÃO SE ENTREGA A QUEM A DEFINE"



                                                               
Já se vão 18 anos sem o poeta que encanta a todos! Dia 05/05 não foi dia para ter festejos, mas recordações… Eu não seria a mesma sem esse escritor que tornou a minha vida mais leve, feliz, mas não sem crítica e um pensamento atento ao cotidiano… Poeta da rotina, das experiências ordinárias, do que é comum, sem, no entanto, cair no usual. Quin é um autor que continua a nos fazer pensar nessas pequenas coisas do dia-a dia!                                                                 
"Quin" sempre foi um sujeito que sabia o que queria e sabia que seu nascimento a 30 de julho de 1906, foi o melhor que lhe aconteceu. Achava que confissão não transfigurada pela arte era indecente e dizia - "Minha vida está em meus poemas, meus poemas sou eu mesmo, nunca escrevi uma virgula que não fosse uma confissão."
Quim nasceu prematuramente num frio de 1grau, o que o deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobriu que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro- o mesmo tendo acontecido com Sir Isaac Newton.
Gostava de dizer sempre:
"Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras."

Pelo meu amor e pela minha luta com as palavras é que existe essa postagem pro meu "Quin", que quando muito menina chamava de "Quintanda" e passei a me alimentar de suas verduras letras, leguminosas frases e frutíferas ideias...

Projeto de Prefácio
Sábias agudezas… refinamentos…
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre…
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.


Seiscentos e Sessenta e Seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente …
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

A Verdadeira Arte de Amar
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

"FANTASIAS, CRENÇAS E CRENDICES". EU MEDIEI!!


                                                        
A vida está que é uma loucura. Não consigo dar conta de tudo -e quero tudo ao mesmo tempo-. Decidi editar algumas páginas da minha vida, fazer alguns acertos, cololocar ponto final onde havia redicências e enumerar minhas interrogações em uma pasta extra no meu desktop e, por essa causa, estou rareando minha escrita.
No último dia 26/04 participei de um encontro que me foi muito garatificante. Sou fã do compositor ,cantor e sambista Martinho da Vila e,  já há algum tempo, leio sua coluna no jornal "O Dia". Uma coluna que fala sobre assuntos das mais variadas esferas.
Bom, escrevo sobre o meu encontro com ele que aconteceu por ocasião do lançamento do seu livro "Fantasias, Crenças e Crendices" no Espaço Cultural do SESC. Foi uma noite pra lá de agradável, com muitas gentes na platéia atenta aos causos contado por esse homem plural que é Martinho da Vila.
 Falar sobre Martinho da Vila é pensar em pluricultura nacional, em força dos ancestrais e dos orixás, em fé na vida, na comunidade e na família, além de  passar, obrigatoriamente, pelo estudo da identidade cultural do país, em suas vertentes, tanto étnicas como culturais.  Focalizar Martinho da Vila, suas idéias e suas obras é mostrar um exemplo vivo de um brasileiro, descolonizado culturalmente e orgulhoso de si mesmo.
Ler Martinho é descobrir, nas entrelinhas, a alma de nossos ancestrais. Conversar com ele é uma aula de cidadania e um exercício de sensibilidade.
Fica a minha dica de leitura pra quem se entrega a arte da palavra como quem conversa com um amigo.



                                                                              
                                                                               
                                                                                

sexta-feira, 4 de maio de 2012

APELO MUITO SÉRIO, POIS ESTAMOS PERDENDO UM PATRIMÔNIO CULTURAL

                                                                      

                                                                     
Sim , eu poderia escrever sobre muitas coisas. Sim, talvez eu nem devesse escrever sobre isso, mas não, não , não e não. Não me calerei a respeito do que penso, pois nada devo a essa gente que pensa ser dona de uma cidade maquiada pelo mau gosto de quem a governa.
Faço parte de um grupo de teatro de pouquissimas gentes- quese um "bloco do eu sozinho"- mas cumpro meu ofício de cantriz carregando o nome deste grupo. Um grupo que pouco aparece no contexto cultural da cidade -no que diz respeito a reconhecimento do mesmo pelo poder público- grupo que esteve no grande centro em três espetáculos com direito a matéria de primeira página no caderno dois do Jornal " O Globo" e que entre tantas coisas recebeu o Prêmio Shell de Música em 2005, mas isso é bobagem para uma "Sucupira" que ao invés de exportar sua cultura, importa a alheia e por um preço que nós é que pagamos e nem somos questionados se é isso que queremos. Tudo se faz para entreter e engabelar um público que, distante do que também é cultura, fica com o trivial e perde a oportunidade de ter , realmente, algo que seja teu e de qualidade.
Me calei por opção durante meses e deixei de falar, postar ou pensar sobre assuntos que antes me irritavam deveras, mas quando abro jornais, quando leio em blogs e quando tenho em minha sala alunos com os olhos marejados de lágrimas por um ridículo descaso que está cometendo uma certa Erva Daninha de minha terra ....fico doida. Como pode, meu Deus, um ser que tem em sua cidade uma ONG que funciona por 16 anos, ensinando o melhor da música clássica e popular se manter irresponsavelmente, distante disso e permitir que a Orquestra seja  ignorada e colocada de forma humilhante, de pires na mão pedindo apoio exatamete pra quem deveria fazê-lo sem que isso lhe fosse exigido?
Lamento muito a ignorância de quem está à frente do que é "movimento cultural" na minha planície, mas as manifestações não se concentram apenas em jongos, bois pintadinhos e inaugurações de CEPOP com um carnaval que ainda tem muito para nos mostrar, mas isso não o assunto da postagem e minha opinião, nesse interim, de nada interessa.
O assunto a ser refletido é o fato de estarmos perdendo um Patrimônio Cultural da cidade que é a ONG Orquestrando a Vida, que ganhou fama e renome internacional.
A questão a ser decidida é de qe forma cada um de nós pode dar sua contribuição...simples, muito simples, vamos todos para a Praça São salvador, no próximo dia 09/05/2012 - quarta feira - defender e lutar por um patrimônio que é nosso, defender e lutar pela continuidade do exercício de conhecimento musical, defender e lutar por uma gente (700 crianças e adolescentes) que dependem disso. Dependem de nossa presença e sensibilidade.
Vamos usar uma fantasia, pois numa terra onde os sons dos tambores são mais importantes que toda uma orquestra a gente pode revolucionar e fazer um outro carnaval.
Conto com vocês !!!

"Com quase 16 anos de existência, a ONG Orquestrando a Vida foi criada através de uma parceria entre o Centro Cultura Musical de Campos e a Fundação Musical Simon Bolívar (“El Sistema”, da Venezuela). O maestro defende a sensibilidade das pessoas que podem ajudar o projeto e solicita o auxílio de empresários e do poder público, para que continue ensinando música a crianças e jovens através de suas seis orquestras sinfônicas e duas bandas.
 Na última segunda-feira, o maestro falou sobre o fim das orquestras e bandas no programa Folha no Ar, da PlenaTV. De acordo com Villela, todas as orquestras e bandas encerrarão suas atividades e apenas a Orquestra Mariuccia Iacovino cumprirá sua agenda de concertos de maio. “Em respeito ao público e aos artistas convidados que se apresentarão com a orquestra. Sexta(04), a Mariuccia Iacovino tem uma apresentação marcada para as 20h30, na Igreja de São Francisco, com o barítono Lício Bruno, considerado um dos grandes nomes do canto erudito no Brasil. E no dia 17 de maio, a orquestra participa de uma apresentação na Uenf, com a cantora Leila Pinheiro.


Depois destes concertos, a agenda será encerrada. Na nossa agenda, tínhamos apresentações no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, concertos em cinco festivais de inverno, duas turnês internacionais e concertos com Margareth Menezes, Neti Szpilman, corais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entre outros”, comentou Villela.
Para o maestro, a solução por chegar por meio de patrocínios, se possível imediato, para que o pagamento das despesas possa ser feito. “Temos corrido, batido de porta em porta, mas, embora tenhamos uma intensa agenda de concertos em Campos e no exterior, me parece que somos ignorados e esquecidos. Durante 16 anos, somos responsáveis por 98% da agenda de concertos em Campos, além de participar de concertos no Brasil e no exterior. Não consigo entender o porquê do descaso com um trabalho sério, de qualidade e comprometido com a sociedade”, comenta Villela.

O maestro lembra que esta não é a primeira vez que a ONG apresenta dificuldades. “A tristeza de poder ver sempre o trabalho ameaçado, o pouco caso e a lentidão é que nos dei-xam indignados. Somos um patrimônio vivo de nossa cidade. Levamos nossa cultura a muitos palcos de renome e lutamos todos os dias com a realidade difícil de nossas crianças e jovens, que vêm de vidas difíceis e se encontram em uma ONG que traz esperanças de um futuro melhor. A missão da ONG Orquestrando a Vida é grande, mas precisa da sociedade, do poder público e de empresários para poder continuar a existir”, disse indignado o maestro."
 
reunião com pais de alunos na quarta-feira, dia 02/05
 
                                                                                                                                                           
Concerto no SESC Campos... pouca gente, né??

terça-feira, 17 de abril de 2012

SEU CHICO E MINHA VONTADE DE BRINCAR

                                                                             
Não tenho muito pra escrever. Não tenho muito para dar de novidadeiro e ando com uma vontade- danada- de ficar escondida . Nesses dias fico lendo, estudando e escutando coisas novas.
Estava lendo uns emails quando me deparei com um que tinha um nome muito sugestivo pra uma Banda.O que logo me levou a crer que seria uma alusão ao "meu marido" Chico, o Buarque, mesmo. Não me contive e fui procurar no "iutubis" qualquer coisa que me levasse aos braços da Banda "Seu Chico" e, creiam, fiquei maluca. Eles conseguem fazer algo tão diferente e tão visceral que corresponde, exatamente, a tudo que outrora sonhei , mas não tive parceria, pois raros são os músicos da minha Sucupira que apostariam numa paisagem dessas, o que lamento.
Estou apaixonadamente encantada pelo Tibério Azul e suas performances, estou enlouquecida pelo seu jeito e ousadia, estou sedenta de gentes para brincar a sério comigo... tudo o que eu queria era uma gente com vontade de acreditar que dará certo,pois fazendo, sempre dá.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

DAS PERDAS E DOS GANHOS / DA SÉRIE ELE É MILITAR

                                                                        
Escrever não é um ato puramente descompromissado. Escrever requer aprofundameto, distanciamento e um pouco de inspiração, penso.
Ontem tive uma noite atípica, envolvida de energias espirituais e rezas fortes. Tenho um pacto com minha ancestralidade e acho incrível quando ela me convida para um encontro em que tudo fica mais leve e mais claro dando ao tempo um intervalo para o aproveitamento de sabedorias milenares.
Tenho passado por surpresas, como toda gente, e me decepcionado um pouco, com muita gente, mas isso faz parte da caminhada. Jamais desisto de alguma coisa , jamais acredito que não mereço o que desejo, jamais escondo meus sentimentos e isso me torna uma escritora mais vulnerável e ,certamente, menos sábia, mas me deixar ser eu, me permite olhar para o outro com a delicadeza de quem não está no mundo para situações mal resolvidas, para eternos enganos...para medos camuflados. Vim ao mundo para acontecer, para brilhar, para amar, para doer. Vim ao mundo para ser presenteada por um novo dia e reconhecer isso.
Dias desses li, não sei onde, que escrever é um silêncio, logo, o que escrevo é o que ,ainda, não ousei falar. O que escrevo é meu silêncio e meu ar, é meu compromisso comigo e meu grito gráfico pra chamar minha própria atenção e me tentar renovar.
Ontem, enquanto buscava essa renovação, tomei banho de ervas, acendi velas, fiz promessas e me aproximei do Deus que habita em mim, me fiz inteira e corajosa pra escrever no dia a dia a história que eu estou traçando pra mim, pois no final, nada é um encontro entre mim e você e sim uma volta do que eu sou pro que tenho sede de conquistar.
Te perder , hoje, nem dói mais.

terça-feira, 10 de abril de 2012

"TUDO NOS FALTA QUANDO NOS FALTAMOS"



Não gosto de enviar email postando correntes,mas esse é bem interessante,nos faz refletir sobre fatos do dia a dia,sobre nós mesmos e nossas atitudes perante os obstáculos que a vida nos proporciona.... Aproveito, então, para escrever um pouquinho a respeito de minhas escolhas. Escrevo, na verdade, pra mim, pra eu poder me entender e me perdoar, pois tenho uma mania terrível de me culpar pelos meus arroubos juvenis na idade da loba (rsrrrs).
Passo sempre por situações em que fico me repetindo;" Papai do Céu me livrou de alguma", mas será que é sempre assim? Será que não pode existir uma certa conspiração , ou mesmo um erro nosso, lá na ancestralidade que faz com que estejamos sempre na postura das perdas? Não sou um ser fácil, sei disso, mas não consigo entender uma série de fatos repetidos em minha vida, não consigo entender a rapidez de minhas relações quando isso não me é opcional.Talvez a minha originalidade amedronte as pessoas (me senti como um carro alegórico com essa frase...rsrrsr) Talvez eu não tenha,nessa existência, o papel de ser par de alguém, mas às vezes viajar sozinha é cansativo, ir ao cinema também e até o momento de exercitar a fé fica árido sem alguém para trocar os hinos de louvor, entende?? É ruim também não ter alguém para o sexo quando o amor pede sombra, e não ter alguém para o amor quendo o sexo quer descansar e não ter os dois quando um só basta e é tanto que o pouco faz alvoroço.
Tudo isso é pra dizer que não vou por ai cortando minha cruz ou fazendo uma contrução mais leve dela. Vou carregando por cada caminho, vou deixando marcas em meus ombros e rosto e mãos ,mas preciso dizer que tem me feito muitos calos e quando isso acontece, um barulho interno me cala a alma e, é sinal de que tudo, tudo, tudo que nos deveria ser leve...pesa.
Vou seguindo atravessando meu caminho como quem nem teme a vida e conhece a possibilidade infinita que há na vontade de te encontrar, mas deixo claro que nunca, nunca me falto e isso é que deve incomodar.

PS: A mensagem recebida apresentava um rapaz carregando uma cruz. Durante o percurso ele vai cortando a cruz para torná-la mais leve, mas ele se depara com um penhasco e para atravessa-lo deveria usar a cruz, como ele já havia cortado demais não teve como usá-la como ponte.
Conclusão: Nada nesta vida é por acaso !
Muitas vezes, queremos nos livrar da "cruz"  que nos é dada,
mas para tudo tem um 'para quê' e um 'por quê'...
Deus nunca nos manda algo que não possamos suportar...

E se formos abreviar estes caminhos, certamente teremos problemas !
Não é preciso dizer MAIS NADA!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

VIVER É PRA SER LEVE / DA SÉRIE ILHA GRANDE

                                                                  
Sempre que retorno de algum tipo de viagem - mesmo as internas- tenho vontade de escrever. Não foi diferente com essa minha última aventura, pois voltei de Ilha Grande com uma vontade de versar sobre as mais diversas coisas que vi, senti e mergulhei por lá.
Serei mais econômica em minhas palavras ou, ao menos, ensaiarei essa possibilidade. De todos os mergulhos que fiz o mais genial foi o que me deixou náufraga de mim, foi aquele que consegui, sozinha, me transportar, foi o mergulho da alma que me deu a chance de uma vez mais conversar com Deus. Muitos foram os momentos de tamanha emoção em que eu, corajosamente, chorei. É estranho não perceber isso nas pessoas. Há uma certa necessidade de só ver beleza no óbvio e não prestar atenção no silêncio. Há um silêncio que impera quando estamos em comunhão com nós mesmos. Nesse instante queria fotografar o impossivel que é a minha veia aorta, minha retina dilatada, minhas lágrimas e  meus gestos simples.
Fiquei comovida com cada singelo detalhe, com a gratuidade da natureza, com a leveza de uma gente que se manifesta no olhar e com o olhar, com meu encontro comigo que tenho essa mania absurda de perder de mim e retornar meio despedaçada, mas- confesso-  na Ilha foi diferente, lá eu tive a chance de pegar a minha menina pela mão e levá-la pra onde ela nunca deveria ter saido ,que é de dentro de mim mesma. Quando amo, crio uma espécie de roteiro e acabo tecendo mais espectativas do que realmente existe no outro em relação amim. Torno o amor feio , pois quero quase que industrializá-lo, sabe? Refiz várias vezes meu labirinto, tornei-me mais forte para poder fraquejar, segurei impulsos, ri, sorri , chorei e redescobri a adolescente que fica tímida quando a mulher que agora habita meu corpo tem a ousadia de querer  embassá-la... Então, nessa hora, deixo a minha voz interna repetir: Viver é pra ser leve, viver é pra ser leve....e vou me deixando levitar, mesmo com o mundo caindo sobre mim. Vou me deixando mergulhar, mesmo sem conseguir, vou me deixando respirar, mesmo quando dói.

segunda-feira, 26 de março de 2012

TÃO EROS...TÃO PSIQUE

                                                                               
Acordei com uma sensação estranha de vazio, de coisa perdida, de vontade de poder olhar pro olho do outro e perguntar: e agora, como ficamos, o que nos aconteceu?
Todo esse silêncio me faz um mal doido e eu que não sei conviver com as inquietudes de minha alma.
Quando estou assim, fogem-me as palavras, então faço das alheias as minhas próprias.
Posto pra vocês um trecho que recebi. Fica como uma reflexão do que foi, para poder dar sentido a essa minha insistência de amor.Ou não.
"Que seja eterno enquanto dure".

"Vale, então, compreender melhor os tipos de amor e, nesse compreender, ampliar o olhar, expandir a consciência, permitir-se experimentar cada momento, cada movimento do sentimento.

Eros, o amor paixão. O amor que cega, que nos faz surdos e mudos. Tira-nos a razão, enlouquece, ao mesmo tempo em que nos torna poetas, enamorados, bobos "alegres", amantes, amados. Faz-nos tensos, inseguros, certos e errados. Tira-nos o foco, a respiração, a cor. Somos com o outro. Moremos sem ele. Vida e Morte. Fogo e Emoção.

Philia, o amor amizade. O amor companheiro de todas as horas. O amor que nos faz poder contar com outro a todo e qualquer momento. O amor que nos faz cúmplices, íntimos, amigos. O amor que nos faz engraçados. Rimos com o outro, aprendemos com ele, sabemos como agradar e deixamos claro como queremos ser agradados. Somos dois, unidos e separados, tudo ao mesmo tempo.
Ágape, o amor incondicional. O amor que tudo compreende. Tudo aceita. Tudo constrói. Um amor que de tão imenso, extrapola a vida a dois e é compartilhado com todos os que estão à volta. Aqui cabem todos: companheiro, filhos, amigos, familiares, outros... Aqui, o que conta é a espiritualidade, o amor maior, o dom supremo. Estar com o outro, nesse momento, nos completa. Expande o "ser".

Bem, posto isso, qual o impacto na relação? No casamento? Fica aqui o convite à reflexão. Em toda a relação, o que acontece é um movimento circular. Andamos de um amor para o outro tipo de amor, em todas as direções. É como se pudéssemos ora estar em eros, ora em ágape, ora em philia, depois em eros, depois em philia e assim por diante.
Se conseguirmos compreender o amor nessa dimensão, estaremos prontos para conquistar e ser seduzidos em diferentes momentos, na vida a dois.
Acreditem, o amor se transforma a todo o tempo. E, como todo sentimento, é também movimento. Pode, por isso, encantar a cada nova estação. Pode, por isso, recomeçar a cada nova estação.
É claro que vale sempre reforçar. Será sempre diferente. Evoluímos, crescemos, somos, também, diferentes a cada vez que inspiramos e expiramos. Renovamo-nos a cada respiração e, assim, também é o amor."

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