terça-feira, 16 de outubro de 2012
MEU COLO,UM VINHO. TUDO QUE TENHO PARA TE DAR.
Nada pode fazer um dia transcorrer perfeito quando a perfeição buscada não é aceita. Trabalhamos em uma cidade que descansa quando o assunto é superação, mas não podemos perder o nosso refinamento e nossa ousadia pois não nos deixamos cair no angu que eles cozinham evento após evento.
Saia do reduto, aposte em você e torne sua pesquisa e desejos em algo itinerante.
O que me incomoda é a falta de respeito conosco, sempre. O que me chateia é não receber, com raras excessões, o mesmo tratamento que recebem meus colegas cariocas, paulistas ou sei lá de onde chegam. Sou cosmopolita, baby. Sei que incomodo por saber chorar sem deixar inchaços no rosto. Choro por dentro, como você fez no instante em que me sacudiu e, me fez lembrar do Caio Fernando Abreu em um trecho mais ou menos assim..."Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros ... quero parar de me doar e começar a receber." Sei que ficamos esperando uma troca quando estamos ávidos dela e cheios de razão, sei que sabemos que podemos entregar para uma comunidade um pouco de conhecimento e beleza e olhares outros, mas não sabemos, ainda, como direcionar pessoas tacanhas, sem personalidade ao que entendemos como realização coletiva... fazer o quê?
Há possibilidades pra quem não envelhece a alma. A minha é um feto e ainda guarda o instante que lhe foi concebido a vida...o gozo. É disso que temos que envelhecer...de nos saber capazes de como Fênix renascer das cinzas.
Amanhã passa, sempre passa e aí..."Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre virgulas, aspas, reticências... eu vou gostando... eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou... e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos... e vou... dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar". Mas o problema é que pouco EU já não quero mais.Então ofereço o que posso em colo, palavras e vinho...o resto? O resto, sei lá.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
DE ALMA ABERTA
"A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo."
Li essa frase e parei pra pensar no quanto é bom ser livre de pulsilanimidade. Fiquei pensando nas gentes pulsilanimes que encontrei em meu caminho e no quanto elas acrescentaram em mim, mesmo sem saber.
Conheci homens com saberes tão duvidosos e práticas tão ridículas em seu cotidiano- no que diz respeito aos encontros amorosos- que passei um tempo me desvencilhando deles como quem teme o sexo oposto por, lamentávelmente, vê-lo como fraco, no sentido de raso mesmo.
Há tempos não me encanto, há tempos que tenho uma sensação de que isso não ocorrerá mais, pois me falta o olhar do outro, me falta aquele olhar de troca, de fé no sentido e no sentimento, olhar de "vale a pena" e não aquele do "serve, pois não tô fazendo nada", falta o olhar que me molhe, sabe?
Diante disso crio viagens e descubro que posso encher meu olhar de outros lugares, ao invés de outra gente. Tendo isso em mente, parto para a arrumação de pequena mala e vou me encontrar comigo em outro território, buscando um olhar distraído e que até pode ser o meu, que também precisa se encarar e se emoldurar e tentar se aproximar do outro sem criar uma matemática...sendo destemido apenas e, encarar que um encontro pode ser somente sexual, mas sem perder a noção de que o sexo começa no olhar, o amor começa no olhar, toda relação começa no olhar. De repente, ele pisca diferente e começa qualquer coisa que não precisa, desesperadamente, de rótulos. É isso que quero!! Um olhar que me convide para a vida, para o encontro, para o tempo, que dura na medida do que damos e conquistamos, é de me expandir que preciso e, garanto, coragem pra isso não me falta, pois não me deixo contrair.
Li essa frase e parei pra pensar no quanto é bom ser livre de pulsilanimidade. Fiquei pensando nas gentes pulsilanimes que encontrei em meu caminho e no quanto elas acrescentaram em mim, mesmo sem saber.
Conheci homens com saberes tão duvidosos e práticas tão ridículas em seu cotidiano- no que diz respeito aos encontros amorosos- que passei um tempo me desvencilhando deles como quem teme o sexo oposto por, lamentávelmente, vê-lo como fraco, no sentido de raso mesmo.
Há tempos não me encanto, há tempos que tenho uma sensação de que isso não ocorrerá mais, pois me falta o olhar do outro, me falta aquele olhar de troca, de fé no sentido e no sentimento, olhar de "vale a pena" e não aquele do "serve, pois não tô fazendo nada", falta o olhar que me molhe, sabe?
Diante disso crio viagens e descubro que posso encher meu olhar de outros lugares, ao invés de outra gente. Tendo isso em mente, parto para a arrumação de pequena mala e vou me encontrar comigo em outro território, buscando um olhar distraído e que até pode ser o meu, que também precisa se encarar e se emoldurar e tentar se aproximar do outro sem criar uma matemática...sendo destemido apenas e, encarar que um encontro pode ser somente sexual, mas sem perder a noção de que o sexo começa no olhar, o amor começa no olhar, toda relação começa no olhar. De repente, ele pisca diferente e começa qualquer coisa que não precisa, desesperadamente, de rótulos. É isso que quero!! Um olhar que me convide para a vida, para o encontro, para o tempo, que dura na medida do que damos e conquistamos, é de me expandir que preciso e, garanto, coragem pra isso não me falta, pois não me deixo contrair.
LOUCA POR DIVAS
Nossa!! Fiquei surpresa ao ver o hiato que estabeleci com o que me era tão primordial- a escrita-. Descobri que comecei a me preocupar deveras com o que escrevia e que isso foi me tolindo o prazer de exercer esse ato da forma que quero e penso, por me encontrar engessada, por me pegar preocupada com a opinião alheia.
Ao caralho com elas!!, se só querem me fazer perder o brilho e a métrica. Aceito críticas e repenso-hoje mais madura- em cada palavra para que possa me garantir de sua serventia, mas isso não irá me fazer frear. Isso não! Estou em estado de agradecimento, encubação de sentimentos, planejamentos futuros. Estou revisando minha história e apurando minha escuta.
Estreei mais um espetáculo na semana passada e nem tive tempo, sequer, de falar sobre ele no meu Blog, pode? Mas não é tarde, pois ainda me resta a apresentação em Macaé, no dia 05/12 e eu quero afinar ainda mais o espetáculo que é minha maneira de me salvar. Coloquei em cena algumas das mulheres que mais me fascinaram na história da música popular brasileira. Encarei e encarnei Carmem Miranda, Chiquinha Gonzaga, Dolores Duran,Aracy de Almeida. Clara Nunes, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Maria Rita, Roberta Sá e Elis numa brincadeira tão séria que conquistou a todas as pessoas que pelo SESI Campos e Itaperuna passaram para me prestigiar. Sei que não posso ter agradado, de todo, a todos, mas o que ouvi foi bom, muito bom e, mesmo as críticas vão me ajudando a construir um novo caminho e a descontruir ainda mais essas Divas.
Percebi no meio do processo da carpintaria desse exercício que não me deixo mais levar pela certeza alheia. Aprendi a discutir mais e com mais argumentos , a formar minha opinião, a brigar pelo que acredito e entendo ,pois não posso, não depois de tantos anos, aceitar,em silêncio, fazer tudo que meu mestre mandar e acho que isso pode ter chocado a direção. Falei em muitas postagens anteriores sobre o processo que passamos depois que atravessamos a marca dos quarenta. Para nós mulheres parece restar, apenas, prateleiras onde nós somos objetos de promoção postos à venda como se não nos restasse mais tesão, vontade, viço, sonho e ousadia. Leudo engano! Estamos somando e pontuando. Escolhi trabalhar com a sensibilidade para não me perder de mim e, mesmo um pouco descrente do outro , exercitar meu amor e paixão- que são coisas ímpares-.
Essa postagem é para publicar meu mais novo sonho realizado, essa postagem é para agradecer aos que estiveram comigo na costrução desse concorde, é para agradecer aos que me prestigiaram e, principalmente àquela que me deu a oportunidade de ser nua e humana.
Enfim ...é a minha postagem pra me dedicar Festa, muita festa nessa minha loucura.
![]() |
| Carmem Miranda/ Adri e Arpoador |
![]() |
| Dolores Duran |
![]() |
| Aracy de Almeida/Adri e Rossini |
![]() |
| As Contemporâneas |
![]() |
| Clara Nunes |
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
PALAVRAS
Era um dia como outro qualquer. Era um dia para ser como outro dia do passado ou do futuro, mas no presente ele me chegou com ua mensagem de celular de um moço que não conheço pessoalmente. Pediu que interpretasse seu poema no Fest Campos de Poesia Falada. Gosto de palavras. Gosto de palavras que gritam e que silenciam tudo. Gosto de palavras que emocionam, que transformam, que nos fazem pensar, que nos eternizam. Gostei das palavras do moço, e decidi que iria interpretar o seu poema tão cheio de imagens e de surpresas.
Sempre que leio um poema, conto, prosa ou bula de remédio, na minha mente vem a galope o esteriótipo da personagem. Fico imaginando como anda, fala, pensa, encanta. Quando me deparei com o poema "Dor de Rosa", não foi difernte. Mas algo de mais especial e revelador me tomou por inteiro. Saber que fora escrito por um homem me deixou ainda mais curiosa e aí, inconscientemente, acabei fazendo uma viagem ao interior dessa alma tão feminina. Fui arrebatada pela menina que existe nas palavras do moço, fui tomada de tamanha emoção que quando disse o poema não era mais eu quem estava lá. O grande barato da interpretação é poder ser aquilo que não se é, mas que poderia ter sido. De repente, eu era a menina que nunca havia usado um vestido de chita, aquela que não conhecera os contornos de um corpo escolhido, aquela cuja infância fora roubada, que o o lhar fora congelado e que a alma perdeu o caminho...
Não poderia descrever o tamnho de minha emoção nem o quanto é interessante ver/sentir a reação das pessoas que embarcaram comigo no navio das palavras.
Escrever não é fácil. Transformar a escrita do outro num jogo de sensações também não, mas se render as fonemas, as frases, aos tons que tem um poema é ajoelhar diante do Deus que existe em todo lugar e se sentir facilmente levada pelas dificuldades. Cumpri meu ofício uma vez mais. Fiz o melhor de mim e agradeço ao moço por ter me confiado sua escrita e me oportunizado um encontro sublime com suas palavras.
DOR DE ROSA
Minha infância
nunca descobriu
os mistérios que
habitam o fundo do rio.
Sempre me disseram
que o vestido encurta
depois que a gente
sente a flor do maracujá brotar
no meio do sexo,
disfarçando a paixão
que aqui a gente
confunde com o menor dos gestos.
Quando virei mulher,
o sangue pingou
pelo terreiro até o
sol cicatrizar dezembro.
Não colhi brincos
da natureza
porque nunca me
ensinaram a lembrar.
Esquecer é um
catecismo diário.
De manhã emudece
minhas palavras com farelos de pão
De noite, silencia
qualquer pergunta
com a flor branca e
roxa que só conheci estampada
nos vestidos de
chita que papai nunca trouxe.
Nunca ouvi qualquer
história de pescador
Nem acredito muito
no milagre dos peixes
O que ouço é uma
voz rouca
Arranhando o ouvido
da menina que não sabe existir.
Por aqui dizem ser
coisas do além, sentimentos que vagam
pelo coração da
mata. Eu mesma, não sei dizer.
Sempre guardei as
histórias do folclore
dentro da minha
caixa de meias.
Uma porque só sinto
aquilo que me toca.
Outra porque nunca
fui eu, depois que papai
entupido de
aguardente me ninou como
se eu fosse uma
lenda.
Não posso imaginar
as frestas que o mundo deixa
porque só prezo
pelas distinções de escuro.
Deduzo a luz pelo
toque que não sei contar,
pelo romance que não
segredei aos antigos
e pelo coração que
pulsa por dentro, aposenta
cirandas e não é
meu.
Faltou o canto da
sereia,
o contorno do corpo
que não provei,
os chumaços de
algodão para estancar o vermelho
que escorreu pelas
pernas bambas de tão finas.
Só senti a
existência dele quando a barriga começou a crescer
e nenhum tom de rosa
apareceu no meio do nada do rio.
Quando a água
baixou lá pelas bandas de mim,
o sol não deu
trégua sequer nas vontades de antes.
A memória eu guardo
no ventre do encontro das águas
O corpo eu já não
sei
Só imagino cores
para as variações que correm igarapé afora.
Podem imaginar o que
for
Só sei que o boto
tinha a barba grossa,
a mão pesada e o
bafo de cigarro igualzinho ao do meu pai.
Pseudônimo:
Clave de luz
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
É ISSO.
Acredito, desde pequena, na possibilidade de realizar sonhos. Há algum tempo sonho de olhos abertos com uma mudança que só nos é possível quando estamos diante de nós mesmos, sem máscaras e sem medos.
Várias coisas aconteceram nos últimos meses comprovando a velha teoria de que o tempo não para e que só existe um dia após o outro e ponto. Há coisas que não precisam de palavras nem de gestos, apenas do silêncio que explica tudo e não há melhor informação há ser dada, em alguns momentos, que esse nada que tudo é. Estou convencida que escrevo porque preciso de mim, que escrever é minha maneira de pedir socorro, de dizer "eu te amo", de chorar, rir e me encontrar em mim...Acho que é uma espécie de lamento, de chamamento, de comunhão para comigo e com quem se arrisca a me entender.
Passei dias e dias sem ousar escrever uma palavra que fosse. Impedida por mim e por promessas que fiz de não sair por ai vomitando de modo doido tudo que penso e, mais sério ainda, acredito.
Tá coçando, tá coçando e eu não vou resistir!! Estou no limite com a cara de pau de algumas pessoas que, acredito eu, acreditam que são boas, que agem honestamente, que consertam o que estilhaçam e vão de cara limpa , publicamente autoelogiar-se na TV, rádio, e na imprensa de modo geral. Eu tento gente, mas preciso dizer, escrever, pensar alto que a minha cidade, não é minha. A minha cidade é dos campistas. Não existe política sem coletivo, não existe educação de qualidade sem objetivo, não existe arte, cultura e desenvolvimento sem oportunidade de conhecimento sério pra que seja desenvolvida a sabedoria que se adquire com a vivencia e com discernimento do que é um morar feliz e melhor.
Sonho, sonho alto e com risco. Temo coisas tão pequenas que rio de mim, mas não consigo entender como alguém vende seu sonho sem a noção exata de que está vendendo a possibilidade de realizá-lo.
Já parou pra pensar no que determina a reputação de cada um? É seu caráter, sua verdade. O problema é que a reputação pode ser perdida em um instante, mas o caráter..esse fica, permanece por uma história inteira...
Então, pense quando tiver que eleger alguém. Escolha pelo caráter e não pela reputação, pois o caráter é aquilo que espelha o que se é , enquanto a reputação é aquilo que se cria e, em época de marketing, vence quem paga mais... mesmo que seja com o dinheiro de quem os eleva ao que eles determinam como topo, e em troca o poder que eles adquirem soterra os passantes vendedores de sonhos...cada vez mais.É isso.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
POEMA EM ANDAMENTO
ATRAVESSO AS MINHAS NOITES
DE MANEIRA INCONSCIENTE
COM O TEMPO
DEPOIS DA TRAGÉDIA
O QUE RESTA É SAUDADE
ANTECIPEI A MORTE
COMO QUEM TIRA
COELHO
DA CARTOLA
ESPERANÇA
É A ÚLTIMA QUE MORRE
MAS É TAMBÉM A ÚNICA QUE MATA
PELA DEMORA
PELO DESESPERO
PELA VEIA AORTA
QUE ME MUTILA
E ME CORTA
NÃO SEI SE FOI EM
TEU PEITO QUE DISPAREI
O TIRO
MAS SEI QUE O MEU
FORA ATINGIDO
E DEPOIS DE NECROPSIADO
AINDA TEIMA
ESCANDALIZADO
EM DESCOBRIR
QUEM DE NÓS
APERTOU O GATILHO...
DAS PRETA.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
TEMPORARIAMANETE EM SILÊNCIO
Há alguns dias estou em silêncio. O silêncio, algumas vezes, é minha maneira de gritar, de dissolver rastros nada dignos que ficaram marcados em mim. É meu momento de ler, reler, assistir vídeos e voltar no tempo...
Talvez seja sobre isso que queira escrever. Talvez seja necessário me escutar e assumir, de vez, esse reflexo meio desrtocido do que sou e que é o próprio reflexo do tempo, esse Deus que nos devora e nos alimenta de uma espécie de "ecstasy" natural, que é a sede de vida.
Aos vinte anos não pensamos que teremos quarenta. Aos vinte anos sequer adimitimos a possibilidade de envelhecer, de ser história, de trazer no rosto e no corpo as marcas de toda uma geração que ficou para trás.
Já passei dos quarenta e só agora me dei conta disso. Só agora vejo que meu ritmo não é mais o mesmo, que meus desejos são outros e que minha ousadia tem um outro olhar, uma outra perspectiva, uma outra aventura. Minha alma continua dançante e cheia de tempos ávidos por mais tempos. Tenho muito para ser feliz, tenho muito para conhecer, tenho muito para amar e muito para ter prazer, mas diante de uma sociedade tão preocupada com esteriotipos e com um tipo de argumento tão caro em busca de uma jovialidade eterna, acabo me sentindo fora dos padrões e, acreditem, decidi que não poderei me deixar levar por essa falsas promessas e se puder, claro, manterei minha aparência o mais saudável possível, mas não quero e não vou, em nome de uma ditadura comportamental e estética, me travestir de silicones, botox e me tornar um ser plástificado, com um sorriso constante e um aspécto de "pelamordedeus" tudo aqui é meu.
Leio tudo que me chega aos olhos. Faço "de um tudo" para me manter em sintonia com o mundo, com o outro, com o conhecimento e fico admirada com muitas coisas que leio.
Dias desses li um artigo do Frei Beto em que um dos parágrafos revelava o seguinte:
"Uma pessoa é o seu corpo. Vive ao nutri-lo e faz dele expressão de amor e gera novos corpos. Morto o corpo, desaparece a pessoa. Contudo, chegamos às portas do terceiro milênio num mundo dominado pela cultura necrófila da glamorização de corpos aquinhoados por fama, beleza e riqueza, e a exclusão de corpos condenados pela pobreza."
Talvez estajamos pobres de Deus, pobres de amor, pobres de verdades e entupidos daquilo que é trivial, que é raso, que é banal. Estamos malhando mais o corpo que a mente,estamos mais preocupados com o olhar de quem nada vê do que com o nosso olhar sobre nós mesmos e acabamos nos deparando com uma sociedade que frequenta academias em excesso, mas desconhece o número de livrarias que há em sua cidade.
Estou em silêncio há alguns dias. O mesmo silêncio de quem sente fome e medo. O mesmo silêncio de quem, ainda, sonha em se ver no tempo exatamente como se é e não dá meneira que o mundo impõe que se deve ser. O mesmo silêncio de quem está construindo um novo tempo e que acredita, piamente, na "Doida Varrida" que irá me conceder o espaço tão sonhado em um tempo de alucinações e paranóias.
Somos e existimos para dar sentido a transição pelo qual o corpo passa. Nos cabe mantê-lo em harmonia, numa paz de criança dormindo e com um desejo perene de nos expressar.
Estou no aguardo do próximo ato e tenho fé que a "Doida Varrida" venha pra me fazer quebrar esse silêncio, essa fome e esse medo.
Estou no aguardo do próximo ato e tenho fé que a "Doida Varrida" venha pra me fazer quebrar esse silêncio, essa fome e esse medo.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
MERGULHO EM MIM
Escrever não é função das mais fáceis. Lidar com o que sentimos e que, por vezes, queremos tornar explícito é correr o risco de sermos interpretados de forma errônea ou vulgar demais.
Sou um poço de ansiedade e sei que isso me conduz até a minha mais profunda zona abissal. Faço levantamentos de minha vida e das escolhas que elejo e, na maioria das vezes, me coloco na cadeia, presa, de castigo, pois sou a rainha dos equívocos, das areias movediças ,das rápidas ressureições.
Tenho tanto pavor do que penso que quase sempre, como agora, tenho vontade de escrever sobre umas coisas, mas acabo me sabotando e escrevendo sobre outras. Lanço minha rede , diariamente, em mares revoltos de onde , vez ou outra, consigo fisgar algo de substancioso , mas sou muito generosa e sempre devolvo ao mar aquilo que acho não ser de posse de uma só pessoa. Gosto do que se divide, do que se compartilha, do que se consagra com o tempo. Sei que muitas vezes minha rede segue seus dias em mar vazio, de águas turvas e de revoltosas maresias, mas disso também e feita a vida...de inanição. Não que eu concorde com isso ,mas deve fazer parte de algum tipo de acordo divino.
Estou faxinando minha alma e com um medo doido de jogar fora o que , mesmo quebrado, possa ter conserto. Estou jogando fora sentimentos e gentes (isso é dorido demais) e se o faço não é por desleixo, mas por exercício de inquietação, por necessidade de leveza, por depuração. Estou fazendo uma limpeza de dentro pra fora, expulsando pessoas que já me ignoram e que não me deixaram sequer a chance de saber o porquê. Estou retirando de meus olhos aquela cortina de possibilidades de perdão, aquela crosta de mentiras que a gente vai cultuando com medo da solidão sem saber que solidão também é multi, também é una, também é muitidão.
Há tempos minha alma regressou de um passeio meio além mundo , meio depois de tudo, todo inteiro interior e que me fêz recordar um tempo que se faz longe... o tempo de quando eu era pequena e tinha medo de morrer, tinha medo de escuro, de bicho de pena e de gente muito grande. Continuo pequena, acho, pois meus medos ainda persistem, ainda me invadem ,com uma outra roupagem , eu sei, mas estão e são medos e eu não posso fazer de conta que não estão em mim. Não posso tratar de suavizar coisas que me incomodam. A vida não nos foi dada para que perdêssemos as expressões, para que construíssemos muros de lamentações, túneis de desafetos e coisas pequeníssimas que nos enchem de frustrações. A vida é presente diário e nem precisa senha para se ter uma pesca feliz, nem se faz necessário abortar sonhos ou ignorar medos. Tem lá seus mistérios?? Tem!! e que bom que os tenhamos, que bom que sentemos lado a lado, em silêncio, com o tempo e tentemos desvendá-los, pois só se sai satisfeito de uma boa pescaria quem tem coragem de se lançar, como isca, ao mar...
Lá vou eu pra mais um mergulho!!!
segunda-feira, 7 de maio de 2012
"A POESIA NÃO SE ENTREGA A QUEM A DEFINE"
Já se vão 18 anos sem o poeta que encanta a todos! Dia 05/05 não foi dia para ter festejos, mas recordações… Eu não seria a mesma sem esse escritor que tornou a minha vida mais leve, feliz, mas não sem crítica e um pensamento atento ao cotidiano… Poeta da rotina, das experiências ordinárias, do que é comum, sem, no entanto, cair no usual. Quin é um autor que continua a nos fazer pensar nessas pequenas coisas do dia-a dia!
"Quin" sempre foi um sujeito que sabia o que queria e sabia que seu nascimento a 30 de julho de 1906, foi o melhor que lhe aconteceu. Achava que confissão não transfigurada pela arte era indecente e dizia - "Minha vida está em meus poemas, meus poemas sou eu mesmo, nunca escrevi uma virgula que não fosse uma confissão."Quim nasceu prematuramente num frio de 1grau, o que o deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobriu que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro- o mesmo tendo acontecido com Sir Isaac Newton.
Gostava de dizer sempre:
"Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras."
Pelo meu amor e pela minha luta com as palavras é que existe essa postagem pro meu "Quin", que quando muito menina chamava de "Quintanda" e passei a me alimentar de suas verduras letras, leguminosas frases e frutíferas ideias...
Projeto de Prefácio
Sábias agudezas… refinamentos…
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre…
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.
Seiscentos e Sessenta e Seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente …
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
A Verdadeira Arte de Amar
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
"FANTASIAS, CRENÇAS E CRENDICES". EU MEDIEI!!
A vida está que é uma loucura. Não consigo dar conta de tudo -e quero tudo ao mesmo tempo-. Decidi editar algumas páginas da minha vida, fazer alguns acertos, cololocar ponto final onde havia redicências e enumerar minhas interrogações em uma pasta extra no meu desktop e, por essa causa, estou rareando minha escrita.
No último dia 26/04 participei de um encontro que me foi muito garatificante. Sou fã do compositor ,cantor e sambista Martinho da Vila e, já há algum tempo, leio sua coluna no jornal "O Dia". Uma coluna que fala sobre assuntos das mais variadas esferas.
Bom, escrevo sobre o meu encontro com ele que aconteceu por ocasião do lançamento do seu livro "Fantasias, Crenças e Crendices" no Espaço Cultural do SESC. Foi uma noite pra lá de agradável, com muitas gentes na platéia atenta aos causos contado por esse homem plural que é Martinho da Vila.
Falar sobre Martinho da Vila é pensar em pluricultura nacional, em força dos ancestrais e dos orixás, em fé na vida, na comunidade e na família, além de passar, obrigatoriamente, pelo estudo da identidade cultural do país, em suas vertentes, tanto étnicas como culturais. Focalizar Martinho da Vila, suas idéias e suas obras é mostrar um exemplo vivo de um brasileiro, descolonizado culturalmente e orgulhoso de si mesmo.
Ler Martinho é descobrir, nas entrelinhas, a alma de nossos ancestrais. Conversar com ele é uma aula de cidadania e um exercício de sensibilidade.
Fica a minha dica de leitura pra quem se entrega a arte da palavra como quem conversa com um amigo.
Assinar:
Postagens (Atom)









.jpg)




.jpg)