quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
GALATÉIA
Sou quase louca, eu sei.
Corrijo minha alma
Tropeçando em meus calcanhares.
Ainda não aprendi a olhar para o peixe
E vê-lo peixe, apenas
Vejo-o mar, sal, azul e anzol
Não aprendi a entender que no país das maravilhas
Alguns homens são de lata...
Outros são covardes...
Outros nem tem cérebro...
E novamente me encantei por um sem coração
Sou mais Peter Pan que Sininho
Tenho medo de crescer e perceber que a fera da bela
existe
Toda desenhada no meu anti-herói
Vivo tecendo um sudário a sua espera
E teço-o como Penélope durante o dia
Fingindo-me feliz diante de todos
À noite, desfaço o que teci em lágrimas e
Corajosamente espero o nascer do sol seguinte
Sigo minha sina como Rapunzel
Aprisionada na torre de um castelo
Que nem é meu.
Acordo sempre no escuro...
Como se ouvisse o sol chegando
Atrás da colina de sua aldeia
Que ficou tatuada na minha retina
Sou a ingênua menina que levou a cesta de doces
para a floresta
E se encantou pelo lobo mau que nunca faz seu
serviço
Hoje o vento frio briga com as folhas
Do caminho que não mais transpasso
Mais uma Dorothy que perde passo,
Não sei como atravessar essa de estrada de tijolos
Estou virando sertão
Talvez meu amor vire ódio
Como aconteceu com Helena em relação a Menelau
Talvez não
Talvez vire pedra... Medusa...
Feito Argos em sua nau
Que me venha um Páris
E me dê a paixão que você me nega
Que eu não me faça adormecida
E nem tão pouco esquecida
Que ele possua mais esperanças que dor
Que um dia, não muito longe
Afrodite me transforme em Galatéia
E você, depois de ser perdoado
Por tanta falta de coração,
Deixe de ser esse homem de lata
E seja meu Pigmalião...
... diante de Páris... é claro
E por que, não?
terça-feira, 23 de junho de 2015
A POESIA DA ALDEIA
_Tá vendo?
_Tô venu si sinhô
_Acha o quê?
_Que ela tá se rindo d'eu
_Rindo? Ela não ri
_Ela é o riso, então?
_Não...
_Maisi óia, mira bem naquela direção!
_Qual? Aquela que segue o rumo do meu braço?
_É.... e vai maisi adiante e, adiante o passo
_Por quê?
_Prumodiquê daqui a um cadim ela se esconde...
_Se esconde?
_Óia que tem dois zoinho brilhando perto do riso!!
_Você enxerga o vento?
_Enxergo e danço com ele, sim sinhô
_Delírio seu
_E vejo a terra com uma cor que transparece com o brilho do riso dela. Tá venu?
_Vejo...mas não como você desenha pra mim
_É que te faltam as lente
_Lentes?
_É... as lente da magia
_Você está se rindo de mim?
_Não sinhô...
_Tô catando a poesia que passeia em sua aldeia enquanto não raia o outro dia
_O dia nasce em qual direção?
_No contrário do que ela se ria. Nunca viu , não?
_Acho que dormia
_Eu bem sabia...
_Que eu dormia?
_Que de mim ela se ria, enquanto eu te mirava
_Quando o sol nascia?
_Não...quando eu não dormia e o teu suor eu peneirava.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
CHEGANDO AO FIM
Sei que não sou um sujeito simples
Logo, não exija de mim conjunções
Nem tão pouco que eu seja toda injunção
Não me queira advérbios cheios de modos
Pois sou adjetivos vários
Contra e a favor
Urso e cordeiro
Meu pretérito não é
E nunca será perfeito
E toda eu sou artigo indefinido
Numa oração em que o futuro
Tão presente
Se transforma em pedido
Ponha-se como complemento
Exija preposição aos meus elementos
E se narrativo...
Faça exposições
Seu nome,hoje, é vocativo
Amanhã poderá ser mais um verbo
No imperativo...
Basta!
terça-feira, 12 de maio de 2015
MAKTUB
Desencontro é quando o entorno não foi possibilidade e o destino esqueceu de nos desenhar.
Experiência é o nome que damos aos nossos erros.
Erros são descartáveis experiências que no permitimos passar.
Passar é verbo intransitivo.Passará.
Verbalizar é entrar em comunhão com o outro.
Calar é não ser capaz de externar o que lhe pertence.
Poesia é um verso preso na garganta que sai feito trovão.
Saudade é quando a gente mata, assume e o morto demora pra morrer.
Morrer é quando a gente não sabe o que fazer com a respiração e a vida sopra pra um lugar que transita entre a calmaria e a agitação,prendendo suas retinas em pontos pretos e brancos no verde tecido pela folhagem.
Adeus é pros dias cinzas- como esse-.
E ...para sempre...
"Para sempre é sempre por um triz"
segunda-feira, 11 de maio de 2015
DO VALE DA MINHA PERDIÇÃO
O que tem depois da montanha?
Que pedra me dará flor?
Em que vale minha vida vale mais
Que essa que te ofereço?
Em que trilha perdi meu caminho
Quando em vão buscava o que guardas?
Pássaros imensos sobrevoam minha cabeça
Eles nem sabem quem é Deus
E aparentam mais fé do que eu
A intimidade
A transgressão
O abotoamento do tempo
O descaso
O atraso
Tudo estava em seu lugar
Só eu não via
Só eu fingia não ver
Só eu não queria entender
"Escrever é minha salvação"
Errei...
Não percebi que aqueles instantes
tão nossos eram,
na verdade mais meus
Errei quando ele ocupou o espaço
Que era de Deus.
BOA VIAGEM
Nunca fui ao Recife de verdade, fisicamente dizendo, nunca fui em corpo, mas cada vez que lia Suassuna criava um reino onde eu era uma mulher vestida de sol, que ria com a moeda usada na viagem. Ria porque era uma moeda descomida por um gato.
Suassuna nunca deixou órfão seu menino. Desfilava seu moleque elétrico com frases destemidas em toda entrevista.
Sempre me orgulhei dele. Sempre me orgulhei de ter um escritor, dramaturgo, professor e figura essencialmente humana e nua, nascedora neste universo/país.
Ler Suassuna é voar, é ser de todo lugar, é saber-se parte de uma história...
Senti-me três vezes viúva nessa última semana. João Ubaldo visita a minha cama com seu riso bonachão, seu boi holandês que de tão cheio de meandros para cobrir uma vaca, até parece que ao sair de cima das ancas da dita parece agradecer...
Rubem Alves,muito teórico,educacionalmente didático com sentimento teoria e prática ensina-me diariamente a não olhar meu ofício como sacerdócio, a não me fazer refém de uma quadrilha docente, a ser antes de tudo transmissora de conhecimento, articuladora de saberes e ler o mundo diante das imagens que vi e também daquelas que criei.
Porém Suassuna, o anjo de voz engraçada, o disseminador da cultura popular,o teatro/vida, o faz de conta mais que de verdade...me faz chorar. Faz-me chorar por não ter tocado as mãos de quem, sem saber, desenhou um pouco do meu caminho. Aquele que me enfiou , um dia, numa burrinha e me fez interpretar o "Auto da Compadecida" como se fosse um contamento de histórias.
Cada um deles em minha cabeceira, mãos, olhos faz-me rir, tecer novas tramas,poetizar. Cada um foi vital ao meu crescimento, ao pertencimento de minha trajetória na escrita, ao entendimento que descobri nas enxurradas de palavras que me arrastaram ao maravilhoso mundo da prosa, do cerso, do faz de conta.
Que inveja dessa gente que vive no céu!
Que aterra do encantado seja digna de receber a imortalidade dos três.
Viva o Leblon!
Viva O Movimento Armorial!
Viva a esperança!
Boa viagem, meninos! Boa viagem!
quarta-feira, 4 de março de 2015
O SILÊNCIO QUE COMPONHO
Estou relendo coisas minhas e me emocionando comigo. Olho a lua coberta por um lençol de nuvens que desenha uma paisagem em minhas retinas e lembro de um beiral de rio que ainda não conheço. Coloro uma cachoeira e fico esperando, silenciosa, pelo tempo da espera.
No meio de tudo há, às vezes, uma espécie de solidão. Ela é inquilina de mim e estou disposta a dar ordem de despejo a essa estranha senhora.
Vou ficar mais um pouquinho destilando essa emoção que minhas próprias palavras me presenteiam,
Tudo na vida tem um porquê, eu sei. O problema é essa minha pressa do agora, é essa minha vontade da troca é esse estranho ser que insiste em fazer morada dentro do vazio que, só eu sei, anda cheio.
Quando o tempo da delicadeza chegou, eu não estava preparada, também sei. Desaprendi a lidar com as surpresas de tão igual estava minha vida, mas vou plantando no orvalho as várias maneiras que conheço de ser feliz e estou.
Estou compondo alguns silêncios e essa melodia novidadeira me toma de maneira tal que fico zonza.
Sei que existe muitas coisas silenciadas nele. Não tenho pressa de sabê-las,mas fico desenhando uma outra de mim que também sou eu, apenas mais tranquila, mais afeita, mais mulher.
Esse meu novo encontro é diferente, há nele mais falacias, mais descobertas, mas não sei se há total verdades.
Pessoas não são tão transparentes- Graças a Deus!-
Estou desconectada de mim. Escrevo sem dar uma linha reta, pois tô meio torta diante de tudo. A única coisa que sei é que estou repleta de eternidades, que guardarei cada instante em um relicário, que a lua, agora,está linda e nítida, que vejo a estrela cadente e faço pedido, como fiz há um tempo o mesmo pedido em sua varanda e fecho os olhos e vejo aquela luz que "ilumia" ,de longe, um casal imaginário que se afaga na distância. Bonita imagem a que seu "cantinho" me dá. Bonito olhar que me toca, prosaica sintonia que nos une, incontestável alegria que me veste quando em seu abraço descanso meu corpo enquanto você beija meus ombros e me presenteia com muitos espetáculos da natureza.
Bendito todos os instantes em que rio e choro, bendito o dia em que esqueci o medo e prometi a mim mesma ficar mais um pouquinho e, dessa maneira,cá estamos, até hoje.
Tomara você pegar a parábola nas mãos e se vergar como um bambu, mesmo tendo a falsa eternidade da montanha. Tomara a gente se repetir, repetir até um dia, de verdade, sermos, de todos, diferentes.
Beijo meu!
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